A renovação pode ser cruel, mas é necessária

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JUL/13 – pág. 28

liberdade21A renovação pode ser cruel, mas é necessária.

Em nossa jornada pela vida, alternaremos momentos encantadores e devastadores. Parece que estamos na escola da vida para aprender a viver. Como não há manuais disponíveis, o jeito é observar com sapiência, valorizar as experiências a fim de encontrar os melhores caminhos.

O tempo não é garantia de crescimento, apenas de contagem de vida. Para vivermos melhor, precisamos crescer espiritual e intelectualmente. O conhecimento científico que adquirimos nas escolas, cuidadosamente preparadas para nos receber em cada fase de nossa vida, é importante, mas não o bastante para alcançarmos a nobreza.

Normalmente, valorizamos muito esse tipo de conhecimento, pois ele é necessário para as conquistas matérias, sem os quais a vida fica limitada. Daí, a razão de exibirmos com orgulho os certificados acumulados ao longo da jornada.

O que muitos não se dão conta é que para alcançar o topo de nossa escalada, devemos conquistar primeiro o conhecimento espiritual, o qual adquirimos nos centros religiosos, não importando qual seja, com meditação ou de várias outras formas.

São esses aprendizados que nos proporcionam o crescimento necessário para conquistar uma vida melhor, gerando satisfação, alegria, paz e felicidade. Porém, como nem sempre é fácil conhecer a formula da conquista, sofremos para alcançar o patamar que nos cabe.

As vezes tenho sensação de que a nossa vida mais se parece com aquelas lavadeiras que ficam as margens dos rios lavando roupas. Elas cantam e brincam umas com as outras enquanto surram e esfregam fortemente o tecido na pedra. Nos piores momentos de nossa vida, sofremos tanto que mais parecemos roupas encardidas nas mãos daquelas trabalhadoras.

As peças nas mãos das lavadeiras são tão violentamente surradas e esfregadas nas pedras, que parecem que não irão resistir e se rasgarão. Nos momentos mais complicados de nossa vida parece que não resistiremos, não é mesmo? Porém, ao final de tantos solavancos, esfregões e pancadas nas pedras, a sujeira é eliminada, surge a transformação e algo melhor, mais atraente, vigoroso, encantador ganha vida.

Rolando Boldrin em “Vida Marvada” diz: “…Vou mastigando o mundo e ruminando
e assim vou tocando essa vida marvada …E quem refuga o mundo resmungando
passará berrando essa vida marvada”.

Não creio que a vida seja malvada, mas alguns momentos dela, sim. São momentos necessários para nos livrarmos das impurezas, das nódoas, tempo de se reinventar ou transformar-se em um ser humano melhor preparado para entender o nosso papel e viver melhor.

Afinal de contas, Mahatma Gandhi e Confúcio foram muito felizes quando afirmaram: “Quando você nasceu, você estava chorando e todas as pessoas ao seu redor estavam sorrindo. Viva de um modo que, ao morrer, você seja aquele que esteja sorrindo enquanto todos a sua volta estejam chorando.”

“A felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor vive.”

Evaldo Costa
Escritor, conferencista e
Diretor do Instituto das
Concessionárias do Brasil
evaldocosta@evaldocosta.com