Sofrimento e Evolução

Sofrimento e Evolução

“Não são os que gozam de saúde que precisam de médico” (Mateus, 9:12)

Edição de setembro/2018 – p. 26

Sofrimento e Evolução

Não fossem as dificuldades e os obstáculos, por certo nosso caminhar evolutivo seria mais lento. O Espiritismo nos ensina que a dor é lição, recurso educativo que a providência divina utiliza em favor do nosso aperfeiçoamento espiritual. No Evangelho Segundo o Espiritismo há um texto de Lacordaire, intitulado “bem e mal sofrer”, que integra o cap. 5º do referido livro – “Bem-aventurados os Aflitos”. Afirma o instrutor espiritual: “Todos sofrem; poucos sofrem bem. Poucos compreendem que as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus”. Significa que não basta sofrer. É necessário saber sofrer, para aproveitar a lição. Quando nos queixamos, achando que a nossa dificuldade é maior do que a dos outros; quando nos revoltamos, achando que a justiça divina é falha, criamos dores desnecessárias ao processo evolutivo. Com outras palavras, complicamos a situação e permanecemos nas dificuldades até nos corrigirmos. Como o garoto que não queria tomar banho. Depois de insistir sem resultados, sua mãe lhe aplica o banho compulsoriamente. O menino faz birra, bate com as mãos e os pés e acaba levando água com sabão aos olhos. Consequência: sofre uma dor desnecessária que seria evitada se não tivesse feito a birra. O ser humano também faz suas birras, cultivando animosidades, ódio, desejo de vingança, tentando prejudicar seus desafetos. Assim, cria dores desnecessárias à sua evolução.

Na página citada de início, o instrutor afirma: A falta de coragem é um erro. A prece é um sustentáculo para a alma, mas é preciso que esteja apoiada na fé. Portanto, não podemos desanimar, permitir a falta de coragem. E não basta a oração rotineira, mecânica, sem reflexão. Necessário pensar, refletir: Por que está acontecendo isto comigo? Qual o ensinamento que tal situação está me trazendo? Onde mudar, para lidar melhor com a dificuldade? Confiar em Deus e em nós, empenhando-nos em fazer a nossa parte e por certo a misericórdia divina virá em nosso auxílio, suprindo nossas deficiências. O fardo é proporcional às forças, afirma Lacordaire. Se a tarefa for realizada corretamente, a recompensa virá, assim como o trabalhador recebe o salário após prestado o serviço. O trabalhador necessita de fregueses. Seja uma oficina de consertos, de prestação de serviços, ou de produção de objetos de utilidade, o seu ganho virá da confiança que os fregueses depositarem em sua capacidade. Assim também quando Deus nos envia à luta, “que são as amarguras da vida”. Devemos receber o fato como a confiança que o Pai Celestial está depositando em nós. Tais amarguras, diz o Espírito instrutor, “às vezes requerem mais coragem do que a luta na Guerra”. E conclui: “quando chegardes a dominar os ímpetos da impaciência, da cólera ou do desespero, dizei-vos com justa satisfação: Eu fui o mais forte”. Vale dizer: Nossos adversários estão em nós mesmos: a cólera , o desespero, o orgulho e tantas outras inferioridades que nos levam a situações de desconforto, de sofrimento. Quando vencemos nossos inimigos íntimos, somos vencedores de nós mesmos, verdadeiros vencedores.

Somos todos Espíritos doentes. A imperfeição espiritual é doença da alma. Em nossa vida cotidiana estamos lidando, quase sempre, com almas mais ou menos enfermas. Familiares problemas, companheiros complicados, subalternos ineficientes, chefes opressores, são Espíritos em evolução que, assim como nós, estão buscando a cura para suas enfermidades. O que interpretamos por má vontade, preguiça, rebeldia e indiferença são quadros patológicos exigindo tratamento. Ao mesmo tempo nos oferecem oportunidades para desenvolver em nós os valores da compreensão, da tolerância, do perdão, do auxílio, assim como também necessitamos de tudo isso, ou seja, de tolerância, de perdão, de ajuda. Jesus é o médico competente que nos deixou a indicação dos remédios para essas enfermidades, cujas receitas estão no seu evangelho. Só falta, pois, tomar os medicamentos, ou seja, aplicar os ensinos em nossas vidas, e certamente a cura acontecerá.