Viver?

Viver?

É bom demais! Mas tão bom, mas tão bom, que a gente às vezes esquece-se de como é bom estar vivo. Pior ainda, se sentir vivo! E quando a gente se sente vivo, aí o sabor é bem maior.

Sabe que seria bom nos perguntarmos por que na maioria das vezes sentimos medo de viver, de nos sentirmos vivos? Ora, se viver é realmente bom demais, porque algumas pessoas abrem mão de se sentirem vivas e de viver? Serão muitos, mas tantos os motivos que depois viram desculpa para continuar sem vida.

Desculpas que vêm de dogmas impostos por alguns, paradigmas criados por outros e costumes enraizados em nossas vidas. Não seriam todos estes contras talvez criados por quem já há muito tempo abriu mão de viver? Seus medos e receios nos ficaram como leis. E calcados neles, muitos de nós seguem seus medos e receios, e abrem mão de viver.

Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que passou a vida se dedicando aos outros e que agora iria viver. E viveu? Na maioria das vezes, a coragem sucumbe ao medo, e seus anseios se escondem nos receios.

Não é difícil se ouvir por aí que de hoje em diante vou viver prá mim, vou ser feliz! Mas…

Para ser feliz e viver não se precisa tirar os pés do chão. Ou pelo menos, não mais do que o necessário para nos sentirmos realizados. Basta sabermos que se criticas houverem, poderão ser geradas no ventre da covardia e da passividade. E virem de onde moram o medo e o receio.

Vale a pena lembrar também daqueles que deixaram a vida dormindo dentro de si tanto tempo, que nem sabem mais acordá-la. E de repente ficam pensando se vale a pena derramar o passado e encher o balde de vida, de vida. Podem apostar que na maioria das vezes, depois serão ainda capazes de se perguntarem por que perderam tanto tempo.

Por fim, só uma pequena pergunta.

Se a vida é tão boa, mas tão boa de ser sentida e vivida, porque então, não viver?

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante.