Entrevistando Matheus Duarte

Entrevistando Matheus Duarte

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DEZ/15 – pág. 62 e 63

Residente em Orlando, Matheus Duarte prepara novos trabalhos

Nascido em Ampére, no Paraná, Matheus Duarte aprendeu, ainda criança, a tocar alguns instrumentos musicais e, dentre eles, a viola caipira de dez cordas tornou-se o predileto. Não levou muito tempo para também se interessar pelo canto e, então, passou a ocupar a posição de vocalista de bandas enquanto cursava o segundo grau.

O interesse pela música sertaneja levou-o a trabalhar profissionalmente com música, formando com Eric a dupla Eric & Matheus. Em pouco tempo, eles conquistaram a mídia especializada, fãs e índices surpreendentes nas redes sociais. Para uma agenda completamente lotada, foi apenas questão de tempo. Passados sete anos, com seis CDs e um DVD lançado, a dupla encerrou atividades, mas não sem antes contratar novos músicos para seguirem com a dupla Eric & Matheus. Confira entrevista exclusiva de Matheus Duarte para o Nossa Gente.

Nossa Gente – Qual a sua formação musical?

Matheus Duarte – Comecei a tocar violão, como autodidata, aos oito anos. Aos nove, já cantava em rádios da região sul do Brasil, em Santa Catarina. Aos onze anos, interessei-me pelo som da viola caipira com dez cordas e, então, ensinei os primeiros acordes ao meu irmão, na época com treze anos. Formamos a dupla Irmãos Duarte, batizada pelo meu pai devido ao nosso sobrenome.

NG – E o interesse por outros instrumentos?

MD – Aos quinze anos, já morando na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, mais precisamente na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, passei a estudar piano clássico e, assim, pude expandir meus conhecimentos musicais. O contato com várias culturas diferentes, como a guarânia paraguaia, o tango argentino e a música boliviana, dentre outros estilos musicais, colaborou muito para a minha formação musical.

NG – Chegou a cursar escolas de música?

MD – Cheguei a me matricular e passar nos testes para a Universidade de Belas Artes de Curitiba, mas tive que trancar o curso, porque precisava tocar na noite para sobreviver. Sendo assim, fui para a escola da vida, tocando na noite e participando inclusive de muitos festivais. Na época, meu instrumento principal era o teclado.

NG – No Brasil, seu trabalho tornou-se conhecido com a dupla Eric & Matheus. Depois de sete anos, a dupla acabou?

MD – Sim, fiz parte da dupla Eric & Matheus por sete anos. A dupla não acabou. Mudaram os integrantes, porque a dupla acabou virando uma empresa, com estrutura, cenário de show, equipamentos, ônibus e agenciamento de outros artistas para festas. Continuo como sócio, porém só produzo as músicas daqui dos Estados Unidos para os novos integrantes.

NG – Quantos CDs e DVDs foram lançados e como você resume a carreira da dupla?

MD – Gravamos seis CDs e um DVD. Lançamos vários hits, como ‘Alo To Num Bar’, ‘Me Liga’, e a música ‘Pó Pega’, que foi o carro chefe da nossa carreira, rendendo convite para fazermos um evento aqui, na Flórida, em Pompano Beach, chamado Brazilian Celebration, pela Rede Record Internacional. A dupla obteve mais de trinta milhões de acessos nas redes sociais, mas assim mesmo chegou o momento em que nossa afinidade não era mais a mesma que tínhamos no início do projeto e, então abrimos mão da função que ocupávamos na empresa como artistas. Como já havia produzido todos os CDs e DVDs, dos arranjos até a execução de vários instrumentos, passei a atuar apenas como produtor musical, sem necessariamente atuar no palco. Foi o momento de me reciclar profissionalmente, quando percebi que deveria parar de cantar para poder sentir o que meu coração dizia e qual caminho deveria seguir.

NG – Viver nos Estados Unidos também significa um novo direcionamento artístico ou pretende seguir o trabalho com dupla sertaneja?

MD – A vinda para os EUA foi uma mudança repentina em minha vida. Decidi a mudança junto com a minha família em aproximadamente 90 dias. Cheguei aqui, em Orlando, este ano, no mês de março, sem a menor intenção de retomar minha carreira como artista. O único instrumento que trouxe comigo foi um violão. Não veio viola caipira, e nem mesmo o cavaquinho, a sanfona, o sax alto e nem o piano. Chegando aqui, as minhas férias duraram no máximo trinta dias. Aqui existe respeito à arte, bem como reconhecimento ao instrumentista. Isso me surpreendeu, porque o Brasil tem deixado muito de lado a qualidade de sua cultura para dar espaço a uma música com segundos de um refrão. Isso empobrece, porque dispensa o conteúdo e destaca apenas duas frases do refrão. Já, aqui, eu me senti mais à vontade, talvez por ser tudo novo e eu não ter a obrigação de seguir uma tendência de mercado.

