Especialistas alertam que os efeitos do conflito sobre a cadeia global de suprimentos continuarão pressionando preços mesmo após o fim das hostilidades. Setor de alimentos enfrenta desafios
Os preços da gasolina, dos alimentos e das passagens aéreas podem permanecer elevados por vários meses, mesmo que o conflito envolvendo o Irã chegue ao fim. A avaliação é de especialistas das áreas de energia, transporte e economia, que apontam que os impactos da guerra sobre a cadeia global de suprimentos continuarão sendo sentidos por consumidores em diversos países.
Durante o conflito, a instabilidade no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo — provocou aumento nos custos de energia, transporte marítimo e logística internacional. Embora os preços do petróleo tenham começado a recuar após sinais de um possível acordo para encerrar as hostilidades, a recuperação completa do mercado deve levar tempo.
Especialistas explicam que os combustíveis comercializados atualmente foram adquiridos pelas distribuidoras quando os preços do petróleo estavam mais elevados. Por isso, eventuais reduções no valor do barril não chegam imediatamente aos postos. Além disso, limitações na capacidade de refino e gargalos logísticos podem retardar ainda mais a queda dos preços ao consumidor.
O setor de alimentos também enfrenta desafios. O aumento dos custos de transporte e a escassez de fertilizantes provocada pelas interrupções nas exportações da região elevaram os gastos dos produtores rurais. Analistas afirmam que os reflexos podem afetar a produção agrícola mundial por vários meses, mantendo a pressão sobre os preços de itens básicos nos supermercados.
As companhias aéreas também continuam sentindo os efeitos da crise. O combustível de aviação representa uma das maiores despesas do setor, e muitas empresas operam com contratos de compra de longo prazo. Como consequência, as tarifas aéreas tendem a permanecer mais altas durante a temporada de verão no Hemisfério Norte, mesmo com a recente queda nos preços do petróleo.
Embora os mercados tenham reagido positivamente às negociações para encerrar a guerra e reabrir completamente o Estreito de Ormuz, analistas alertam que a normalização das cadeias globais de abastecimento poderá levar meses e, em alguns casos, até anos. Danos à infraestrutura energética, atrasos no transporte marítimo e a necessidade de recomposição de estoques continuam sendo fatores de risco para a inflação mundial.
Economistas destacam que a redução dos preços ao consumidor costuma ocorrer de forma mais lenta do que os aumentos registrados durante períodos de crise. Por isso, mesmo após o fim das operações militares, famílias e empresas ainda deverão conviver por algum tempo com custos mais elevados para abastecer veículos, comprar alimentos e viajar.







