EUA apertam o cerco na caça aos indocumentados

EUA apertam o cerco na caça aos indocumentados

O requerente de visto deverá fornecer informações sobre o uso de mídias sociais – Facebook, Instagram e Twitter. A vigilância aumenta nos EUA contra indocumentados – fiscalização em ônibus e a lei assinada pelo governador da Flórida, Ron DeSantis, para banir cidades ‘santuário’

Edição de junho/2019 – p. 08

EUA apertam o cerco na caça aos indocumentados

Com as novas metas estabelecidas para o requerimento de visto ao Departamento de Imigração dos EUA, o solicitante – imigrante e não-imigrantes deverá dar informações sobre o uso de mídias sociais – Facebook, Instagram e Twitter –, além de números de telefone e e-mail. A exigência é a mais recente de uma série de medidas baixadas pelo governo do Presidente Donald Trump para aumentar a vigilância sobre quem entra nos país. Os novos formulários de requisição de visto contendo a exigência já foram divulgados pelo Departamento.

A medida, aprovada em março de 2018, vai afetar os cerca de 15 milhões de estrangeiros que buscam um visto de entrada nos EUA anualmente. “A segurança nacional é nossa prioridade na hora de conceder vistos, e todo o visitante ou imigrante que viajar para os Estados Unidos passará por uma rigorosa triagem”, diz ainda a nota do Departamento.

“Estamos trabalhando continuamente para adotar mecanismos que melhorem os nossos processos de vigilância de forma a proteger os cidadãos americanos, ao mesmo tempo que apoiamos os métodos legítimos de entrada no país”, conclui o comunicado.

Mídias sociais, endereços de e-mail e números de telefone eram exigidos apenas de visitantes sujeitos a verificação extra, como é o caso de pessoas oriundas de áreas próximas ou controladas por organizações terroristas, cerca de 65 mil pessoas por ano. O Departamento estima que a mudança afetará cerca de 710 mil requerentes de vistos de imigrante e 14 milhões de vistos de não-imigrante, incluindo os que vêm para os EUA como turistas, a negócios ou estudos.

Além do histórico das mídias sociais, o requerente deverá fornecer os números de telefone usados nos últimos cinco anos, endereços de e-mail, registro de viagens internacionais e prévias deportações – caso houver – , assim como qualquer atividade com relação ao terrorismo. Os requerentes de certos tipos de visto diplomático e vistos oficiais estarão isentos da exigência.

Busca intensiva em ônibus

Em contrapartida, as buscas por indocumentados em ônibus da Greyhound – com linhas para todos os estados americanos –, cresceu nos últimos meses, afirmam ativistas. Segundo advogados de imigração, agentes do “Border Patrol” estão revistando ônibus e trens pedindo documentos americanos. Com isso, viajantes de ônibus e trens dentro dos EUA reclamam que agentes da patrulha de fronteira estão fiscalizando os meios de transporte em busca de imigrantes indocumentados. Até mesmo cidadãos americanos estão sendo abordados.

O “Customs and Border Protection (CBP)” não disponibiliza o número de apreensões em estações de ônibus e trens, mas segundo a ACLU – “União Americana pelas Liberdades Civis” –, os agentes intensificaram a fiscalização nesses locais, mesmo longe das fronteiras.

A entidade reforça que, sob o “Fourth Amendment”, passageiros não podem ser detidos ou questionados pela “Border Patrol”, a não ser que haja uma forte suspeita que o indivíduo tenha cometido um crime. A abordagem não pode ser baseada na cor da pele ou na fluência em inglês.

Em janeiro de 2018, um vídeo gravado por passageiros do Greyhound em Fort Lauderdale mostra a prisão de uma mulher por agentes. Eles levaram a passageira presa por não ter status imigratório válido. O motorista do ônibus informou aos passageiros que seria feita uma checagem de rotina. Os agentes teriam pedido a documentação, inclusive status imigratório, de todos os passageiros.

Banir cidades “santuário”

E para complementar a ação da Imigração na caça aos indocumentados, na Flórida o governador Ron DeSantis assinou uma lei para banir cidades que protegem imigrantes indocumentados na Flórida, as chamadas cidades ‘santuário’. Em uma cerimônia concorrida, com mais de 300 pessoas, realizada no condado de Okaloosa na região do Panhandle, local considerado conservador, DeSantis enfatizou que o objetivo é fazer com que os departamentos de polícia locais colaborem com o ICE.

A lei SB-168 requer que policiais informem às autoridades imigratórias caso algum imigrante indocumentado seja preso por cometer alguma infração. A lei foi apresentada pelo republicano Joe Gruters. Na cerimônia, muitos apoiadores de DeSantis usavam bonés com os dizeres “Make America Great Again”.

Democratas criticaram a assinatura da lei e disseram que a cerimônia de assinatura foi um ‘palanque político’. “Estava parecendo mais um comício do que a assinatura de uma lei”, comentou a deputada democrata Anna Eskamani.