Para levantar as expectativas

Para levantar as expectativas

Aos 36 anos e com uma trajetória vitoriosa em clubes, o levantador William Arjona comemora a chance de disputar as Olimpíadas pela primeira vez

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Levantador William Arjona, da seleção brasileira de vôlei masculino - Foto: Divulgação/CBV
Levantador William Arjona, da seleção brasileira de vôlei masculino – Foto: Divulgação/CBV

O time de vôlei Sada Cruzeiro, de Belo Horizonte, foi criado há dez anos. Mas, esse ano teve muito mais a comemorar que simplesmente uma década de existência. Na temporada 2015/16, conquistou todos os títulos que disputou. Foram seis torneios desde junho de 2015, e em todos a equipe ocupou o lugar mais alto do pódio. Além da Superliga, conquistada em abril desse ano, o Sada Cruzeiro comemora o hexacampeonato mineiro, o bicampeonato da Copa Brasil, o tricampeonato Sul-Americano, a Supercopa e o bicampeonato Mundial. “O clube nos dá uma das melhores estruturas do mundo para trabalhar e desempenhar o melhor voleibol”, explica o capitão e levantador William Arjona, que defende o Sada Cruzeiro desde 2010.

Aos 36 anos, o jogador paulistano de 1,85 m foi eleito o melhor levantador das seis últimas edições da Superliga masculina de vôlei. Mas tal performance não garante sua vaga na seleção brasileira e William treina como se fosse um novato para se manter entre os 12 jogadores que representarão o Brasil nos Jogos Rio 2016. “Para mim é um orgulho enorme estar na seleção”, admite o levantador, que é conhecido como “El Mago”. “O apelido surgiu na Argentina. Alguns torcedores gostavam da maneira como eu jogava e pediam para eu ‘tirar alguma jogada diferente da lâmpada’”, diverte-se.

Jogos Cariocas – Como o vôlei surgiu na sua vida?

William Arjona – Meu primeiro contato foi através dos meus pais e da minha escola. Pratico o vôlei desde os nove anos. À medida em que o tempo foi passando, percebi que meus objetivos estavam sendo alcançados e que poderia ter um bom futuro no esporte.

Jogos Cariocas – Como o esporte influiu no seu jeito de ser?

William Arjona – O vôlei foi me moldando ao longo do tempo, como todo esporte. Acredito que a responsabilidade e o comprometimento são características que fazem parte da minha personalidade.

Jogos Cariocas – O que mais o atrai no vôlei? Há algo que não gosta no esporte?

William Arjona – Adoro jogar vôlei. Na verdade, eu acho tudo muito legal. Talvez o lado chato seja a quantidade de viagens que me deixam longe da minha família.

Jogos Cariocas – Quais são seus pontos fortes? E quais fundamentos precisa aprimorar?

William Arjona – Acredito que meus pontos fortes sejam a habilidade, a liderança e a regularidade. Mas eu penso que preciso melhorar em todos os fundamentos. É uma busca interminável da perfeição.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina de treinos?

William Arjona – Treino em Belo Horizonte, no Sada Cruzeiro. São praticamente nove treinos por semana, em dois períodos. Nas horas em que não estou em quadra, estou com meus filhos ou estudando.

Jogos Cariocas – Qual foi seu momento mais emocionante, dentro do esporte?

William Arjona – Tive vários momentos emocionantes. Mas vou citar os mais recentes, que foram o bicampeonato no Mundial de Clubes e a final da Superliga desse ano.

Jogos Cariocas – Há 20 anos, sua carreira é marcada por grandes atuações, títulos e premiações individuais, em clubes no Brasil e na Argentina. Por que nunca esteve nas Olimpíadas?

William Arjona – Sempre acreditei que fazendo meu trabalho honestamente, a minha hora iria chegar. E chegou. Muitos jogadores da minha posição, que se tornaram referência, deixaram pouco espaço também. Mas a paciência perseverou. Estar na seleção brasileira é um objetivo traçado há muito tempo e procuro desfrutar ao máximo todos os momentos.

Jogos Cariocas – Quais são suas expectativas para os Jogos Rio 2016?

William Arjona – São as melhores possíveis. Estamos em um bloco de seis equipes que tem totais condições de serem campeãs olímpicas.

Jogos Cariocas – Depois do ouro nos Jogos de Atenas, em 2004, nas duas últimas Olimpíadas, o Brasil acabou derrotado na final e voltou com a medalha de prata. Nas Olimpíadas de 2016, o fato de estar “em casa”, jogando no Maracanãzinho, pode representar uma vantagem decisiva para o vôlei brasileiro?

William Arjona – O objetivo é que seja realmente uma vantagem jogar em casa e contar com o apoio intensivo dos torcedores. É muito rara para um atleta a oportunidade de disputar as Olimpíadas no próprio país. Por isso precisamos transformar essa pressão da torcida local em vantagem competitiva.

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