A água que chega às torneiras dos Estados Unidos passa por um dos sistemas de monitoramento mais rigorosos do mundo, mas isso não impede que milhares de sistemas públicos de abastecimento registrem, todos os anos, violações aos padrões estabelecidos pela Safe Drinking Water Act, a principal legislação federal que regula a qualidade da água destinada ao consumo humano. Um novo levantamento revela quais estados concentram o maior número dessas ocorrências, e a Flórida aparece entre os primeiros colocados.
O que mostra o novo levantamento
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) não publica um ranking oficial dos estados com a água mais contaminada, mas análises independentes baseadas em sua base de dados permitem identificar onde se concentra o maior número de violações. Um dos levantamentos mais recentes, feito pela plataforma PlainWater com base em registros oficiais da EPA, reforça conclusões já apresentadas anteriormente pela revista especializada Waste360.
Segundo a análise, o Texas lidera o levantamento, com mais de 23 mil violações registradas na base federal de dados. Em seguida aparecem Califórnia, com mais de 16 mil ocorrências, e Pensilvânia, com mais de 15 mil. A Flórida ocupa a quarta posição, com mais de 12 mil registros.
Veja o ranking completo dos dez estados com mais violações:
- Texas
- Califórnia
- Pensilvânia
- Flórida
- Illinois
- Ohio
- Nova York
- Michigan
- Carolina do Norte
- Geórgia
É importante destacar que esses números representam registros acumulados em milhares de sistemas públicos de abastecimento espalhados pelos estados, e não significam que toda a água distribuída à população esteja contaminada ou imprópria para consumo.
Por que a Flórida aparece entre os primeiros colocados
Com mais de 23 milhões de habitantes, a Flórida depende principalmente do Aquífero Floridano, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta, responsável por abastecer cerca de 90% da população do estado. O crescimento populacional acelerado e a expansão urbana aumentam continuamente a demanda por água, exigindo investimentos permanentes na modernização da infraestrutura de captação, tratamento e distribuição.
O estado também conta com milhares de sistemas públicos de abastecimento, muitos deles de pequeno porte e administrados por municípios ou concessionárias locais. Segundo a própria EPA, sistemas menores costumam enfrentar mais dificuldade para cumprir todas as exigências de monitoramento e investir em tecnologias mais avançadas de tratamento.
Quais contaminantes mais preocupam
Entre os contaminantes mais frequentemente associados às violações registradas pela EPA estão as substâncias per e polifluoroalquiladas, conhecidas como PFAS ou químicos eternos, além de chumbo, arsênio, nitratos provenientes da atividade agrícola, microrganismos como a bactéria Escherichia coli e subprodutos do processo de desinfecção da água. Alguns estudos científicos relacionam os PFAS a certos tipos de câncer, alterações hormonais, comprometimento do sistema imunológico e efeitos sobre o desenvolvimento infantil.
O que a Flórida vem fazendo para melhorar o cenário
Nos últimos anos, a Flórida ampliou o monitoramento de contaminantes emergentes, enquanto autoridades estaduais passaram a destinar recursos para a substituição de tubulações antigas, a proteção dos aquíferos e a expansão das estações de tratamento. O objetivo é reduzir riscos à saúde pública e garantir a segurança do abastecimento diante do crescimento contínuo da população.
Especialistas reforçam que esses levantamentos não medem a qualidade média da água de cada estado, nem significam que toda a população esteja exposta à água contaminada. As violações são registradas individualmente por sistema de abastecimento e podem estar concentradas em municípios específicos, enquanto outras localidades do mesmo estado atendem integralmente aos padrões federais de qualidade.







