O poder do QI: A Acupuntura afeta diretamente o cérebro emocional

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JAN/14 – pág. 66 e 67

Foto: Reprodução
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Estudando a relação da acupuntura com as recentes observações e descobertas realizadas por médicos e cientistas, achei muito interessante o relato da experiência pessoal do Dr. David Servan-Schreiber, no capítulo 8, do livro “Curar o Stress, a Ansiedade e a Depressão, sem Medicamento nem Psicanálise”. Quero compartilhar a ação benéfica da acupuntura a nível cerebral com vocês, leitores.

Dr. Schreiber é neuropsiquiatra e pesquisador, Doutor em Ciência Neurocognitiva pela Universidade Carnegie Mellon. Em 2002, foi eleito o melhor psiquiatra clínico da Pensilvânia e, atualmente, divide seu tempo pesquisando e lecionando.

Seu primeiro contato com a acupuntura foi durante o curso de medicina em Paris, quando um de seus professores resolveu documentar sua experiência na China, filmando uma cirurgia no hospital de Pequim. Depois disso, ele passou o filme para 200 estudantes, em que uma mulher falava calmamente com o cirurgião que a operava de um cisto do tamanho de um melão no abdômen, cuja única anestesia consistia em poucas agulhas na pele. Ficou boquiaberto no momento, mas logo se esqueceu do fato. Quinze anos depois, Dr. Schreiber se lembrou desse filme ao visitar o Instituto de Medicina Tibetano no pé das cordilheiras do Himalaia, onde obteve seu segundo contato com a acupuntura.

Um médico tibetano, conversando com Dr. Schreiber sobre a origem das enfermidades, comentou: “Para nós, orientais, sintomas físicos e sintomas emocionais são simplesmente dois lados da mesma coisa: desequilíbrio da energia reguladora Qi”. E prosseguiu: “Há três modos de equilibrar a energia: pela meditação, que a regenera; com nutrição e ervas medicinais e diretamente com acupuntura. Geralmente, tratamos depressão com acupuntura. Funciona bem desde que os pacientes façam o tratamento por tempo suficiente”.

O terceiro contato com a acupuntura ocorreu poucos anos depois do anterior, quando o Dr. Schreiber encontrou uma paciente, que havia visto somente uma vez, no ambulatório do hospital. “Ela sofria de depressão séria, mas se recusara a tomar os antidepressivos que eu receitei”, disse ele. De curiosidade, o doutor perguntou como ela estava, foi quando ela disse que tinha decidido procurar um acupunturista e que, após algumas sessões, sentia-se bem melhor. “Eu fiquei um pouco chateado, devo admitir, pelo fato de um tratamento diferente do meu ter se mostrado mais útil. Foi quando eu decidi descobrir um pouco mais sobre esta prática estranha”.

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Ciência e Agulhas

“Quando comecei a levar a acupuntura a sério, descobri que, em 1978, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha publicado um relatório reconhecendo oficialmente a acupuntura como uma prática médica e aceitável (…) e eficiente para casos de dor pós-operatória, náusea durante a gravidez ou quimioterapia e dores nas costas”. Foi provado com experiências em animais transferindo o fluido que banha a medula espinhal e o cérebro de um animal anestesiado para outro, em que o segundo animal também ficou anestesiado, não sentia dor. Logo, a acupuntura induz a secreção de substâncias pelo cérebro que podem bloquear a experiência da dor, além de qualquer efeito placebo.

Atualmente, a literatura científica internacional contém uma gama de estudos de pesquisa confirmando a eficácia da acupuntura para uma série de problemas, que incluem depressão, ansiedade, desordens digestivas, dependências de fumo, infertilidade (dobrando a taxa de sucesso nas inseminações artificiais), entre outros. “O que realmente impulsionou o interesse científico pela acupuntura no ocidente foi a publicação de um artigo na Proceeding of the National Academy of Sciences. Somente os membros da Academia de Ciências dos Estados Unidos ou seus ‘convidados’ podiam publicar artigos nesta revista seleta.”

A Acupuntura e o Cérebro

O professor Zhang-Hee Cho, Ph.D. da Universidade da Califórnia, pesquisador em neurociências e imagens cerebrais resolveu testar a teoria de 2.500 anos, segundo a qual estimular o dedinho do pé com a agulha de acupuntura acarretava, entre outras coisas, a melhora da visão. Após escanear o cérebro de 10 pessoas saudáveis, sua conclusão foi que o ponto estimulado pela agulha de acupuntura no ponto determinado indicava atividade precisa na região do córtex cerebral.

“Paul sofria de depressão por muitos anos e tomava antidepressivo há meses sem resultados. Ao procurar um acupunturista no hospital para sua dor nas costas, o especialista adicionou ao tratamento algumas agulhas para sua depressão. Paul declarou que ele pôde sentir ‘uma camada de nevoeiro se levantar’, camada essa que não permitia que ele pensasse com clareza. Paul sentiu-se mais leve e um pouco mais confiante, apesar de continuar a sentir um nó na garganta o qual ele sempre associava aos períodos de depressão. Após várias sessões semanais, ele foi sentindo outras camadas desaparecerem gradualmente. Então, sem se dar conta, o nó na garganta desapareceu. Pouco a pouco, Paul começou a dormir melhor. Sua energia retornou pela primeira vez em dois anos. Finalmente, sua autoconfiança voltou, assim como o desejo de ficar com a esposa e as filhas, e de iniciar novos projetos. Paul manteve ambos os tratamentos: o antidepressivo e a acupuntura. A acupuntura talvez tenha estimulado os mecanismos de autocura do cérebro emocional”.

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Em Harvard, um desses mecanismos foi elucidado por Kathleen Hiu, M.D., com a ajuda da equipe do Hospital Geral de Massachusetts (um dos maiores centros de estudo do funcionamento do cérebro por imagem do mundo), que demonstrou como a acupuntura pode afetar diretamente o cérebro emocional. Ao estimular um único ponto, localizado na mão, ela demonstrou a anestesia parcial dos circuitos de dor e medo. Ponto conhecido por controlar a dor e a ansiedade. O estudo concluiu demonstrando que as agulhas de acupuntura são capazes de bloquear as regiões do cérebro emocional responsáveis pela dor e ansiedade.

Caroline, 28 anos, tinha acabado de passar por uma cirurgia devido a um câncer agressivo de estômago. Somente a morfina conseguia aliviar. No entanto, ela não tolerava bem a morfina, pois causava em Carolina confusão mental e pesadelos violentos. Sem muita opção, ela aceitou o tratamento com acupuntura que o hospital estava oferecendo. Durante seu atendimento, Caroline estava tão absorvida pela dor que nem notou as três finas agulhas insertadas em sua mão, perna e abdômen. No dia seguinte, ela quase não usou morfina, seu uso caiu para somente 3 vezes ao dia, segundo os registros das enfermeiras. Dois dias depois, não precisou mais da morfina, pois sua dor havia desaparecido completamente. Sua ansiedade parecia ter se dissolvido com a dor, sem nenhum dos efeitos colaterais causados pela morfina.

Os estudos sugerem que a acupuntura estimula a secreção de endorfinas pelo cérebro, agindo como analgésico, enquanto trabalha no equilíbrio da energia vital (Qi) de todo o corpo.

“A sabedoria da medicina oriental está se tornando mais clara e crescente aos olhos ocidentais”.

Elly Tuchler
Médica Acupunturista
www.acuhomeo.com
(407) 373-0606