O dólar vai subir ou baixar?

O dólar vai subir ou baixar?

Edição de maio/2015 – pág. 22

“O Real Brasileiro fustigado pela especulação sobre as taxas norte-americanas” (Financial Times); “Real Brasileiro aumenta com o aliviou da Grécia” (Bloomberg); “Real Brasileiro lidera declínios globais com as atenuações de apoio monetário” (Bloomberg); “Real Brasileiro aumenta com a desaceleração dos taxas de emprego americanos” (Bloomberg). Essas quatro manchetes todos apareceram na mesma notícia de primeira página do Google. Afinal, o real está apreciando ou depreciando?

No último mês o real se fortaleceu em 2% em relação ao dólar e caiu em 5% face à libra esterlina. Isso diz mais sobre a libra e sobre o dólar do que sobre o real. Mesmo sendo um exagero dizer que o real está fora de complicações ao longo das últimas semanas, as suas deficiências tendem a ser as já conhecidas pelos investidores, ao invés de novos desastres. Com o escândalo da Petrobras, o ministro das Finanças ainda está lutando para fechar o círculo das baixas receitas fiscais e os  altos gastos do governo. A inflação em 8,17% é bem acima de seu alvo de 2,5% -6,5%.

O Banco Central do Brasil identificou esse último problema no final de abril, elevando a sua taxa de juros Selic de 12,75% para 13,25%. Foi o quinto aumento em sete meses: até outubro do ano passado a taxa Selic se mantinha constante em 11%. O aumento não fez nada para a moeda.  É como se o fã-clube do Real Brasileiro se finalizasse e os investidores agora vêem o aumento das taxas de juros como um sinal de fraqueza, e não como uma oportunidade de retorno sobre seus investimentos. Mas se o real está fora do favoritismo entre os investidores, o dólar é ainda mais baixo em suas listas de favoritos no momento. Durante o mês passado, teve o desempenho mais fraco, com queda de cerca de -5%, em média, contra dezenas de moedas ativamente negociadas.

Uma série de ecostats fracos, incluindo o crescimento econômico próximo à zero no primeiro trimestre do ano e uma desaceleração na criação de emprego, tem levado os investidores a acreditar que o Santo Graal do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos caiu ainda mais no calendário do Federal Reserve. Um mês atrás, o dólar parecia bom, a libra parecia instável e o futuro do real parecia incerto. Hoje, o dólar está em desuso, a libra esterlina tem desfrutado de um comício pós-eleitoral e o futuro do real… bem .. esse continua.. incerto. O que acontece em seguida irá depender de dados econômicos. Sólido desempenho das economias dos EUA e do Reino Unido vai ajudar suas moedas a apreciarem, e vice-versa. É mais difícil de imaginar números incisivos para o Brasil…