O perdão do pecado de um irmão

O perdão do pecado de um irmão

Mateus 18:15, 21, 22; Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 10 – item 3

Edição de junho/2019 – p. 26

O perdão do pecado de um irmão

“Ora se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste teu irmão. (21) Então, Pedro aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? (22) Jesus lhe disse: não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete. (Mt 18:15, 21,22).

“ORA” – Conjunção equivalente a: e, nem, mas, porém, todavia, contudo… Ela muda o curso normal da exposição. Se é comum entre os homens tal procedimento, deixará de ser assim entre os cristãos.

“SE” – Dado que, no caso de. A mesma ideia. Se aquilo acontecer, porque pode ou não se verificar.

Cada um tem livre-arbítrio, tendo condições de optar.

“TEU IRMÃO” – No singular, pois a mensagem se dirige a cada um em particular. E não podemos fazer acepção de pessoas. Não importa a cor, educação, posição social, religião, profissão: todos somos irmãos, porque filhos de Deus.

“PECAR” – Procedimento censurável.

“CONTRA TI” – O que alguém faça aos outros não deve nos envolver e nos desequilibrar. Com relação a eles e a nós, precisamos concluir que Deus é bom e justo, por isso, estabeleceu a Lei de Causa e Efeito, à qual, sem exceção, estamos todos sujeitos.

“VAI” – Imperativo. Convite para tomarmos a iniciativa. Certamente na hora mais oportuna e do modo mais conveniente.

“ENTRE TI E ELE SÓ” – Nunca na vista de terceiros que não precisam saber de particularidades tanto da nossa vida como da do próximo. Sem testemunhas materiais, de encarnados, já que os desencarnados sempre estão presentes.

“SE TE OUVIR” – A proposição é condicional, tendo em vista o livre-arbítrio do semelhante.

“GANHASTE O TEU IRMÃO” – Um mal-entendido, uma briga, tudo isso pode criar situações que dividem as criaturas; que estabelecem rancores que perduram por muitas reencarnações. Ora, se buscamos esclarecer, tudo de mal pode ser evitado, com vantagem para todos. No caso, ganhamos o irmão para a vida espiritual e, em decorrência, a sua gratidão e simpatia.

Se a nossa posição for a de quem ofende, que reconheçamos o beneficio de sermos alertados.

“Então, Pedro aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?” (Mt 18:21).

“ENTÃO” – Circunstância de tempo. Naquela oportunidade. Tudo tem a sua hora. Devemos aplicar a psicologia nesse sentido.

“PEDRO” – Apóstolo de Jesus. Desejoso de aprender, o ardoroso seguidor do Nazareno, não deixava de esclarecer as próprias dúvidas. Com isso as lições ficam mais claras para nós.

“APROXIMANDO-SE DELE” – O Mestre fez o máximo. Veio até nós, encarnando na Terra. Agora, depende de cada um esforço de aproximar-se dele, de sua Doutrina e perseverar. Podemos, ainda, diminuir a distância entre nós e ele, sendo cada vez mais aplicados na vivência de seus ensinamentos.

“DISSE” – Atualmente já não podemos dialogar com o Mestre pessoalmente, como fazia Pedro.

Temos, contudo, a possibilidade de contar com a presença de seus emissários, dos que respondem, orientam em seu nome. E também o seu Evangelho, como mensagem universal e plena de atualidade.

“SENHOR” – Reconhecimento de autoridade. Além de Deus, que é absoluta, o Filho de Maria é o maior com relação à Terra.

“ATÉ QUANTAS VEZES” – A pergunta de Pedro evidencia como se ele racionasse como se o perdão tivesse limites, se submetesse a condições. Já sabemos, todavia, que não é assim.

“PECARÁ MEU IRMÃO CONTRA MIM” – Examinando à luz da Doutrina Espírita tal proposição, concluímos que ninguém peca contra alguém, mas contra si mesmo, pois com seu ato já se compromete. O bem que fazemos, fazemos em favor de nós mesmos, o mal que praticamos, praticamos contra nós mesmos, porque do que damos recebemos.

“E EU LHE PERDOAREI?” – Perdoar é o ideal em nosso presente estágio evolutivo. Bom seria que não sentíssemos as ofensas para não termos nada a perdoar. Um dia alcançaremos essa condição.

Precisamos cuidado, porque as vezes, somos suscetíveis demais, isto é, melindrosos. Vemos ofensas onde e no que elas não existem, ficamos magoados, se alguém passa por nós na rua e não nos cumprimenta. Ora, pode ser que ele não nos tenha visto; que esteja absorvido por problemas.

Podemos passar a frente da casa de alguém, justamente quando o vento bate a janela.

Por isso não vamos admitir que alguém, menos simpático a nós, bateu a janela em nosso rosto.

Em suma, precisamos ter menos vaidade, presunção, amor-próprio. Atribuindo menos importância a nós mesmos, colocando-nos no “nosso lugar”, sentir-nos-emos menos ofendidos.

“ATÉ SETE?” – O número sete simboliza o total, o completo. Uma semana tem se dias. Sete são as notas musicais. A terra feita em sete dias. As sete maravilhas do mundo.

“Jesus lhe disse: não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.” (Mt 18:22).

“JESUS LHE DISSE:” – Imediata é a resposta de Jesus. Clara e objetiva.

“NÃO TE DIGO ATÉ SETE” – O Mestre faz questão de tirar qualquer ideia de perdão restrito. Condicional.

“MAS” – Conjunção que coloca em destaque a conclusão.

“ATÉ SETENTA VEZES SETE” – Não podemos nos prender ao resultado de operação, mas termos em vista o sentido amplo do perdão, não importa a natureza da ofensa e nem de quem procede.
Necessidade de perdoar, assim como temos sido perdoados, no curso das nossas reencarnações.

Na Doutrina Espírita, aprendemos que Deus não perdoa. Ele, porém, nos proporciona a vida, o tempo e as oportunidades para a reparação. Quem erra, deve passar por três fases:

A do remorso, que se processa no íntimo;

A do arrependimento, que se manifesta por palavras, e, finalmente,

A da reparação, que redime o devedor.