A volta dos discos de vinil. Você está pronto?

A volta dos discos de vinil. Você está pronto?

Foto destaque: Michel Nath, proprietário da Vinil Brasil, participa de todas as etapas do processo de produção. Foto: divulgação

Edição de setembro/2019 – p. 42

A volta dos discos de vinil. Você está pronto?

Os discos de vinil voltaram a frequentar as prateleiras das lojas com força total. Reggae, rock, metal, pop ou jazz, são centenas de discos clássicos relançados dos mais diversos gêneros musicais. Paralelamente aos relançamentos de discos clássicos, muitos artistas vem incluindo o disco de vinil com mais um formato a ser utilizado para comercialização de música – o que não significa em hipótese alguma que Spotify, Apple Music, Deezer e demais plataformas que comercializam música via streaming estejam com seus dias contados. Muito pelo contrário. As mídias unem as forças e quem ganha é o artista e a comercialização da música.

Nos Estados Unidos – o primeiro mercado de música no mundo –, as fábricas de discos de vinil oferecem tiragens a partir de 200 cópias por menos de dois mil dólares, e talvez esse seja mais um dos motivos para o aumento significativo das vendas. Segundo a BussAngle Music, empresa que publica periodicamente relatórios referentes a indústria da música, foram comercializados 9,7 milhões de discos apenas no ano de 2018, o que significa um aumento de 12%, se comparado ao ano de 2017. O mercado norte-americano continua bastante otimista, prevendo novo recorde de vendas do vinil no ano de 2019, uma vez que muitos artistas preparam novos produtos para serem lançados no formato vinil até o final do ano.

Vinil no Brasil

Se nos Estados Unidos o vinil tem sinal verde para as vendas, no Brasil a situação também é bastante positiva, onde ‘bolachões’ são bastante cobiçados. Tendo em vista o crescente mercado de vinil, antigos maquinários foram resgatados e reformados, e assim a fabricação do vinil continua ganhando força e conquistando espaço na indústria da música. Michel Nath, músico e DJ, é o proprietário da Vinil Brasil, responsável por fabricar mais de 160 títulos de diferentes gêneros musicais. Michel passou a fabricar os discos de vinil a partir do momento que adquiriu e reformou o antigo maquinário utilizado pela gravadora Continental, achado em um ferro-velho. A partir do momento que as prensas foram reformadas, a Vinil Brasil não parou mais de fabricar discos no galpão de pouco mais de 200m2 situado na Barra Funda, em São Paulo. Segundo a Vinil Brasil, os próximos passos da empresa serão a abertura de uma loja e a criação de um selo para os artistas que apreciam os ‘bolachões’.

Dividindo com a Vinil Brasil o mercado brasileiro de discos de vinil, a carioca Polysom produz LPs de 140 e 180 gramas, e tem capacidade de produzir mensalmente 28 mil LPs e 14 mil compactos. Localizada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, a Polysom é propriedade da gravadora Deckdisc, que adquiriu o maquinário da antiga gravadora Polysom. Além dos artistas da gravadora Deckdisc, a Polysom presta serviços para a Universal Music, Sony Music e Som Livre.

Um pouco de história

O primeiro passo para a gravação e reprodução de sons começava em 1877, quando Thomas Edison inventou o fonógrafo. Anos depois, em 1880, Alexandre Graham Bell sugeriu a substituição dos cilindros do fonógrafo por discos planos, como os discos de vinil que conhecemos hoje. Já em 1888, Emil Berliner inventou o gramofone, que a partir de um disco giratório recoberto por zinco, permitia gravar música de forma mecânica. A incrível invenção de Berliner também permitia produzir cópias do disco gravado, em borracha, a partir de uma matriz de zinco, dispensando assim a necessidade de cantores gravarem disco por disco, como vinha sendo feito até então.

Em 1925 surgiu a gravação elétrica, superando a qualidade da gravação mecânica, quando alguns discos começaram a ser comercializados em pequena escala. Em 1933, a inglesa Electric & Musical Industries – mais tarde EMI – inventou as gravações estereofônicas, gravando alguns discos em 78 rotações por minuto.

Em Setembro de 1931 a RCA Victor lançou o que inicialmente foi conhecido como “Program Transcription”, mas é somente em Agosto de 1948, de acordo com os registros da Columbia Records, que o primeiro long-playing, long-play, LP ou simplesmente disco de vinil, passou a existir como produto de consumo.

A música gravada eletronicamente, estéreo, de boa qualidade, passou a ser comercializada em larga escala. Em pouquíssimo tempo o vinil, com diferentes medidas e rotações, disputava nas prateleiras a atenção dos consumidores, e como nunca visto antes, a música passou a também ser ouvida em casa! Medindo 12 polegadas e pesando entre 140 e 180 gramas, o vinil nasceu e causou furor, invadindo as programações de rádio, revelando novos artistas e indiscutivelmente alavancando milhões de dólares para a novíssima indústria fonográfica.

No cenário do mundo pós-guerra, atolado em crises de todas as espécies, as gravadoras multiplicaram seus investimentos, apostando todas as fichas no mágico disco negro de vinil. Os mercados norte-americano e europeu apostaram fortemente no vinil, e as gravadoras engordaram rapidamente suas contas bancárias. No crescente mercado para o vinil, músicas de todos os gêneros se revezavam nas prateleiras, e Beethoven, Frank Sinatra, Miles Davis, Elton John, Led Zeppelin, Michael Jackson e Madona, dadas as proporções, foram alguns dos responsáveis por um mercado musical efervescente em suas respectivas épocas.

Serviços

Fabricação nos Estados Unidos:

discmakers.com

urpressing.com

furnacemfg.com

Fabricação no Brasil:

vinilbrasil.com.br

polysom.com.br