Destino nas próprias mãos

Destino nas próprias mãos

Leandro de Miranda, pivô da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas, quer levar o Brasil ao pódio paraolímpico

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

jogoscariocas@gmail.com

Leandro de Miranda, pivô da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas - Foto: Gadecamp/Divulgação
Leandro de Miranda, pivô da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas – Foto: Gadecamp/Divulgação

Aos 17 anos, o caixa de restaurante paulista Leandro de Miranda perdeu a perna esquerda em um acidente de moto. Para muita gente, poderia significar o fim de qualquer sonho de carreira esportiva. Para Leandro, foi o início. Sempre gostou de basquete, mas conheceu o esporte em cadeira de rodas somente um ano depois do acidente, durante uma festa de Carnaval, em um camarote voltado para pessoas com deficiência física. Seu primeiro time foi o CPSP, mas logo foi para o Águias, ambos na capital paulista. Depois jogou durante dois anos em Abruzzo, na Itália, no clube Amicacci. De volta ao Brasil, foi para o CAD, de São José do Rio Preto, e atualmente veste a camiseta do Gadecamp, de Campinas. Aos 33 anos, é um dos destaques da seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas, que está na reta final da preparação para as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em setembro. “Sonho muito com isso! Estarei realizado por representar meu país nos Jogos”, confessa Leandro, que faz faculdade de Educação Física e não usa cadeira de rodas no seu dia a dia – prefere caminhar com uma prótese, que considera mais prática.

Jogos Cariocas – Como se aproximou do basquete em cadeira de rodas?

Leandro de Miranda – Eu sempre gostei de basquete. Desde meus 13 anos praticava e acompanhava os jogos na televisão. Após o acidente, conheci o basquete em cadeira de rodas através de uma associação – até então não sabia nem que existia esporte paraolímpico… Enfim, consegui encontrar em mim uma nova vida com o basquete sobre rodas. Fui me dedicando nos clubes que defendi até ter bons resultados e chegar à seleção brasileira.

Jogos Cariocas – Como o basquete influi na sua personalidade?

Leandro de Miranda – Sou uma pessoa muita agitada. O esporte me ensinou a ter mais disciplina, comprometimento e responsabilidade.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina, num dia comum?

Leandro de Miranda – Treino diariamente no Gadecamp, em Campinas. Meu dia se resume em acordar cedo, levar meus filhos na escola e ir para o treino. Depois busco eles na escola, levo o mais velho aos treinos de futebol e volto para o treino. Gosto de ajudar minha esposa e brinco bastante com o meu filho menor.

Jogos Cariocas – Como pivô, quais são seus pontos fortes?

Leandro de Miranda – Meu ponto forte sempre foi a infiltração dentro do garrafão. Mas preciso realmente aprimorar minha concentração nos lances livres. Venho trabalhando isso diariamente…

Jogos Cariocas – Quais os títulos mais importantes que já conquistou?

Leandro de Miranda – O bronze nos jogos Parapan-americanos em 2003 e 2007 e o tricampeonato Sul-americano com a seleção brasileira foram muito importantes. Alguns títulos nacionais também marcaram bastante a minha carreira. Fui três vezes campeão brasileiro com o Águias e pentacampeão paulista e campeão sul-americano de clubes com o CAD, de São José do Rio Preto. Com a Gadecamp, fui campeão paulista e também eleito o melhor jogador do ano, em 2014.

Jogos Cariocas – Como estão suas chances de ir às Paraolimpíadas do Rio de Janeiro? Lá, quem acha que serão os principais adversários da seleção brasileira?

Leandro de Miranda – Acredito que tenho todas as chances de estar no Rio de Janeiro em setembro, pelo meu trabalho, meus esforços e meu desempenho. Os nossos adversários mais fortes devem ser Austrália, Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha.

Jogos Cariocas – Já sonhou com os Jogos Rio 2016? O que imagina que irá encontrar?

Leandro de Miranda – Sei que as Paraolimpíadas são uma competição de muita importância e responsabilidade. Não será fácil, mas vamos estar sempre com pensamento de vencer qualquer adversário que apareça pela frente e colocar o Brasil no pódio. Seria uma coisa inédita para o basquete em cadeira de rodas brasileiro nas Paraolimpíadas e eu sonho muito com isso….

Jogos Cariocas – O que diria para uma jovem deficiente físico que queira começar no basquete em cadeira de rodas hoje?

Leandro de Miranda – Eu diria pra ele treinar bastante, focar em seus objetivos, trabalhar duro e ser sempre humilde. A humildade e o alto desempenho ajudam a chegar ao sucesso.

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