NOVO CD

NG – O CD Modão Sertanejo é seu novo trabalho e que marca o início de carreira solo. Como foi a experiência em produzir o primeiro trabalho solo?

MD – O CD Modão Sertanejo é resultado do interesse das pessoas que foram aos meus shows e pediram para eu cantar músicas antigas. As pessoas que moram aqui há muitos anos sentem muitas saudades do Brasil, e eu percebi que essas músicas mexiam muito com a emoção delas. Dessa forma, me propus a realizar um show no qual eu só cantaria as músicas mais antigas, de duplas consagradas no Brasil, como Zezé di Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Xororó dentre outras. Quando marquei a data do show, pensei também em registrar em CD, e foi então que sentei ao piano e, em uma tarde, fiz todas as guias e arranjos de 12 músicas. Não pensei em nada além de registrar o que eu estava sentindo na forma de executar.

NG – Por ser multi-instrumentista, quais instrumentos tocou durante as gravações?

MD – Tudo o que está gravado, todos os instrumentos foram gravados por mim, num estúdio improvisado em minha casa, que virou uma bagunça. Bateria, baixo, violões, viola, sanfona e teclados foram gravados, e a edição também fui eu quem fez. Em seguida, enviei para o Brasil, para o estúdio que mantenho em parceria, para ser finalizado. Mesmo morando aqui, continuo produzindo arranjos e mandando para serem gravados no Brasil, nesse mesmo estúdio, pois meus clientes são, na maioria, cantores sertanejos, além do mercado gospel, no qual também atuo.

NG – Todo o repertório foi gravado em português?

MD – Sim, mas tenho um sonho muito antigo de um dia gravar um CD de country music, cantando em inglês.

NG – Quais os aspectos positivos e negativos em seguir como artista solo?

MD – Para quem sempre cantou em dupla, o início é um pouco estranho, por não ter com quem dividir o palco. No entanto, o trabalho solo fica mais autêntico e totalmente com a minha cara. Isso tem sido bom e novo, e estou curtindo.

ESTADOS UNIDOS

NG – Você divide sua residência entre Brasil e Estados Unidos?

MD – Sim, mantenho residência no Brasil e aqui em Orlando.

NG – Porque se mudou para os Estados Unidos e optou por viver em Orlando?

MD – Eu mudei para os Estados Unidos porque queria respirar outros ares, outra cultura. Eu não estava mais tendo a alegria que sempre tive em produzir e cantar. Então, vim para cá abrir uma empresa em outra área, fora do segmento musical, voltada para tecnologia de painéis de LED. Optei por Orlando, porque minha esposa já havia morado aqui por sete anos antes de nos casarmos, e então foi mais familiar para ela voltar a morar aqui.

NG – Na abertura do show da Blitz, você se apresentou tocando um repertório bastante eclético. A possibilidade de trabalhar com mais de um gênero musical ou até mudar os rumos de sua carreira para se adaptar ao mercado musical norte-americano também está em seus planos?

MD – Eu sempre fui amante de música boa, independente do gênero. Quando fui abrir o show da Blitz, fiz só de violão e voz, mesmo porque o formato do show não permitia que eu me apresentasse com uma banda. O show principal era deles, e quando subi ao palco e vi aquele público, com a nostalgia dos anos 80 estampada no rosto, foi automático. Comecei a cantar desde Fábio JR, Alcione e Tim Maia. Diverti-me muito naquela noite e é por isso que não curto rótulos. Gosto de decidir o repertório olhando para o público, sentindo o que eles sentem e isso é maravilhoso.

NG – Seu repertório será apresentado apenas com voz e violão ou acompanhado por uma banda?

MD – Boa parte dos próximos shows será com banda. Quando um projeto nasce, junto com ele nasce também a necessidade de ampliar tudo, inclusive o volume de equipamentos, que já estão sendo adquiridos para proporcionar shows maiores e mais elaborados.

NG – Qual a sua rotina de trabalho?

MD – Divido minhas atividades entre as produções que faço e envio para o Brasil, que são geralmente durante a semana. Já nos finais de semana, fico livre pra apresentações, uma vez que o CD Modão Sertanejo será apresentado em várias cidades da Flórida, como Tampa, Sarasota, Fort Mayers, Jacksonville, Palm Coast, Pompano Beach. Essas são algumas das cidades já confirmadas para lançar esse trabalho.


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Músico, produtor musical e bacharel em Publicidade e Propaganda, membro do Latin Grammy. Autor do Manual Prático de Produção Musical.