Por dentro do Studio 94 US

Por dentro do Studio 94 US

Edição de março/2018 – p. 42

Gravação, pós-produção, mixagem e masterização. Orlando oferece a cada dia mais e mais possibilidades para atender as necessidades de produtores musicais e músicos que procuram por estúdios com equipamentos e recursos humanos competentes. Localizado em Windermere, Flórida, o Studio 94 US – que inicialmente operava no Rio de Janeiro – abriu as portas em Orlando no ano de 2016. De lá para cá, os trabalhos não pararam. Confira a seguir entrevista com um dos sócios do Studio 94 US.

Nossa Gente – Quantos profissionais estão envolvidos e quais as suas funções?

RT- Nosso estúdio opera de forma dinâmica, tendo a frente um dos sócios Gui Tettamanti. Ele é responsável tecnicamente pelo estúdio, bem como por realizar os trabalhos de mixagem.

Dependendo da necessidade, trabalhamos em parceria com profissionais conceituados do mercado, como produtores musicais especializados, locutores, músicos, técnicos especialistas em algumas ferramentas de edição e finalização, masterizadores e até gerentes de carreira.

NG – Como surgiu a ideia de montar um estúdio em Orlando?

RT – Antes de virmos para Orlando, precisamos fazer um breve histórico de como tudo começou. O Studio 94 já existia no Brasil, precisamente no Rio de Janeiro, desde Fevereiro de 2005. Portanto, há treze anos, o fundador e idealizador Gui Tettamanti iniciou as atividades de gravação e mixagem em um estúdio montado literalmente na garagem da casa da mãe dele. Naquele local o Studio 94 funcionou por cerca de sete anos e, em função do crescimento substancial de trabalho, mudou sua sede para um novo e moderno espaço na Barra, criado e idealizado por Renato Cipriano (famoso projetista de estúdio mundialmente conhecido, que trabalha para a WSDG – Walter Storyk Design Group).

No ano de 2014, Gui sentiu a necessidade de buscar novos horizontes para ele e sua família, e escolheu Orlando para imigrar e trazer consigo o estúdio e sua paixão pela música.

NG – Quais os trabalhos realizados pelo estúdio?

RT – Foram vários, mas destacaríamos aqui três de grande importância, como: “Os Paralamas do Sucesso – Brasil Afora”, 2011, com gravação e mixagem do CD e DVD; “Aline Barros – Graça”, 2014, com gravação de voz (este trabalho foi vencedor de um Latin Grammy); “Paula Fernandes – Um Ser Amor”, 2014, com mixagem do CD e DVD, que atingiu a marca de Disco de Platina.

NG – O estúdio oferece serviços de gravação, pós-produção, mixagem e masterização?

RT – O Studio 94 US está capacitado atualmente para oferecer os serviços de mixagem no próprio ambiente do estúdio, bem como via e-Mixing (à distancia).

NG – É importante que também ofereçam os serviços de e-Mixing. Como ele é realizado?

RT – Oferecemos o serviço de e-Mixing de forma bastante personalizada. Prezamos pelo contato direto com o cliente, de modo a entendermos o seu perfil e dessa forma atingirmos mais rapidamente seu objetivo. O sucesso de nosso cliente passa a ser também o nosso sucesso.

NG – Esse tipo de serviço vem sendo solicitado?

RT – Sim, atendemos clientes do mundo todo! Tem sido extremamente gratificante a experiência de conhecer trabalhos vindos de culturas diversas.

NG – Quais os equipamentos disponíveis no estúdio?

RT – Utilizamos uma console da marca SSL Solid State Logic SuperAnalogue, modelo AWS 948. Nossa monitoração de áudio conta com um par de Genelec 1032, um par de Adam Audio A7X e um par de Avantone Mix Cube. Nossa workstation de edição de áudio é Avid, modelo Pro Tools HDx, incluídos diversos plugins das marcas Waves e Universal Audio dentre outros. Tudo isso é processado em um Apple Mac Pro de ultima geração, turbinado. Utilizamos conversores de áudio de altíssima qualidade, também da SSL, modelo Alpha Channel MADI AX e Delta Link MADI-HD. Possuímos vários microfones vintage, lendários, da marca Neumann, como (02) U47, (01) 149, (02) KM86i, (02) KM88i, (02) 249, (02) KM184, (03) U67 e (01) U47Fet. Temos também microfones da marca Telefunken, como o ELA M251 e ELA M250, bem como microfones das marcas AKG, Solid Tube e Sony (especificamente o modelo C800G). Temos também alguns outboards dinâmicos, como o Warm Audio WA76, Kush Audio UBK FatSo e SSL XRack dentre outros.

NG – O estúdio conta com projeto acústico?

RT – Neste primeiro momento optamos por alguns painéis acústicos e difusores, todos com as especificações técnicas determinadas pela empresa GIK Acoustics e baseado em um estudo realizado em nossa sala. Temos o objetivo de expansão, com um projeto ainda mais ousado que já foi canetado e aguarda o momento certo pra ser executado.

NG – Gravadores analógicos, como os clássicos de 2 polegadas, também são utilizados nas gravações?

RT – Possuímos uma máquina analógica Otari que utiliza fita de rolo de 2” e que acabou de chegar do Brasil. Estamos pretendendo primeiro realizar uma revisão técnica, para colocá-la a todo vapor. Esse gravador será utilizado para gravação de voz, uma vez que ainda não gravamos instrumentos.

NG – Quais clientes do cenário musical contrataram os serviços do estúdio, seja para gravação, mixagem ou masterização?

RT – Mais recentemente fizemos o mix da música “Na Rebolada”, do artista Latino, lançada no verão brasileiro e mercado latino-americano, e também mixamos o mais novo trabalho do artista Buchecha. No momento estamos envolvidos com a produção do novo trabalho de uma nova artista chamada Emilia Pedersen.

CENARIO ATUAL

NG – O estúdio atende basicamente clientes do mercado musical ou também o mercado de cinema, rádio e TV?

RT – Atendemos principalmente ao mercado de produção musical. Na maioria são compositores, músicos e produtores musicais. Uma rádio sediada em Boston e voltada à comunidade brasileira tem um programa de entrevistas, que é gravado e gerado a partir do nosso estúdio. Anexo a nossa sede, existe um núcleo de produção de conteúdo, marketing e propaganda, que oferece serviços de locução, produção de publicidade para TV, spots para rádio e afins.

NG – O estúdio oferece o serviço de  gravação de DVD?

RT – Sim, temos um set de gravação móvel de áudio que nos permite ir até o evento e fazer o registro com qualidade profissional, para em seguida mixarmos e finalizá-lo. Também é possível fazermos transmissão ao vivo.

NG – Com o passar dos anos muitos estúdios fecharam as portas, resultado da crise fonográfica e da multiplicação de (bons) home studios. O estúdio tem finalizando projetos iniciados em home studios?

RT – Com a evolução da tecnologia, bons equipamentos e ferramentas de produção de áudio em geral se tornaram mais fáceis e acessíveis. No entanto, o grande diferencial está na qualidade do recurso humano. Somente um bom técnico é capaz de extrair tudo que um equipamento oferece, interpretando e traduzindo uma ideia em verdadeira arte. Sem ele, nada feito. Recebemos com frequência trabalhos e ideias que nasceram em um home studio e que transformamos em algo grandioso.