Um leque de possibilidades para iniciar a vida na América

Um leque de possibilidades para iniciar a vida na América

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DEZ/14 – pág. 58

painting wallCom o passar dos anos, vamos entendendo o sucesso de algumas pessoas que chegam na América, enquanto outros fracassam.

Não quero ser o dono da verdade, por saber que não existe fórmula para esses fenômenos sociais de migração, mas focando no aspecto de quem vai se firmando e quem não consegue fazê-lo, mesmo com dinheiro, gostaria de explorar alguns exemplos e situações.

Há alguns dias, uma pessoa da nossa comunidade, passando em frente a uma casa de bom porte, na época de Natal, depara-se com alguém pendurado em uma escada colocando lâmpadas ao redor da casa e enfeites, típico desta época do ano e do costume local. Muito interessada em contratar alguém para fazer o serviço para ela, começa a falar um PortuGlês, tentando se comunicar, até que, por algum motivo, um deles começa a falar português e descobrem que ambos são brasileiros. Bem mais simples para combinar o trabalho. Infelizmente esse trabalho deverá esperar, pois a pessoa (colocando as lâmpadas) estava com a agenda cheia de compromissos. Cobrava razoavelmente barato, mas, pelo volume, esperava levantar um dinheiro razoável, que poucos executivos ganham neste país. Preço e qualidade asseguram bom retorno.

O exemplo veste minha teoria: as pessoas devem ser criativas e, acima de tudo, trabalhar para se estabelecer. Aquilo de comprar um posto de gasolina e passar a cada semana para tirar dinheiro, comum no Brasil, não funciona aqui. Tem que trabalhar. Quer ter posto de gasolina, acorde às 4 da manhã, abra o posto, trabalhe até a esposa rendê-lo às 3 da tarde e volte às 11 para fechar. Se esperar um gerente ficar controlando o caixa e só ir buscar dinheiro, vai notar que, em pouco tempo, estará colocando dinheiro e não tirando. 60 a 70% dos donos de postos individuais nos Estados Unidos (propriedades de indianos) fazem exatamente assim. Quando não é marido e mulher, é o filho, cunhado, irmão etc.

O moço das lâmpadas logo descobrirá que poderá ter uma empresa de iluminação de jardim, instalação de calhas, troca de lâmpadas, baterias… Em poucos anos, contratará ajudantes e supervisores. O mais importante de tudo isso é o fato de ele ter feito o que fez: subiu na escada e trabalhou. Fácil mandar, mas fazer o trabalho gera confiança onde se ganha e se perde no ramo.

Muitas mulheres, com necessidade de ajudar no orçamento e entendendo o custo de vida daqui, propõem-se a ajudar, fazendo limpeza em escritórios, hotéis e logo têm a sua própria empresa. Começam a cozinhar para fora, logo fazem “catering” e organizam serviços de servir. Isso não é subemprego. Chamamos de limbo, o período entre o começo e o sucesso. Há milionários no ramo do conserto de ar-condicionado, serviços de jardinagem, piscinas, cozinha etc.

Existem escolas para todos os tipos de serviços. Sugiro as MidTec, que são do condado ou do estado. Têm ótimos professores, laboratórios e oficinas. Se não conseguir vaga em uma dessas, procure uma escola privada. Há a possibilidade, ainda, de começar trabalhando como ajudante, absorver a prática para depois estudar e começar a ter suas licenças.

Vi advogadas aprendendo enfermagem, engenheiros colocando calhas em casas. Eu mesmo aprendi a vender carros e consertar, comprar peças em desmanches e fazer crediários. Empurrar carro foi minha ginástica em vez do “fitness”. Isso me deu sustentação para depois tirar uma licença. Escolhi ser corretor de imóveis e ir progredindo (mesmo com diploma de engenheiro e de economista, pós-graduação). Empurrando carro na North John Young, comecei a entender como caminham as coisas na América. Oxalá tivesse guardado o dinheiro que investi em lojas, empresa de táxi, “shuttles” etc…

… MAS EU ESTUDEI TANTO NO BRASIL!

Este é o argumento de quem realmente não sabe por que estudou. Estuda-se para saber exatamente como ter discernimento. Deve-se aprender com a adversidade e dificuldade. Estou sempre incentivando as pessoas a consultarem os departamentos de regulamentação de profissionais. Na Flórida, chama-se DBPR ou “Department of Business and Professional Regulators”. Lá, descobre-se que, para ser cabeleireiro, deve-se ter uma licença; para trabalhar com ar-condicionado, tem que ter licença; para quase tudo onde haja responsabilidade física ou financeira, os profissionais são regulamentados e testados antes de poder exercer. O efeito colateral disso é ser bem remunerado. Um eletricista pratica mais de cinco anos antes de ter licença. Dessa forma, quando a obtiver, ele pode cobrar um preço maior pelo serviço.

As citadas licenças, normalmente, têm exames e, antes de serem dadas pelo estado, são submetidas às impressões digitais ao FBI do candidato. Daí, mais uma razão para que somente profissionais licenciados sejam contratados, o que mostra seriedade.

Algumas áreas em alta no mercado são as de enfermagem e as relativas ao sistema de saúde; a área de comida, na especialidade de preparação, manipulação e pré-produção; os negócios com veículos, compra e venda ou aluguel (requer licença e alguma experiência, que pode ser obtida trabalhando algum tempo para terceiros). Os serviços para veículos, assim como para residência, têm sempre demanda, pelo aumento da população de carros e pela construção de novas casas. Reformar casas é também interessante para quem tem algum conhecimento, primeiro de mercado e, depois, das leis que cada cidade ou condado tem para contratar serviços com ou sem licença.

Os serviços da área financeira (mais elaborados) – stockbroker, mortgagebroker ou contador – requererão prática e conhecimentos de mercado.

Antonio Romano
www.atlanticexpress4.com
antonioromano@gmail.com