Educadores da Flórida Central afirmam que salários não acompanham o custo de vida e muitos pensam em abandonar a profissão – US$ 200 milhões para reajustes salariais
Ser professor na Flórida tem se tornado um desafio cada vez maior. Apesar dos recentes investimentos do governo estadual na educação, milhares de educadores continuam enfrentando dificuldades para pagar as contas, principalmente o aluguel, diante do aumento acelerado do custo de vida.
Reportagem revelou que o salário médio de um professor na Flórida gira em torno de US$ 56 mil por ano, valor que permanece cerca de US$ 18 mil abaixo da média nacional. A diferença salarial, somada à alta dos preços dos imóveis, vem pressionando profissionais que dedicam anos à educação pública.
A professora Lindstrom, que se mudou do Arizona para o Condado de Orange em 2020, contou que levou um choque ao receber sua proposta de trabalho. Mesmo com anos de experiência e cinco diplomas acadêmicos, ela passou a ganhar aproximadamente US$ 20 mil a menos do que recebia anteriormente. Segundo ela, a situação chegou a um ponto insustentável.
Levantamento baseado em dados do Zillow mostra que um professor que recebe o salário médio estadual conseguiria comprometer cerca de US$ 1.400 por mês com moradia seguindo a recomendação financeira de gastar, no máximo, 30% da renda com aluguel. No entanto, apartamentos de um quarto próximos a diversas escolas da Flórida Central custam entre US$ 1.600 e US$ 2.000 mensais, tornando praticamente impossível morar perto do local de trabalho.
A pressão financeira tem levado muitos profissionais a considerar abandonar a carreira. A própria Lindstrom revelou que esteve muito próxima de pedir demissão durante o ano letivo por não saber como pagaria suas despesas.
Diante da crise, o deputado federal americano Darren Soto defende investimentos em programas de moradia acessível voltados especificamente para professores do Condado de Orange. Segundo ele, garantir que os educadores consigam viver perto das escolas é fundamental para atrair e manter profissionais qualificados nas salas de aula.
Enquanto isso, o orçamento estadual para 2026 destinou cerca de US$ 200 milhões para reajustes salariais destinados principalmente a professores com mais de dez anos de experiência, que poderão receber aumentos de até US$ 3 mil. Especialistas, porém, afirmam que a medida ainda está longe de resolver o problema da defasagem salarial e do alto custo de vida enfrentado pelos educadores da Flórida.








