Uma nova visão do Universo

Uma nova visão do Universo

“A Casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos Espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento.” (Allan Kardec, “Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. 3)

Edição de janeiro/2018 – pág. 26

Uma nova visão do Universo

A ideia dos múltiplos mundos habitados e da alma que pode migrar pelo cosmos constitui importante contribuição à história do pensamento. Kepler, astrônomo, escreveu um livro intitulado “Harmonia dos Mundos”, no qual consta a ideia da humanidade em outros planetas. Entretanto, essa ideia ainda pertence ao plano das hipóteses, da ficção científica, trabalhada com criatividade no cinema. Mesmo assim, vai fazendo parte das mentalidades de hoje. É difícil imaginar, atualmente, um universo vazio, sem sentido, sem vida.

A tese da pluralidade dos mundos habitados dilata nossa compreensão de Deus, que perde o caráter antropomórfico, para se tornar um Ser infinito, criador permanente dos mundos e galáxias. Neste cosmo infinito tudo está regido por leis sábias e justas, perfeitas como perfeito é o seu Autor, onde tudo evolui. Não há mais lugar para a queda de Adão, nem para a queda dos anjos. Nessa criação divina tudo caminha para a frente e para o alto, sem qualquer traço de retrocesso.

  • A ideia espírita é essencialmente otimista porque vê em tudo o progresso, a aprendizagem, o processo natural de ascensão das almas. Como consequência temos:
  • A dor é própria do parto da evolução. Não é castigo, nem consequência da rebelião dos homens e dos anjos. É lição, recurso educativo, em favor do Espírito em evolução;
  • O mal não é tragédia irreversível, mas experimentação, desvio momentâneo. Resulta do desconhecimento das leis divinas e, em conseqüência, de sua transgressão;
  • Deus cria a todos em igualdade de condições, com o mesmo potencial a ser desenvolvido pelo trabalho e esforço de cada um, usando seu livre-arbítrio. Todos estão subordinados às mesmas leis, e destinados ao mesmo fim, que é a perfeição relativa;
  • A vida ganha um novo sentido porque não somos apenas almas que teremos vida eterna. Seremos perfeitos, ativos, poderemos nos expandir como filhos e herdeiros do Criador;
  • Não somos seres caídos, marcados pelo pecado, dependentes de graças, intervenções e intermediações para uma possibilidade remota de salvação. Somos seres em processo de maturação. O Pai nos cumulou com possibilidades infinitas e nos espera até que aceitemos, voluntariamente, a herança que nos deixou;
  • O Espiritismo eleva o homem. Abre-se para o infinito, amplia o conceito de vida e evolução.

Quando compreendemos a Doutrina Espírita em sua amplitude, e não só determinados aspectos, e quando nos empenhamos em vivenciar seus ensinos, passamos a desfrutar de serenidade diante da vida e da morte. Aprofundamos nossa compreensão sobre os fatos da existência, e desfrutamos de maior segurança íntima. Não há mais lugar para o tédio e a estagnação. Nem razão para desespero ou suicídio.

O fato central

O fato central que abre este diálogo, que o Espiritismo pretende ter demonstrado, mas que é passível de novas pesquisas e demonstrações, é a existência do Espírito. A segurança deste conhecimento não pode ser absoluta, dogmática, acabada, pois a própria ideia da evolução não nos permite dizer que alguém ou alguma doutrina já abarcou a verdade por inteiro. A segurança é relativa ao nosso estágio evolutivo. Permite a evolução do conteúdo.

Allan Kardec propôs forma de conhecer integrada de todas as áreas, sem o conflito entre ciência e religião. Se a transcendência humana é um fato objetivo e não simples hipóteses, a ciência não pode ser materialista, sob pena de estar mutilando a realidade.

Allan Kardec elaborou a Doutrina Espírita com a participação dos Espíritos, sem jamais abdicar de um controle racional e do testemunho da experimentação. Passa a levar em conta o testemunho daquilo que o Homem sempre viu e percebeu, além dos sentidos físicos. Pelo estudo da mediunidade encontramos uma nova forma de viver interexistencial, ou seja, estar neste mundo aberto para outras dimensões. A mediunidade é algo que faz parte da própria constituição humana. Quando dormimos, vivemos a vida do Espírito. Esse conhecimento é passível de pesquisa, análise e observação de qualquer ser humano.