Sábios e Prudentes

Sábios e Prudentes

Edição de julho/2018 – p. 30

Sábios e Prudentes

No Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec opina que devemos entender por simples e pequeninos, os humildes, os que se humilham diante de Deus e não se consideram superiores aos outros. Por outro lado, “sábios e prudentes” são os orgulhosos, envaidecidos do seu saber mundano, que se julgam prudentes, pois que negam a Deus, tratando-o de igual para igual, quando não O rejeitam. “Deus lhes deixa a busca dos segredos da Terra e revela os do Céu aos humildes”.

O codificador do Espiritismo considera, ainda, que “o mesmo ocorre hoje com as grandes verdades reveladas pelo Espiritismo”. Certos incrédulos se admiram de que os Espíritos se esforcem tão pouco para os convencer. É que eles (os bons Espíritos) se ocupam dos que buscam a luz com boa-fé e humildade, de preferência aos que julgam possuir toda a luz.

“O poder de Deus se revela nas pequenas como nas grandes coisas. Ele não põe a luz sob o alqueire, mas a derrama por toda parte; cegos são os que não a veem. Deus não quer abrir-lhes os olhos à força, pois que eles gostam de os ter fechados. Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angústias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso, na mão que lhes fere o orgulho. Para vencer a incredulidade, Ele emprega os meios que lhe convém, segundo os indivíduos.”1

E completa Allan Kardec: “Deus poderia tocá-los pessoalmente por meio de prodígios evidentes, perante os quais teriam de curvar-se. Mas, qual o mérito deles? Se eles se recusam a reconhecer a verdade é porque o seu Espírito ainda não está maduro para a compreender, nem o seu coração para o sentir. O orgulho é a venda que lhes tapa os olhos. Deus não abandona os filhos orgulhosos, pois sabe que, cedo ou tarde, seus olhos se abrirão; mas quer que o façam de vontade própria”.

Reflitamos um pouco mais sobre o texto citado de início:

Naquele tempo – Jesus continua junto de nós, através dos seus emissários. Existem circunstâncias e condições que definem o tempo propício a que o conhecimento nos chegue.

Senhor do Céu e da Terra – “Céu” é referência didática a nos mostrar os valores contidos no infinito e na eternidade. “Terra” é o laboratório experimental e fixador das experiências que se abrem ao alcance do Espírito. Julgamos que somos senhores disto ou daquilo. Em verdade, só há um Senhor: do Céu e da Terra, cujos desígnios são superiores aos desejos humanos.

Que ocultaste estas coisas – Deus nada oculta a ninguém. A pessoa é que polariza sua atenção dentro da faixa evolutiva que já tenha atingido. Todos os conhecimentos que Jesus nos trouxe e continua trazendo pelos seus emissários, inclusive pelo “Espírito de Verdade”, e que dão uma nova dimensão à vida, permanecerão ocultos se a criatura não se munir de humildade para assimilá-los. Numa vasilha cheia nada mais cabe. Só recebemos novos conteúdos se admitirmos que há espaço para tal. O que se julga autossuficiente, capaz de atender suas necessidades de saber com suas próprias faculdades, dispensa Deus de sua vida. É a vasilha cheia que nada mais comporta.

Aos sábios e entendidos – Verdadeiro sábio é o que exemplifica o que sabe. Só a informação, ou teoria, sem prática não constitui sabedoria. Sabemos o que fazemos. O sábio de verdade é humilde, pois sabe que sabe muito pouco diante do que tem a aprender. Como dizia Sócrates, “sabe que não sabe”. Paulo (I Cor. 8:2) afirma: “E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber”.

E as revelaste aos Pequeninos – Pequeninos são os humildes que sabem ter necessidade das coisas que Jesus está nos trazendo. Os outros estão satisfeitos com o que têm. São os que se consideram crescidos, adultos. Falando aos enviados de João, diz Jesus: “aos pobres é anunciado o Evangelho” (Mt. 11-5). Embora anunciado aos quatro ventos, só ouve a mensagem da Boa Nova quem dela tem ou experimenta interesse, os que se constatam pequenos.

Referências bibliográficas:

1- KARDEC, Allan – Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VII, item 9 (tradução de J. Herculano Pires)

ABREU, Honório Onofre de – Luz Imperecível.