Após o 11 de setembro, ajuda emocional dá suporte às vítimas da catástrofe em Nova York 

Memorial em homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York

 

 

Depois dos ataques às torres do World Trade Center, no dia 11 de setembro de 2001, as Testemunhas de Jeová criaram o ministério de consolo com ajuda às vítimas, levando apoio emocional e espiritual. Uma iniciativa que tem auxiliado pessoas, até os dias de hoje – 20 anos depois –, que enfrentam duras lembranças da tragédia 

 

Da Redação

No dia 11 de setembro de 2001, muitas histórias marcaram a data fatídica,  e são lembrada com desolação – 20 anos depois aos ataques às torres do World Trade Center. E após os atentados terroristas, as Testemunhas de Jeová tinham equipes que passavam várias horas cada dia na Baixa Manhattan – no local da tragédia –, com suas Bíblias em mãos, consolando a todos, inclusive as famílias das vítimas e os socorristas, que trabalhavam com exaustão física e emocional. A obra alterou a maneira da organização abordar catástrofes. Um ministério de consolo organizado agora faz parte integrante de sua resposta aos desastres naturais e até mesmo à pandemia.

 

Diane Coxe relembra ataque à Torre Norte – Diane Coxe, que esteve próxima às torres atingidas pelos aviões, no 11 de setembro, lembra que não podia acreditar no que estava vendo, quando, ao sair do metrô viu um avião bater contra a Torre norte.  “Por um momento, eu pensei, ‘Devem estar filmando algo’”, disse ela. “Eu não achei que estivesse realmente acontecendo.”

Diane nem se lembra de como chegou em casa naquele dia. No entanto, mesmo passados vinte anos, nunca se esquece de como enfrentou aquela noite. “Eu chorei muito e orei muito”, lembra. 

Diane Coxe obteve alívio ao contatar outros que estavam sofrendo assim como ela. Mãe de dois filhos, de Uniondale, Nova York, disse o seguinte sobre compartilhar palavras consoladoras da Bíblia: “Isso foi como um remédio para mim.”

Como Testemunha de Jeová, já participava de um ministério por vários anos. Mas esse ministério agora assumiu um aspeto novo, para ela e para muitos outros. “O que eu compartilhava com os meus vizinhos fortalecia minha própria esperança sobre o futuro e me ajudou a lidar com meus próprios sentimentos”, disse ela. 

Pesquisas psicológicas indicam que ajudar outros já está há muito tempo associado ao próprio bem-estar emocional. O livro “The Healing Power of Doing Good: The Health and Spiritual Benefits of Helping Others” (O Poder curativo de fazer o bem: Os benefícios na Saúde Física e Espiritual de Ajudar os Outros) descreve efeitos “poderosos”, mesmo para os que oferecem ajuda quando eles mesmos passaram por traumas. 

 

O voluntário Roy Klingsporn – Os muitos voluntários que ajudaram no Ponto Zero sabem o que é o trauma. Roy Klingsporn, de Brooklyn – hoje residindo em Fort Lauderdale, Flórida –, voluntário no Ponto Zero, conta que quase todos os dias, por dois meses, esteve no local. Ele lembra que em certa ocasião, se aproximou de um homem sentado em um carrinho de golfe perto do necrotério improvisado.  “Quando perguntei como ele estava, começou a chorar. Ele disse: ‘Estou cansado de ficar recolhendo pedaços de corpos humanos.” 

Relembrar os dias angustiantes que passou como um desses voluntários perto dos restos fumegantes das Torres Gêmeas ainda desperta sentimentos profundos em Robert Hendriks.

“Eu fiquei muito afetado e foi extremamente difícil para mim, mas os rostos das pessoas que passavam na rua diziam tudo,” disse Robert, agora porta-voz das Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos. “Elas precisavam de consolo e a melhor coisa que eu podia fazer por elas era lhes dar um abraço e ler um texto da Bíblia.” 

 

 

 

Memórias vívidas

O veterano Brown “Butch” Payne – Os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 abriram velhas feridas para Brown “Butch” Payne, trazendo de volta memórias vívidas do tempo de guerra que esse veterano do Vietnã havia tentado esquecer. 

Observando do seu apartamento no East Village, Butch viu uma multidão de pessoas frenéticas correndo para o norte da Baixa Manhattan. “Essa visão despertou muitas emoções em mim”, disse ele. “Isso me abalou profundamente.” 

Butch sentiu alívio ao prestar ajuda da melhor maneira que sabia. Ele disse: “Compartilhar a mensagem de esperança da Bíblia suavizou o golpe para mim.”  Servir como um ombro sobre o qual chorar também trouxe consolo para Roy. “Foi gratificante ajudar minha comunidade,” disse ele. 

Duas décadas mais tarde, Diane Coxe continua encontrando consolo ao ajudar outros — agora conversando com vizinhos estressados devido à pandemia, ao passo que lida com a morte de sua irmã em fevereiro. 

“O ministério sempre acalma o meu coração, independente do trauma com o qual tenho de lidar,” disse ela, embora agora o faça por meio de cartas e telefonemas, em vez de ir de porta em porta. Em março de 2020, as Testemunhas de Jeová interromperam sua pregação em pessoa, devido à pandemia. 

Brown “Butch” Payne pensa da mesma maneira. Em 2016, após 50 anos de casamento, ele perdeu sua amada esposa para o câncer. Nos dias em que sua dor é insuportável, Butch escreve cartas sinceras que levantam o ânimo de seus vizinhos — e o seu próprio também.

Ele compartilha textos da Bíblia e recursos que o ajudaram, como artigos sobre como lidar com traumas e perdas no jw.org, o site oficial das Testemunhas de Jeová. Ele disse: “Incentivar outros a pensar no futuro me ajuda a fazer o mesmo.”

 

Serviço

Site oficial – jw.org,