NÃO MATARÁS

NÃO MATARÁS

Mateus 5: 21-22; João Ferreira de Almeida – RC; Capítulo Segundo o Espiritismo CAP 9

Edição de outubro/2019 – p. 26

NÃO MATARÁS

“21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo; 22 Eu, porém, vos digo que qualquer, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juiz, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno”. (Mt 5: 21-22).

“OUVISTES QUE FOI DITO AOS ANTIGOS” – Jesus se reporta á Lei. É o quinto mandamento do Decálogo, recebido por Moisés, no Monte Sinai. Como a reencarnação é um fato, torna-se muito provável que, em mais de uma existência, tenhamos sido contados entre os antigos. Se ouvimos, nossa responsabilidade maior vem de longe.

“NÃO MATARÁS” – Futuro e individual. Por muito tempo nós matamos á medida, porém, que vamos nos conscientizando, sentimos que tal procedimento não é correto, até conseguirmos abandoná-lo definitivamente. E matar não é só eliminar a vida do semelhante. Há morte moral, como ignorá-lo, congelá-lo… Matar a disposição de acertar, o desejo de servir. Matar o entusiasmo, a alegria, a confiança. Matar o tempo.

“MAS QUALQUER QUE MATAR SERÁ RÉU DO JUÍZO” – Qualquer: não há distinção de pessoas. Dispomos de livre-arbítrio, para fazer ou não. Feito qualquer coisa, desencadeia-se a reação. Trata-se da lei de causa e efeito. Por isso, antes de concretizarmos qualquer coisa, devemos examinar se corresponde ao melhor para os outros, colocando-nos em seus lugares. Se for assim, devemos proceder.

Réu é o culpado de alguma coisa. O Juízo ou tribunal não é fora do homem, mas no íntimo, representado pela voz da consciência comprometida. Se, fazendo o bem, experimentamos uma sensação agradável, realmente o mal, a consciência nos incrimina. E nos incrimina proporcionalmente ao nosso conhecimento da referida Lei de Deus, ou seja, de acordo com a evolução de cada um.

“EU, PORÉM, VOS DIGO QUE” – A conjunção “porém” denota uma parada nas ideias anteriores, para substituí-las por pensamentos novos, endereçados aos que “têm ouvidos para ouvir”, isto é, compreensão. Uma norma pode ser muito boa durante um certo tempo, depois, por força da evolução, acabará naturalmente superada. O Velho Testamento é a revelação da justiça, o Novo Testamento, a revelação do Amor.

“QUALQUER QUE” – Sem acepção de pessoas. Desde que demonstrem condições de aprender. Sempre de caráter individual, porque, se as conquistas dependem do individuo, o mérito, o fracasso e a responsabilidade, também, pertencem a cada um. São intransferíveis.

“SEM MOTIVO” – Aqui está o problema: sem motivo; sem razão de ser. Quando há, mesmo assim, podem existir agravantes ou atenuantes, influindo nos resultados de nossa conduta. A partir deste trecho, o ensinamento apresenta três aspectos diferentes e progressivamente ampliados da mesma questão: o relacionamento com o semelhante.

Qualquer que, se motivo, se encolerizar contra seu irmão – será Réu do Juízo;

E Qualquer que disse a seu irmão: Raca – será Réu do Sinédrio;

E Qualquer que lhe disser: Louco – será Réu do Fogo do Inferno.

“SE ENCOLERIZAR CONTRA SEU IRMÃO (!)” – Não podemos esquecer a condição de irmãos uns dos outros e de filhos do mesmo Pai Celestial. Se o sentimento dessa irmandade prevalecesse, melhor seria a convivência entre as criaturas. Há muito a Terra teria deixado sua condição de mundo e provas e expiações. A propósito da cólera, transcrevemos o que Emmanuel escreve, no livro Fonte Viva, capítulo 86: “Como regenerar a saúde se perdes longas horas na posição de cólera ou do desanimo? A indignação rara quando justa e construtiva no interesse geral, é sempre um bem, se sabemos orientá-la em serviço de elevação, contudo, a indignação diária, a propósito de tudo, de todos e de nós mesmos, é um habito pernicioso, de consequências imprevisíveis.”

“E QUALQUER QUE DISSER A SEU IRMÃO: RACA SERÁ RÉU DO SINÉDRIO (2)” – Raca: injúria aramaica que quer dizer: Cabeça oca, vil, desprezível, tolo. No primeiro caso, a cólera foi íntima. Aqui, a atitude contra o irmão já se expressa por palavra… assim, além de réu do juízo, da consciência culpada, seremos réus do Sinédrio. É a desaprovação da nossa palavra injuriosa, por parte de encarnados e desencarnados.

Sinédrio – Antigo tribunal dos judeus, que existiu até o ano 70, por ocasião da destruição de Jerusalém. Julgava casos criminosos e administrativos. Era especialmente um tribunal de apelação. Tinha competência para aplicar a pena capital.

“E QUALQUER QUE LHE DISSER: LOUCO, SERÁ RÉU DO FOGO DO INFERNO (3)” – Louco: Destituído de razão. Tratar ou ter alguém como louco é lamentável. É promover-lhe a morte moral. É considerar um vivo como um morto, porque afastado da realidade. Se a pessoa está realmente desajustada, deve ser tratada como doente. Se é sã, porém, tida como louca. É outra coisa. Imaginemos a reação dela…

No caso, incidimos nos três casos:

  • RÉUS DE JUÍZO – Consciência culpada;
  • RÉUS DE SINÉDRIO – desaprovação de encarnados e desencarnados que porventura passarem a conhecer o caso;
  • RÉUS DO FOGO DO INFERNO – expiação sob a Lei de Causa e Efeito. E, o fogo purificador persistirá enquanto houver combustível, isto é, falta a remir, a resgatar. Inferno no íntimo (consciência comprometida) e no corpo, em decorrência de enfermidades.

Como, então, vemos que ninguém pode nos prejudicar – somente nós mesmos. A ideia de inferno eterno decorre do fato de o tempo ser psicológico. Horas alegres passam depressa e as horas tristes demoram passar. Devemos, também, considerar que onde se reúnem espíritos que trazem o inferno no coração, o local se transforma em verdadeiro inferno, com a manifestação, a exteriorização do que se passa no âmago de cada um.