Criando filhos longe do Brasil: o que eu vi em um torneio de tênis

Criando filhos longe do Brasil: o que eu vi em um torneio de tênis

Na manhã de Domingo, do dia 19 de abril de 2026, o IF You Open tomou conta das quadras do USTA National Campus. Mas o que aconteceu ali não cabe na palavra “torneio”.

O sol estava forte. O calor também. Pais nas arquibancadas, atentos, vibrando a cada ponto. Em quadra, crianças nervosas, concentradas, animadas, dando tudo de si. A cada ponto e boa jogada, aplausos. A cada erro, um suspiro coletivo.

E o mais bonito: não existia torcida dividida. Todos torciam por todos. Todos sofriam por todos. Aquilo não era sobre adversários. Era sobre pertencimento.


______continua após a publicidade_______

seguro


Em uma das quadras, uma das crianças se jogou no chão para alcançar a bola e ralou o joelho. Do outro lado, o oponente parou. Não aproveitou o ponto. Quis saber se o amigo estava bem. Em outra, uma mãe dizia ao filho, visivelmente nervoso por estar perdendo: “Não perde a diversão. Se divertir é tão importante quanto ganhar.”

Ali, sem discurso e sem teoria, ficou claro: não estavam formando apenas jogadores. Estavam formando pessoas.

E eu não observo isso de fora. Eu vivo isso.

Meus três filhos estão ali. Alice, no nível intermediário. Laís e Samuel, no iniciante. E o que eles recebem vai muito além de técnica. Eles aprendem empunhadura, movimentação, controle de bola, mas também a lidar com frustração, a respeitar o tempo do outro e a continuar mesmo quando erram. Recebem correção, incentivo e atenção. São vistos.

E nós, como pais, também somos.

Porque quem vive a imigração sabe: criar filhos longe do Brasil não é simples. Falta rede, falta apoio, falta chão. Mas ali, dentro da IF You Foundation, existe algo raro: um abraço.

Um ambiente onde nossos filhos têm nome, história e espaço. Onde pertencem. E onde nós também pertencemos.

No centro de tudo isso está Fernanda Pontes. E falar dela não é simples.

Fernanda se emociona. Às vezes chora. Vibra com cada conquista como se fosse dela. Corrige quando precisa e incentiva sempre. Mas, acima de tudo, ela acredita. Acredita de verdade em cada criança que entra ali.

Não existe distância. Não existe formalidade. Existe presença. Ela está perto, observa, orienta, cuida. E isso muda tudo.

Porque o que acontece ali não é apenas organização. É gente sendo formada. É vida sendo acompanhada de perto.

Existe um amor no jeito como ela faz tudo isso que não dá para fingir. Não é discurso bonito. É compromisso. É intenção. É excelência que aparece nos detalhes. Um amor que corrige sem ferir, que exige sem afastar, que acolhe sem perder o propósito.

E, quando você percebe, entende: está diante de alguém que decidiu caminhar junto. E isso faz toda a diferença.

Ao lado dela, o Head Coach Rodrigo Paixão, que ensina com aquilo que o próprio nome carrega: paixão e disciplina. Um homem de poucas palavras, olhar firme, mas com um coração enorme. E isso muda destinos.

Nesse torneio, tivemos convidados especiais que jogaram em duplas com as crianças mais avançadas. Cada adulto “adotou” uma criança, orientou, incentivou e caminhou junto. Os níveis intermediários competiram entre si, enquanto os iniciantes participaram de uma clínica, aprendendo fundamentos que, para muitos, talvez nunca fossem acessíveis.

E, por trás de tudo isso, existe uma estrutura que sustenta esse sonho. Com o apoio de parceiros como a USTA Foundation e o Bradesco Bank, a IF You Foundation consegue oferecer às nossas crianças algo que vai muito além do esporte: oportunidade.

E talvez esse seja o ponto.

Nem todos venceram o torneio. Meus filhos, por exemplo, não venceram desta vez. Mas eu vi nos olhos deles, e de todas as outras crianças, algo muito maior do que qualquer troféu. Eu vi alegria pelo outro. Eu vi respeito. Eu vi crescimento.

No caminho de volta para casa, Samuel, meu filho de 9 anos, disse algo que eu jamais conseguiria descrever melhor:

“Hoje foi incrível. Eu não ganhei o torneio, mas eu ganhei aprendizado. E amanhã talvez eu possa ganhar. Mas se eu não ganhar, eu vou continuar treinando e aprendendo, porque eu amo tênis e meu coração está feliz.”

E é exatamente aí que está o valor de tudo isso.

Não é sobre ganhar. Nunca foi. É sobre formar algo dentro dessas crianças que ninguém tira depois.

Criar filhos longe do Brasil não é fácil. Mas existem lugares que devolvem para eles, e para nós, aquilo que parecia distante: pertencimento, apoio e esperança.

E, às vezes, tudo começa assim: com uma quadra, uma raquete… e um coração sendo moldado em silêncio.

FOTOS: Vinicius Marmo

Autor

  • Raquel Cadais Amorim

    /// Mãe, esposa, pastora, palestrante, especialista em Desenvolvimento Humano na Gestão de Projetos com bacharelado em Ciências da Computação e feliz!



____________________publicidade___________________

seguro

anuncie