Memória

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MAI/13 – pág. 62

254866_10151275530342608_253688046_nA memória é a capacidade de adquirir (aquisição), armazenar (consolidação) e recuperar (evocar) informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória biológica); seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial).
A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade. É um processo que conecta pedaços de memória e conhecimentos a fim de gerar novas ideias, ajudando a tomar decisões diárias.
Os neurocientistas (psiquiatras, psicólogos e neurologistas) distinguem memória declarativa de memória não declarativa. A memória declarativa, grosso modo, armazena o saber de algo que se deu, e a memória não declarativa: o como isso se deu.
A memória declarativa, ou de longo prazo como o nome sugere, é aquela que pode ser declarada (fatos, nomes, acontecimentos etc.) e é mais facilmente adquirida, mas também mais rapidamente esquecida.
Psicólogos distinguem dois tipos de memória declarativa, a memória episódica e a memória semântica. As lembranças de acontecimentos específicos são instâncias da memória episódica, enquanto que as lembranças de aspectos gerais são da memória semântica.
Já a memória não declarativa, também chamada de implícita ou procedural, inclui procedimentos motores, tais como andar de bicicleta, desenhar com precisão ou quando nos distraímos e vamos no “piloto automático” (quando dirigimos). Essa memória não atinge o nível de consciência. Ela, em geral, requer mais tempo para ser adquirida, mas é bastante duradoura.
Memória, segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada durante a vida.

Tipos de memória

  • Memória declarativa: É a capacidade de verbalizar um fato. Classifica-se por sua vez em:
    • Memória imediata: É a memória que dura de frações a poucos segundos. Um exemplo é a capacidade de repetir imediatamente um número de telefone que é dito. Esses fatos são completamente esquecidos após um tempo, não deixando “traços”.
    • Memória de curto prazo: É a memória com duração de alguns segundos ou minutos. Neste caso, existe a formação de traços de memória. O período para a formação destes traços chama se “período de consolidação”. Um exemplo desta memória é a capacidade de lembrar eventos recentes que aconteceram nos últimos minutos.
    • Memória de longo prazo: É a memória com duração de dias, meses e anos. Um exemplo são as memórias do nome e idade de alguém quando se reencontra essa pessoa alguns dias depois. Como engloba um tempo muito grande, pode ser diferenciada em alguns textos como memória de longuíssimo prazo quando envolve memória de muitos anos atrás.
  • Memória de procedimentos: É a capacidade de reter e processar informações que não podem ser verbalizadas, como tocar um instrumento ou andar de bicicleta. Ela é mais estável.

Hoje, é possível afirmar que a memória não possui um único locus. Diferentes estruturas cerebrais estão envolvidas na aquisição, armazenamento e evocação das diversas informações adquiridas.
As memórias que incluem lembrança de odores têm tendência a serem mais intensas e emocionalmente mais fortes. Um odor que tenha sido encontrado só uma vez na vida pode ficar associado a uma única experiência e, então, a sua memória pode ser evocada automaticamente quando voltamos a reencontrar esse odor. E a primeira associação feita com um odor parece interferir na formação de associações subsequentes (existe uma interferência proactiva). É o caso da aversão a um tipo de comida. A aversão pode ter sido causada por um mal-estar que ocorreu num determinado momento apenas por coincidência, nada tendo a ver com o odor em si; e, no entanto, será muito provável que ela sempre volte a aparecer no futuro associada a esse odor.
No caso das associações visuais ou verbais, há uma interferência retroativa. Estas podem ser facilmente perdidas quando uma nova associação surge (por exemplo, depois de memorizarmos o novo número do nosso celular, torna-se mais difícil lembrarmo-no do antigo).

