Vai viajar no Spring Break?

voltar

FEV/13 – pág. 48 e 49

Prevenir é sempre o mais importante. Assim como preparamos nossas malas com bastante cuidado e atenção para não deixar para trás algum item que faça falta, devemos nos preocupar em levar um conjunto de produtos para a saúde que pode ser de fundamental importância durante a viagem.

Há lugares em que o acesso às farmácias ou aos serviços de saúde é difícil. Ter à mão alguns medicamentos pode fazer enorme diferença em certos momentos. Para começar, a higiene é fundamental. Se não for possível lavar as mãos com água e sabão antes de alimentar-se, lembre-se de colocar na bagagem um antisséptico tópico, como álcool gel ou equivalente. Ele também será útil para evitar a transmissão de alguns vírus, como o da influenza (gripe). Existem apresentações comerciais de substâncias que podem ser usadas também para a limpeza de frutas, legumes e verduras.

Nos dias quentes, um problema comum é a queimadura por radiação solar. Portanto, não se esqueça de levar o protetor adequado e em quantidade suficiente para a viagem. Chapéus, óculos escuros e roupas leves também podem ajudar a prevenir esse tipo de lesão. Algumas roupas confeccionadas com materiais que intensificam o bloqueio dos raios solares são especialmente úteis para os bebês e para as pessoas que toleram mal a ação do sol sobre a pele.

Se você vai viajar para locais em que há muitos mosquitos, leve repelentes. Dependendo do horário, a atividade dos mosquitos é maior. Geralmente, o entardecer é o período mais crítico.

Tão logo a pessoa escolha o lugar para onde vai viajar, deve informar-se sobre a importância de tomar certas vacinas. Há regiões no Brasil e em outros países em que prevalecem doenças que requerem imunização prévia. Você deve informar-se sobre a imunização necessária antes de viajar. Há sites atualizados, como os da Organização Mundial de Saúde,  que contêm as informações necessárias.

Medicamentos em geral

Levar todos os remédios de que a pessoa necessita e em quantidade adequada.

Alguns princípios podem ajudar nessa seleção: em primeiro lugar, procure levar medicamentos que tratam os sintomas: antitérmicos, antialérgicos, antieméticos (remédios para náuseas), analgésicos e anti-inflamatórios, que podem ser úteis na maioria dos casos. Se você não tem uma doença crônica, mas tem um problema que eventualmente aparece – algum tipo de alergia ou enxaqueca, por exemplo — considere a possibilidade de ter consigo um remédio para essas situações. Procure também saber se alguém que viaja com você tem alergia a algum tipo de remédio. É sempre importante contar com uma alternativa.

Você pode conversar com seu médico sobre o uso de antibióticos que são usados em mais de uma situação clínica; dependendo do lugar que será visitado, ter um medicamento desse tipo à disposição pode ser extremamente útil até que a pessoa seja avaliada por um profissional. Lembre-se também de checar as dosagens pediátricas. Como os remédios para crianças têm doses e apresentações específicas, é importante estar corretamente informado sobre elas. Seu médico pode lhe dar as orientações necessárias.

O uso de bandagens, curativos, pomadas, antissépticos e outros dispositivos e substâncias deve ser considerado de acordo com o local e o tempo de viagem. Pessoas que vão visitar ambientes extremos (altitudes elevadas, desertos etc.) devem sempre se informar a respeito dos cuidados e problemas específicos que podem aparecer nesses lugares.

 

Pacientes com doenças crônicas

Pessoas com doenças crônicas devem levar os medicamentos que utilizam diariamente – em quantidade suficiente e com o prazo de validade adequado. Em alguns países, é muito difícil comprar remédios sem prescrição médica, mesmo os mais simples.

Você pode pedir ao seu médico uma declaração para ser apresentada na chegada, caso seja questionado a respeito dos tipos ou quantidade dos medicamentos. Pergunte também (ou consulte a bula) sobre as condições de transporte – alguns remédios necessitam de temperatura e umidade ideais para que se mantenham eficazes.

Algumas doenças crônicas requerem uso esporádico (e não necessariamente diário) de remédios específicos, seja por frequência, como aqueles utilizados semanalmente ou mensalmente, ou porque são utilizados em situações eventuais, como em exacerbações da enfermidade (caso das crises de asma, gota etc.).

Pacientes que utilizam oxigenoterapia contínua precisam informar à companhia aérea ou à rodoviária sobre a necessidade do oxigênio. Geralmente, há algumas informações que devem ser passadas para a empresa de transporte a fim de que ela providencie boas condições de acomodação e garanta o uso de oxigênio.

Se você tem uma doença crônica e planeja uma viagem longa para lugares distantes de grandes centros ou onde o acesso a médicos ou a farmácias pode ser difícil, converse a respeito com seu médico.

 

Viagem com crianças

No mundo, o número de crianças que viaja tem aumentado consideravelmente. Para uma viagem segura e sem surpresas desagradáveis, é fundamental observar os seguintes cuidados:

