Um movimento silencioso, mas cada vez mais expressivo, está mudando o perfil migratório dos Estados Unidos. Pela primeira vez desde a Grande Depressão, o saldo migratório do país ficou negativo, com mais cidadãos americanos deixando o território nacional do que estrangeiros entrando para viver por lá.
O tamanho do êxodo
Segundo uma análise do Censo dos Estados Unidos, citada pelo Wall Street Journal, cerca de 180 mil cidadãos americanos deixaram o país no último ano para viver no exterior. O instituto de pesquisa Brookings Institution estima que o saldo negativo de migração, ou seja, a diferença entre quem chega e quem sai do país, tenha ficado em torno de 150 mil pessoas.
Outro indicador reforça a tendência: o número de americanos que renunciaram formalmente à cidadania dos Estados Unidos, que costumava girar entre 200 e 400 casos por ano antes de 2009, chegou a quase 5.000 em 2025, o maior volume desde 2020.
O desejo de ir embora também cresce nas pesquisas
Um levantamento do instituto Gallup, realizado em 2025, mostrou que 20% dos americanos afirmam que gostariam de deixar os Estados Unidos de forma permanente, o dobro do percentual registrado em 2015. Entre mulheres de 15 a 44 anos, esse número sobe para 40%, quatro vezes mais do que o registrado no mesmo grupo em 2014.
Por que os americanos estão saindo
Apesar de muita gente associar essa tendência apenas ao cenário político mais recente nos Estados Unidos, especialistas afirmam que a decisão de emigrar costuma envolver uma combinação de fatores. Segundo a socióloga Helen Marrow, da Universidade Tufts, em Massachusetts, questões econômicas, interesse por novas experiências culturais, redes de contato pessoais e o acesso a informações por meio das redes sociais têm peso tão grande quanto, ou até maior, do que as preocupações políticas na hora de decidir se mudar.
O relato de Jessica Cuevas, que se mudou de Chicago para o México com a família no ano passado após um ano de planejamento, ilustra esse movimento: para ela, a decisão teve relação direta com oportunidades de trabalho. Hoje, ela usa as redes sociais para ajudar outros americanos interessados em fazer o mesmo caminho.
Portugal e México entre os destinos mais procurados
Países como Portugal e México têm se destacado como destinos preferidos entre os americanos que buscam uma vida mais barata ou novas oportunidades profissionais no exterior. Eventos presenciais voltados para quem pensa em se mudar para Portugal, organizados por consultorias especializadas como a Optimize Investment Partners, vêm se tornando cada vez mais concorridos, reunindo dezenas de interessados em entender questões práticas como tributação, prazos de residência e cronograma de mudança.







