Responsabilidade individual

Responsabilidade individual

“Pilatos perguntou a Jesus: Donde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Então Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e para te crucificar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso quem me entregou a ti, maior pecado tem.” João 19: 9-11

Edição de agosto/2018 – p. 32

Responsabilidade individual

Pilatos se julgava com muita autoridade. Achava que tinha poder de vida e morte sobre Jesus. “Posso te soltar, ou te mandar crucificar”. E Jesus serenamente diz a Pilatos: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada. Quem me entregou a ti maior pecado tem”.

O Mestre esclarece que Pilatos é simples instrumento das circunstâncias. Pilatos com suas ambições políticas, e de poder, querendo ficar ao lado dos poderosos da Terra, embora sabendo que Jesus não era culpado dos crimes que lhe eram imputados, por covardia, lava as mãos, assumindo a responsabilidade de instrumento do mal. Poderia, se quisesse, ser instrumento do bem, não compactuando com aqueles que queriam destruir o Mestre.

Somos os artífices dos nossos destinos. Aprofundando a compreensão sobre os ensinos de Jesus, o Espiritismo nos esclarece que, efetivamente, colhemos o que plantamos. A causa do que ocorre conosco está em nós mesmos. Pode estar no passado mais recente, ou mais remoto, mas está sempre no próprio protagonista do fato. O capítulo 5.°, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” esclarece bem a questão.

Teoricamente, aceitamos o ensinamento, porém, na prática, evidenciamos sérias dificuldades em trazer o ensino para a vida diária. Divaldo Franco, médium e expositor espírita experiente, que ouve muitas pessoas que o procuram para falar de suas dificuldades, conta que muitas delas, após relatar seus dramas, costumam dizer: “— Por que Deus fez isto comigo?” Como se fossem inocentes, ou não tivessem necessidade de enfrentar desafios para realizar a finalidade da vida, que é a evolução espiritual.

O fato é que, na maioria das vezes, achamos que a causa do sofrimento está nas outras pessoas. Seja na família, no ambiente de trabalho, nos vizinhos, enfim ainda não deixamos o hábito de nos considerarmos vítimas. Achamos que os erros dos outros são os causadores dos nossos sofrimentos. Ainda não percebemos que os outros são simples instrumentos das lições de que necessitamos.

Se a causa do nosso sofrimento estivesse em terceiros, e nós não tivéssemos que passar por tal experiência, os diretores desta escola, que é a Terra, estariam dando aulas a pessoas erradas, o que seria um absurdo.

A dor, a dificuldade, pode não ser expiação (pagamento de dívida) mas, se bem aproveitada, sempre é motivo de aperfeiçoamento espiritual para quem sabe aproveitar a lição. O outro é instrumento da lei e também é responsável pelos seus atos. Se instrumento do mal, sofrerá as consequências. Se instrumento do bem usufruirá o resultado feliz de suas ações. Se a causa está em nós não há motivo para ficarmos tão aborrecidos com o outro. Ele não teria poder sobre nós se “de cima” não lhe fosse dado.