  • mudanças dos esquemas habituais de vida, de atividades e do ambiente podem ser estressantes para a criança. A inclusão na bagagem de brinquedos familiares e outros objetos representativos para a criança podem diminuir esse estresse;
  • vacinas do calendário de rotina da criança atualizadas. E também são igualmente importantes as vacinas recomendadas de acordo com o destino da viagem;
  • cuidado com a desidratação. As crianças  pequenas e lactentes em viagens estão em alto risco para diarreia e outras doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, o que se deve à limitada imunidade pré-existente da criança e a fatores ambientais, tais como o contato mão/boca. Crianças desidratam mais rapidamente do que adultos. Casos de diarreia – acompanhada de vômitos – são mais preocupantes e exigem atenção. Sendo assim, soro oral pode ser adquirido em farmácia antes da viagem – trata e previne a desidratação e deve ser dado aos poucos na mamadeira ou na colher. Além do soro, oferecer água e outros líquidos. Medidas de prevenção: lavar com frequência as mãos com água e sabão ou usar álcool gel a 70º são hábitos importantes para prevenir diarreias; usar somente água industrializada para beber, preparar alimentos e também para escovar dentes em locais com saneamento deficiente; evitar produtos frescos não pasteurizados e alimentos crus;
  • cuidados com a alimentação. Alimentos seguros são comidas e bebidas preparadas ou servidas de forma a reduzir o risco de transmissão de doenças. São considerados alimentos seguros: comida servida quente; bebidas industrializadas (refrigerantes e água mineral – de preferência com gás); bebidas fervidas (água, chá, café, leite). Evitar: comidas cruas; água sem identificação de origem, sucos e bebidas com gelo (evitar gelo por não se saber a origem da água); comidas (mesmo cozidas) expostas durante longo tempo após o preparo, comida em vendedores ambulantes. Observação: frutas bem lavadas e descascadas por pessoa que cuida da criança representam baixo risco, desde que manipuladas adequadamente. Lavar bem as mãos com água e sabão cada vez que manipular alimentos;
  • precaução contra insetos. Uso de roupas adequadas – vestes claras com calças compridas, mangas compridas, tênis e meias de preferência brancas. Em locais quentes, usar roupas mais leves, porém, tentar reduzir ao máximo a parte exposta do corpo; uso de repelentes – não deve ser usado em crianças menores de 2 meses, deve ser usado quando a criança sai de casa, aplique somente na pele exposta, deve ser aplicado primeiro nas mãos do adulto que o aplica na pele das crianças, não aplique nas mãos das crianças porque elas põem as mãos na boca com frequência, só aplique nas áreas expostas e muito cuidado ao aplicar no rosto, evitando olhos e boca. As crianças devem dormir em quartos com ar-condicionado, ou com janelas e portas teladas;
  • exposição ao sol. As queimaduras solares antes da idade de 15 anos estão fortemente associadas com melanoma e outras formas de câncer de pele. Exposição à luz ultravioleta é maior em áreas perto do Equador, em locais de altas altitudes, no horário de 10 às 16 horas e quando a luz está refletida na água e na neve. Protetores solares são recomendados para uso em crianças com mais de 6 meses de idade. Filtros solares ou bloqueadores solares, sejam físicos (titânio ou óxido de zinco) ou químicos, devem ter o mínimo de  SPF 15, garantindo proteção para os fatores UVA e UVB e devem ser aplicados diretamente na pele e reaplicados após suar e exposição à água. Crianças com menos de 6 meses de idade precisam de proteção extra por causa da pele mais fina e mais sensível. Nessa idade, queimadura severa é considerada emergência médica. Bebês devem ser mantidos na sombra e com roupas cobrindo seu corpo. Existem blusas bloqueadoras solares que dispensam passar o protetor solar no tronco inteiro. Chapéu e óculos escuros reduzem dano solar à pele e olhos. Se ambos – protetor solar e repelente de insetos necessitam ser aplicados simultaneamente, perde-se a eficácia do protetor solar em um terço, portanto, é aconselhável que a criança use roupa que cubra mais o corpo ou então diminua o tempo de exposição ao sol;
  • evitar acidentes – a) relacionados a veículos: viajando em carros ou outros veículos, crianças com menos de 18 kg devem ficar acomodados em assentos de carros apropriados para crianças. Esses assentos devem ser levados de casa pela família para garantir que foram conservados dentro das normas aprovadas; crianças estão bem mais seguras quando sentadas no banco de trás; o cinto de segurança, de grande importância para a proteção, pode não constar em carros de alguns países. b) afogamento: é a 2ª causa mais frequente de morte nos pequenos viajantes. Crianças podem não estar familiarizadas com as ameaças nos oceanos e rios. Piscinas podem não contar com pessoal treinado para qualquer eventualidade de risco de afogamento, portanto, supervisão próxima à criança na água é essencial; equipamentos apropriados para viagens de barco ou lancha, tal como colete salva-vidas, podem não estar disponíveis em determinados países; calçados adequados para proteção dos pés a fim de evitar danos em ambientes marinhos; evitar nadar em lagos e rios;
  • viagens aéreas. Embora viagens aéreas sejam seguras para recém-nascidos, lactentes e crianças, alguns pontos devem ser considerados – crianças com problemas crônicos do coração ou do pulmão têm risco de hipóxia durante o voo e o médico deve ser consultado antes da viagem; assegurar-se de que a criança está bem presa durante o voo por causa das turbulências. Tanto as crianças menores de 1 ano (pesando menos de 9 kg) quanto as maiores de 1 ano (pesando entre 9 e 18 kg) devem ser colocadas em assento especial aprovado pelo órgão responsável; as que possuem mais de 18 kg podem ficar seguras no assento normal do avião, sempre com cinto de segurança. É comum acontecer dor de ouvido intensa durante a descida do avião, equalização da pressão do ouvido médio pode ser facilitada com o ato de mastigar ou engolir: os lactentes devem ser amamentados ou sugar uma mamadeira e as crianças maiores podem chupar balas ou mascar chicletes; não há evidências de que viagens aéreas exacerbem os sintomas ou complicações associadas à otite média. Lembre-se que o jet lag, bem como mudanças na rotina da criança, pode causar distúrbios do sono e irritabilidade. Ao chegar ao local de destino, a criança deve ser estimulada a ter atividades externas durante as horas claras do dia para adaptação dos novos horários.

Agora e só fazer as malas!

Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
Não tome nenhum medicamento sem prescrição médica.
Consulte sempre o seu médico.