Qual é a sua idade EMOCIONAL?

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SET/12 – pág. 55

Esta pergunta é algo bem presente na minha mente de psicoterapeuta e tento ajudar meus clientes a responderem-na. Para tal, utilizo métodos variados, mas vou resumir a questão com o artigo de uma colega, Judith Sills, PhD.

Muito embora todos tenham a mesma idade cronológica, emocionalmente, essa idade poderá ser diferente. A idade emocional tem a ver com o desenvolvimento psicológico. O ideal é que todos cresçam num ambiente de amor e sem estresse. Quando isso acontece, os dois tipos de idade aproximam-se. No entanto, se crescemos com dificuldades, pressões, abusos, é muito provável que, emocionalmente, tenhamos idade inferior ou superior àquela que temos na realidade. Muitas vezes, oscilamos entre as duas. Eu explico: quando visitamos a casa dos nossos pais, por exemplo, às vezes, sentimos e atuamos como atuávamos quando criança ou adolescente. Se estou em uma relação, às vezes, tanto posso me ver na defensiva (atuando infantilmente), como posso fazer críticas e juízos (portando-me como uma pessoa amargada e envelhecida), como ter as duas atitudes. A idade cronológica é progressiva, mas a emocional é o acúmulo da maturidade, facilmente comprometida quando nos estressamos.

Há cinco idades emocionais: bebê, criança, adolescente, pai/mãe exageradamente juiz e adulto. O bebê emocional, quando precisa de algo, exige-o: “Se me amasse, me dava!”

A criança emocional quando quer algo, arranja alguma maneira de ganhar, queixando-se, tornando-se amuado, acusando, fazendo às escondidas. O adolescente emocional tanto gosta de ser independente, como gosta que cuidem dele, por exemplo: “não vou telefonar para meu marido, pois o avião vai chegar tarde. Não tenho que lhe dar satisfações”. Outras vezes, “por que ele não foi me buscar no aeroporto? Será que ele não sabe que preciso de ajuda com as malas?” Tanto gosta de tudo, como de nada, e às vezes de ambas as coisas ao mesmo tempo.

O pai/mãe exagerado/a faz exigências com juízos, ameaças e comandos, utilizando muito palavras como: “tem que,” “deve,” “isso não se faz!” “que injustiça!” etc. O adulto emocional reconhece e assume as suas próprias necessidades e reconhece que as outras pessoas podem ter desejos opostos. Está disposto a chegar a um acordo, a encontrar um meio-termo, ou a fazer sacrifícios mútuos sem rancor ou intimidação.

A solução para esta inevitável tendência humana de comportamentos emocionais pouco desejados é: tentar se forçar ao comportamento do adulto emocional, reconhecendo e admitindo quando se portou infantilmente.

É preciso consciência (e também humildade e coragem). Não o fazemos porque temos orgulho ou medo. De quê? De ser humilhado, controlado, abandonado. É bom verificar a origem de tudo isso, pois, frequentemente, a pessoa em questão não tem nada a ver com tudo isso. Verbalizar as questões diminui o peso emocional e é meio caminho para a solução. Todos passam por isso. Vamos focar no amor entre as pessoas – menos em “ganhar a discussão”, mais em solucioná-la. Como dizia a Dra. Sills: “A idade cronológica marca quantos anos temos de vida, mas a emocional reflete o que fizemos durante esse tempo”.

Rosario Ortigao, LMHC, MAC
Conselheira de Saúde Mental
407 628-1009
rosario@ortigao.com