Estudo inovador sobre doença renal em Orlando

Estudo inovador sobre doença renal em Orlando

A cidade receberá renomados médicos, enfermeiros e nutricionistas para estudo revolucionário com pacientes com grave doença renal e que resistem a medicamentos. Crianças e adolescentes ficarão acampados durante 30 dias para obter tratamento

Edição de julho/2017 – pág. 18

Um estudo revolucionário, envolvendo médicos, enfermeiros, nutricionistas e pesquisadores, acontecerá na cidade de Orlando a partir do dia 22 de Julho – com duração de um mês –, sob a supervisão do renomado Dr. Leonardo V. Riella, Professor Assistente de Medicina da “Harvard Medical School” e médico-Cientista do “Brigham and Women’s Hospital (BWH)” em Boston. Trata-se de pesquisa para encontrar a causa da doença glomerulosclerose segmentar focal (FSGS), que afeta um tipo de célula especial que forma a barreira do filtro renal, identificada como podócitos. Os glomérulos são responsáveis pela filtração do sangue para remover substâncias indesejadas pela urina. E caso não seja tratado adequadamente pode evoluir a insuficiência renal. “A lesão dessas células causa vazamento de proteína na urina e, a longo prazo leva a cicatrização do rim, se transformando em doença grave”, relata o Dr. Leonardo. “O nosso estudo é para entender o porquê de pacientes que não reagem aos medicamentos. Pessoas que desenvolveram a doença, sensíveis a derivados do leite e do glúten, com perda constante de proteína na urina”.

O estudo da “Harvard University” visa encontrar o medicamento adequado, que possa socorrer pacientes tratados sem respostas mediante ao quadro agravante da doença. Um acampamento para receber crianças e adolescentes enfermos está sendo organizado em Orlando. É a primeira vez que pacientes serão tratados e avaliados por equipe médica em campo aberto. Informa o médico que para o desenvolvimento desse estudo foram selecionados 21 pacientes – com idade entre dois a 21 anos -, que estarão acompanhados dos pais durante o tratamento, se submetendo a uma dieta rigorosa, supervisionada por nutricionistas.

“São crianças que desenvolveram a doença e que não respondem aos medicamentos. Elas serão acompanhadas diariamente pela nossa equipe, durante um mês, período que haverá coleta diária de sangue, urina e fezes. Esses pacientes vêm de países como Brasil, Peru, Holanda, Bélgica e Estados Unidos, após avaliação feita em 150 crianças e adolescentes. Estou confiante que através dessa dieta especial, possamos diminuir a ativação do sistema imunológico e as bactérias no intestino. É um procedimento inovador, revolucionário, pois nunca antes um paciente foi tratado em campo aberto. Não se faz um estudo em acampamento. Queremos saber quem são esses pacientes e o porquê de o organismo não reagir ao medicamento”, enfoca.

Dr. Leonardo V. Riella
Dr. Leonardo V. Riella

Indagado sobre as causas da glomerulosclerose segmentar focal (FSGS), e se é doença hereditária, disse Dr. Leonardo que existem três principais causas potenciais das FSGS primárias que podem levar a anormalidades podocitárias. “Mutação genética para um dos principais genes de podócitos; toxicidade de drogas para os podócitos e proteína ou célula circulante tóxica que leva a lesão podócita. A natureza exata desta proteína é desconhecida. Nós levantamos a hipótese de que uma exposição dietética pode desempenhar um papel importante na lesão renal, que leva a vazamento de proteínas”, enfatiza.

Necessidade de transplante

“O FSGS primário é a causa mais comum de doença glomerular nos Estados Unidos, afetando crianças e adultos”, diz. Sobre as consequências da doença, explica o médico, “o FSGS é uma das principais causas de cicatrização renal e progressão para a doença renal em estágio final, particularmente em pacientes com síndrome nefrótica persistente. Uma vez que os rins são menos de dez por cento funcionais, os pacientes precisarão de diálise ou transplante”, informa.

Quanto ao tratamento eficaz da doença, acrescenta o médico, “infelizmente, não há cura para esta doença e até mesmo pacientes que respondem à terapia frequentemente têm recidivas de cinquenta por cento, e muitos avanços para a doença renal em fase terminal que requer transplante. Para aqueles que sofrem transplante, até cinquenta por cento dos pacientes com FSGS têm recorrência da mesma doença no novo rim, sugerindo que um fator circulante subjacente ou célula pode estar levando a lesão em uma parcela significativa dos pacientes”, orienta.

Segundo Dr. Leonardo Riella, não se trata de doença alérgica, mas uma sensibilidade na alimentação com os alimentos derivados de lactação. “Investiguei o sistema imunológico do paciente, e no estudo verificou-se que o paciente que tem alergia não apresentou sintomas alérgicos. Fizemos testes com pacientes sem exposição à medicação para saber o porquê de a medicação funcionar em alguns pacientes e em outros não fazer efeito. Os testes com uma dieta especial tiveram resultados positivos”, conta. “Estamos evoluindo, no caminho certo para saber o porquê pacientes não respondem ao tratamento. E seguir uma dieta restrita é difícil, mas necessária. No acampamento, a dinâmica do estudo será mais eficaz. Estamos imbuídos na missão de encontrar uma solução para amenizar o sofrimento destes pacientes”.

“A criança que desenvolve a doença fica limitada, pois está suscetível a infecções e os pais não a leva a locais públicos, preservando a sua saúde. Isso é ruim porque a criança não interage com as outras crianças, de certa forma, ficando isolada. O ambiente é importante nesse caso. E é por esse motivo que não medimos esforços para seguir em frente com as pesquisas. É importante que os pais e os pacientes cobrem das autoridades para que os estudos avancem cada vez mais. A reivindicação é extremamente importante, pois trata-se de vidas”, incentiva.

Durante estudo com crianças e adolescentes no acampamento em Orlando, Dr. Leonardo fala que, “no estudo GENIE, determinaremos o efeito de uma dieta sem glúten em proteinúria, função renal, microbiota intestinal, estado imune sistêmico e biomarcadores renais de lesões. Os pacientes também serão geneticamente caracterizados e investigados por potenciais causas genéticas de SN que podem influenciar a resposta ao tratamento e alergias alimentares não reconhecidas”, finaliza.

Carreira de sucesso

Natural da cidade de Curitiba, no Paraná, o Dr. Leonardo V. Riella é formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná. É Professor Assistente de Medicina da “Harvard Medical School” e “Médico-Cientista do Brigham and Women’s Hospital (BWH)” em Boston. É Diretor Médico de “Transplante de Tecidos Compostos Vascularizados” e Diretor Associado de “Transplante de Rim na BWH”. Também é membro associado do “Broad Institute of Harvard e MIT”, e editor do “American Journal of Transplantation”. Ele completou sua Residência de Medicina Interna na BWH e sua Bolsa de Nefrologia e Transplante no programa combinado BWH e “Hospital Geral de Massachusetts”, “Harvard Medical School”.