Cuidado com investimentos baseados em projeções

Cuidado com investimentos baseados em projeções

voltar

FEV/14 – pág. 51

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Estamos de volta aos tempos em que aparecem bons negócios, muitos compradores e simultaneamente muitas fraudes. Por convicção própria ou por iludir mais os compradores ou investidores, hoje, olham-se mais para as projeções do que para o passado do negócio ou para a história da empresa ou do investimento no qual pretendem “se meter”.

Tenho visto muitas projeções que não são o reflexo da operação histórica do negócio. Muitas ainda aceitam imputs de ‘achismo’ e de sonhos, o que não é normal quando elas são apresentadas aos bancos (difíceis de serem convencidos), pois há um pessoal especializado e técnico que, às vezes, sabe mais do negócio do que o próprio empreendedor ou investidores.

O papel aceita tudo. O investidor deve basear suas decisões nos balanços e no tax return dos negócios e não em um monte e projeções que alguém, espertamente, sabe preparar e tenta convencer com ‘meias verdades’. Uma auditoria na empresa que se está comprando ou uma análise nos balanços de um imóvel comercial podem custar dinheiro, mas evitam os dissabores da perda do investimento. Há também uma arma muito boa que evita negócios mais baseados em projeções do que em fatos: o appraisal, custo obrigatório antes de assinar qualquer cheque para uma compra, seja ou não de pessoa conhecida ou idônea. O appraisal mostra onde o mercado está mais fraco e onde está mais difícil, bem como trabalha com exercícios de futurologia, porém com uma base de informação a que, normalmente, o investidor não tem acesso ou não sabe usá-la.

Tivemos na cidade empreendimentos como o Blue Rose e o Atlantis, exemplos de insucesso, apesar de mostrarem extraordinárias taxas de retorno e de ganho. Os maiores investidores foram estrangeiros, principalmente ingleses, que se iludiram pela beleza do empreendimento e papéis mostrando ganhos excelentes. Todos acabaram lesados. Existem algumas notícias de ações na Interpol para tentar punir os responsáveis. O dinheiro, infelizmente, foi perdido. Um appraisal – de menos de 1% do custo do investimento – poderia ter evitado esse problema.

Outra forma errada que tenho visto são as autoprojeções. Ou seja, quer se abrir um negócio, fazem-se as próprias projeções sem consultar um especialista ou um consultor/avaliador. Pesquisa de mercado e planejamento estratégico, feitos por especialistas, podem diminuir as expectativas do investidor e, ao mesmo tempo, dar mais segurança ao sucesso do negócio. Para muitos, isso tudo não é relevante. A euforia de acreditar que o negócio dará certo supera a razão de se contratar um especialista para dar seu parecer técnico e comercial.

São inúmeros os negócios que abrem dessa forma e depois fecham com perdas e frustrações. Da mesma forma que escrevo estes artigos, tento induzir as pessoas a contratarem especialistas. Algumas dessas pessoas chegam a debochar dos meus conselhos. No entanto, quando fecham o negócio, lembram-se de que foram avisados. Infelizmente, muitas vezes, já é tarde. Os Estados Unidos e Brasil, dois países muito diferentes. Aqui, existe transparência nos negócios, oportunidades para todos, crédito fácil, com bancos de dados para todas as áreas e com gente muito especializada em todos os setores. Por que não usar todos esses fatores? Por que não trabalhar pelas regras dos negócios como os americanos? Por que querer trazer o “jeitinho” brasileiro para um país com regras e com leis rígidas?

www.atlanticexpress4.com
antonioromano@gmail.com