Desordens de Ansiedade

Desordens de Ansiedade

Edição de dezembro/2018 – p. 32

Outro dia, vi um documentário intitulado “Angst”* (palavra traduzida para português: angústia ou ansiedade).  Gostei muito dele e recomendo-o.  São 45 minutos de rica informação, a maior parte dela dada por jovens e alguns adultos, como Michael Phelps, o famoso nadador olímpico. Todos, corajosamente, admitem o que é viver com ansiedade ou em famílias nervosas.  É muito interessante e positivo falar do tema abertamente, pois “falando é que a gente se entende”. A verdade é que todos vivem com alguma ansiedade… alguns mais, outros menos. Quando a ansiedade chega a um grau intensivo e crônico, ela necessita de tratamento.

A ansiedade é o acúmulo de sentimentos de apreensão, preocupação, nervosismo ou medo, especialmente em relação ao futuro. Embora a ansiedade seja uma reação normal a algo que nos possa afetar fisicamente, em relação a nosso estilo de vida, a valores ou aos entes queridos, há três níveis de sintomas: emocionais, mentais e físicos.

  • Emocionais:  nervosismo, medo, pânico, irritabilidade, frustração, ira, tristeza, perda de interesse, entorpecimento, sensação de sobrecarregado, fragilizado.
  • Mentais: pensamentos negativos, dificuldade de concentração, pensamentos obsessivos, problemas de memória, confusão.
  • Físicos: tensão muscular, dores de cabeça, boca seca, coração acelerado, respiração rápida, doenças, problemas de estômago ou com o sono.

Muitas vezes, especialmente se estamos (mal) habituados, nem percebemos que estamos nervosos ou temos ansiedade. Se somos de uma família ansiosa, podemos herdar esses maus hábitos, bem como essas tendências genéticas e, assim, perpetuá-las. Felizmente, podemos treinar o nosso cérebro a pensar e responder de maneiras diferentes, ou seja, a reconhecer e identificar aquilo que nos deixa apreensivos ou a forma generalizada ansiosa com a qual vivemos e como modificar tudo isso ou um pouco (pelo menos). O estresse é a defesa, nossa resposta a algo que achamos perigoso ou difícil.  O problema é que essa resposta nata e automática não diferencia aquilo que é verdadeiramente um perigo de vida, daquilo que apenas desafia a nossa autoestima, por exemplo, a forma como me tratam no trabalho.

Em um momento difícil, o nosso cérebro faz com que hormonas de estresse se espalhem pelo corpo para melhor podermos lutar/fugir/parar quietos (geram sintomas, tais como um aumento de açúcar no sangue, ritmo cardíaco, respiração, tensão muscular e mudanças de distribuição sanguínea). Ao fim de certo tempo, tudo volta ao normal. Se isso não acontecer, um grande problema é gerado; porque viveremos com a percepção contínua de perigo e o nosso cérebro continua a produzir hormonas, como a adrenalina e o cortisol.  Assim, podemos sentir muito cansaço e eventualmente adoecer.

Qual é a diferença entre ansiedade saudável, aquela que nos protege e motiva; e ansiedade doentia, aquela que nos afeta a longo prazo? A diferença é a recorrência e a intensidade que afetam a qualidade de vida da pessoa e de todos que convivem com ela. Exemplificando: timidez que faz evitar situações sociais pelo medo de ser julgado ou criticado; apreensão com um teste, exame ou apresentação que dão origem a ataques de pânico, levando a pessoa a cancelar ou até mesmo a evitar essas situações; medo de situações, lugares, objetos perigosos que não são ameaças verdadeiras; ansiedade ou tristeza temporária após um acontecimento traumático, pesadelos ou dormência. Ha vários tipos de desordens de ansiedade:

  • pânico, que afeta seis milhões de americanos e constitui 25% das visitas às Emergências;
  • ansiedade social, que afeta 15 milhões de americanos e começa na juventude, 36% dessas pessoas vivem 10 anos ou mais antes de pedirem algum tipo de ajuda;
  • fobias variadas;
  • ansiedade generalizada, que afeta quase sete milhões de adultos, ou seja, 3.1% da população americana; as mulheres tendem a ser o dobro dos homens; essa doença é progressiva e começa na adolescência;
  • mutismo seletivo;
  • ansiedade de separação;
  • estresse pós-traumático, que atinge 7.7 milhões de americanos, sendo que 65% de homens e 45.9% de mulheres que foram violados acabam diagnosticados; o abuso sexual ou situações trágicas quando criança é o maior motivo desta doença; 67% de pessoas expostas a violências desenvolvem-na, mais do que aquelas pessoas expostas a desastres naturais;
  • obsessivo-compulsiva, que, no manual diagnóstico DSM-5, não é considerada desordem de ansiedade, embora os seus sintomas causem ansiedade. Um terço dos adultos começou a apresentar os primeiros sintomas dessa desordem quando criança; um quarto delas, aos 14 anos e a maioria, por volta dos 19 anos de idade.

Frequentemente, as desordens de ansiedade juntam-se a outras síndromes, tais como depressão ou vícios, porque costumamos tentar encontrar soluções sozinhos (que nem sempre são as melhores). A ansiedade afeta a nossa produtividade laboral, a nossa capacidade de juízo, de trabalhar em equipe, de tomar decisões, contribui para erros, faltas e baixa moral. Falar sobre o tema e pedir ajuda são os primeiros passos, enquanto planificar atividades interessantes, divertidas e relaxantes deve ser o próximo passo. Um tratamento holístico é a melhor solução:  diversifica e melhora emocionalmente, mentalmente, socialmente, fisicamente e espiritualmente.

Seu médico geral ou um profissional da saúde mental podem orientá-los. Se trabalha para uma companhia com mais de 50 empregados, provavelmente existe uma EAP, ou seja, um número de telefone confidencial para obter ajuda profissional grátis. Há vários tipos de tratamento além de autoajuda, tais como terapia para conversar com profissional, terapia de exposição, EMDR, medicação e grupos de apoio. Geralmente, eu recomendo um mix deles. Por exemplo, Recovery International (www.recoveryinternational.org) é uma organização de autoajuda a favor da saúde mental (ansiedade e depressão). Em Orlando, as reuniões grátis são às quartas-feiras (19h) e aos sábados (11h). Não hesite em procurar ajuda, pois não se deve comprometer a qualidade de vida!

Alguns dos conceitos acima vieram diretamente das seguintes fontes:  Resources For Living, “Coping With Anxiety”, novembro 2018 http://www.adaa.org/about-adaa/press-room/facts-statistics, http://www.nimh.nih.gov/health/publications/index.shtml) e *Angst: What People Are Saying: vimeo.com/251237659

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