ICE bate recorde de prisões em julho após reforço bilionário e contratação de 12 mil agentes

ICE bate recorde de prisões em julho após reforço bilionário e contratação de 12 mil agentes

A fiscalização migratória nos Estados Unidos atingiu seu ritmo mais intenso desde o início do atual governo. O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) prendeu 49.571 pessoas em julho, o maior número já registrado em um único mês desde a posse de Donald Trump para o segundo mandato, com Texas e Flórida concentrando juntos quase 20 mil dessas detenções.

Uma escalada constante nos últimos meses

O total de julho representa um crescimento de 15% em relação a junho, quando 43.021 pessoas haviam sido detidas, e um salto de 70% em comparação a fevereiro, quando o número havia caído para 29.241 detenções, período que sucedeu a intensificação das operações do governo em Minnesota. No mês anterior à posse de Trump, em janeiro de 2025, a agência registrava pouco mais de 8 mil detenções mensais, a maioria envolvendo imigrantes já transferidos de prisões estaduais ou municipais. Em dezembro do ano passado, o total já havia ultrapassado 40 mil detenções.

Os dados foram fornecidos pelo próprio ICE ao Deportation Data Project, projeto de pesquisa mantido pelas universidades da Califórnia em Berkeley e Los Angeles, e analisados pela Associated Press.


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Por que Texas e Flórida concentram tantas detenções

Os dois estados se tornaram peças centrais da estratégia de deportação em massa do governo Trump graças aos chamados acordos 287(g), mecanismo federal que permite que forças policiais estaduais e municipais atuem, na prática, como uma extensão da fiscalização migratória federal. Um caso recente ilustra esse tipo de cooperação: em Key West, na Flórida, um funcionário de 36 anos de um restaurante local, que havia fugido do Haiti em 2017 após receber ameaças de morte, foi detido pela polícia local e entregue ao ICE. Segundo o gerente do estabelecimento, o funcionário atuava como cozinheiro e supervisor e era o principal responsável pelo sustento de sua família.

O que explica o aumento na capacidade de fiscalização

O salto nas detenções também coincide com o fortalecimento orçamentário e estrutural da agência. Depois de receber um reforço de US$ 75 bilhões aprovado pelo Congresso no verão passado, e outros US$ 38 bilhões adicionais aprovados mais recentemente, o ICE contratou cerca de 12 mil novos agentes de deportação e investigação, ampliando significativamente sua capacidade operacional em todo o país. O governo Trump também flexibilizou, ao longo do primeiro ano do mandato, restrições sobre onde e contra quem os agentes podiam atuar, removendo limitações que antes protegiam certos locais e grupos específicos de imigrantes.

Uma mudança de estratégia, mas não de intensidade

Apesar da escalada nos números, a abordagem das operações mudou ao longo do ano. Em vez de grandes operações de alto perfil em cidades como as registradas anteriormente, que geraram forte repercussão pública, o ICE tem conduzido ações menos visíveis, mas igualmente disruptivas, incluindo detenções durante blitze de trânsito e uma dependência cada vez maior de parceiros policiais estaduais e locais.

Durante sua audiência de confirmação no início do ano, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, havia prometido manter o ICE fora dos holofotes, sugerindo uma possível suavização na abordagem do governo. Os números de julho, no entanto, mostram que a agência não se afastou da visão de deportação em massa defendida por Trump.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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