Desconfiança paralisa reforma migratória; líder republicano culpa Obama

Desconfiança paralisa reforma migratória; líder republicano culpa Obama

John Boehner - Foto: AP Photo
John Boehner – Foto: AP Photo

O presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, republicano John Boehner, jogou por terra as expectativas de aprovação de uma reforma migratória ao declarar, nesta quinta-feira, que o presidente Barack Obama deve ganhar a “confiança” de seu partido antes.

Uma semana depois de o Partido Republicano anunciar sua intenção de aprovar uma lei que legalize a situação dos cerca de 11 milhões de imigrantes em condição clandestina, Boehner esclareceu que “nunca subestimou as dificuldades” que existem para aprovar a reforma “este ano”.

Boehner declarou que a “desconfiança” em relação ao presidente Obama é “um dos principais obstáculos” no caminho da aprovação.

“O povo americano e muitos dos meus companheiros de partido não confiam em que a reforma de que falamos vá ser aplicada como foi planejada”, disse Boehner.

Segundo ele, o anúncio de Obama feito em janeiro de que vai ignorar o Congresso e agir por sua própria conta em alguns temas, como a desigualdade econômica, está “alimentando mais desconfiança”. Com isso, insiste o representante, o tema da imigração continuará paralisado na Câmara.

“Há uma dúvida generalizada sobre se é possível confiar neste governo para fazer cumprir nossas leis, e será difícil avançar em qualquer legislação sobre imigração até que isso mude”, afirmou Boehner.

Antes que haja um projeto republicano sobre imigração, Obama também deve colaborar com algumas das iniciativas da oposição, como os projetos de emprego, bloqueado pelo Senado, de maioria democrata, frisou.

As declarações de Boehner foram imediatamente rejeitadas pelo movimento de defesa dos imigrantes, que acusou o congressista de procurar “desculpas” e desviar a culpa para Obama.

“As desculpas e atrasos de Boehner mantêm em pé um sistema fracassado que separa diariamente os pais de seus filhos”, afirmou a porta-voz do Movimento por uma Reforma Migratória Justa (Firm, na sigla em inglês), Kica Matos, em um comunicado.

Fonte: em.com.br – AFP – Agence France-Presse