Fatores relacionados com a perda de memória

student-thinkingAmnésia
Amnésia é a perda parcial ou total da capacidade de reter e evocar informações. Qualquer processo que prejudique a formação de uma memória a curto prazo ou a sua fixação em memória a longo prazo pode resultar em amnésia.
As amnésias podem ser classificadas em amnésia orgânica, causada por distúrbios no funcionamento das células nervosas, através de alterações químicas, traumatismos ou transformações degenerativas que interferem nos processos associativos acarretando a diminuição na capacidade de registrar e reter informações; ou amnésia psicogênica, resultante de fatores psicológicos que inibem a recordação de certos fatos ou experiências vividas. Em linhas gerais, a amnésia psicogênica atua para reprimir da consciência experiências que causam sofrimento, deixando a memória intacta para informações neutras. Nesse caso, pode-se afirmar que a pessoa decide inconscientemente esquecer o que a faz sofrer ou reviver um sofrimento. Em casos severos, quando as lembranças são intoleráveis, o indivíduo pode vivenciar a perda da memória tanto de fatos passados quanto da sua própria identidade.
As amnésias podem ainda ser divididas em termos cronológicos, em amnésia retrógrada e amnésia anterógrada. A amnésia retrógrada é a incapacidade de recordar os acontecimentos ocorridos antes do surgimento do problema, enquanto a amnésia anterógrada é a incapacidade de armazenar novas informações a longo prazo.
A depressão é a causa mais comum, porém a menos grave. Denomina-se depressão uma doença psiquiátrica, que inclui perda do ânimo e tristeza profunda superior ao mal causado pelas circunstâncias da vida.

Doença de Alzheimer
Uma porção significativa da população acima dos 50 anos sofre de alguma forma de demência. A mais comum é a doença de Alzheimer, na qual predomina a perda gradativa da memória, pois ocorrem lesões inicialmente nas áreas cerebrais responsáveis pela memória declarativa, seguidas de outras partes do cérebro.

Outros fatores
A doença de Parkinson, nos estágios mais severos, o alcoolismo grave, uso abusivo da cocaína ou de outras drogas, lesões vasculares do cérebro (derrames), o traumatismo craniano repetido e outras doenças mais raras também causam quadros de perda de memória.

Quando a perda de memória não é normal?
Com o passar dos anos, algum grau de perda de memória é esperado. No entanto, há outros sinais de alerta que sugerem que uma pessoa com perda de memória tem algo “a mais” do que o envelhecimento. São eles:

  • incapacidade para recordar acontecimentos recentes;
  • incapacidade de lembrar-se de uma tarefa sem um lembrete por escrito;
  • dificuldade para realizar tarefas diárias e afazeres simples;
  • incapacidade para realizar tarefas um pouco mais complexas, como dirigir ou pagar contas;
  • desconhecimento de que você tem perda de memória;
  • mostrar falta de bom senso;
  • apresentar significativas alterações comportamentais, tais como preocupação, agitação ou desconfiança excessiva.

Apertar a mão fechada unilateralmente aumenta a atividade neuronal no lobo frontal do hemisfério contralateral. Esse aperto de mão também está associado ao aumento do “modo de processamento” de determinado hemisfério cerebral. Juntos, esses resultados sugerem que o aperto unilateral da mão pode ser usado para testar hipóteses sobre as especializações dos hemisférios cerebrais durante a codificação da memória e a sua recuperação.
Esta possibilidade foi estudada por seus efeitos sobre o processamento das memórias episódicas. O modelo chamado de assimetria hemisférica da codificação e recuperação HERA [The hemispheric Encoding/Retrieval Asymmetry (HERA) model] propõe que as regiões do córtex pré-frontal esquerdo estão mais associadas à codificação de memórias episódicas e a região do córtex pré-frontal direito à recuperação deste tipo de memória. Foi sugerido que apertar a mão direita (ativação do hemisfério esquerdo) ajuda na pré-codificação e apertar a mão esquerda (ativação do hemisfério direito) ajuda na recuperação de memórias episódicas, Isso resultaria em melhoria do processo de memorização. Os resultados do presente trabalho, publicados no periódico PLOS One, apoiaram o modelo HERA.
Medidas com eletroencefalograma (EEG) demonstram que apenas 90 segundos de aperto da mão esquerda aumenta a atividade do hemisfério direito e apertar a mão direita de maneira semelhante aumenta a atividade do hemisfério esquerdo.
Os efeitos do aperto de mão unilateral sobre o estado emocional/motivacional já foram documentados e pelo menos alguns estudos têm avaliado a ativação hemisférica via aperto de mão unilateral, a fim de testar hipóteses relacionadas às contribuições hemisféricas assimétricas ao processamento perceptual. No entanto, nenhuma pesquisa até o momento havia examinado a cognição e, em particular, o processamento da memória, como uma função de ativação do hemisfério induzida via aperto de mão unilateral. Futuras pesquisas poderão examinar essa hipótese mais profundamente.

Elaine Peleje Vac
elaine@nossagente.net
(Médica no Brasil)
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