Empresa responsável pelo Facebook e Instagram poderá pagar até US$ 18 bilhões e terá de adotar novas restrições para adolescentes – ações movidas por dezenas de estados americanos
A Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram, fechou um acordo bilionário nos Estados Unidos para encerrar processos que a acusavam de desenvolver plataformas capazes de estimular a dependência de crianças e adolescentes.
O acordo, anunciado nesta quarta-feira (26), pode chegar a aproximadamente US$ 18 bilhões e encerra uma das maiores disputas judiciais já enfrentadas por uma empresa de tecnologia envolvendo os impactos das redes sociais sobre a saúde e o comportamento de jovens.
As ações foram movidas por dezenas de estados americanos. As autoridades acusaram a empresa de projetar recursos do Facebook e do Instagram para manter crianças e adolescentes conectados por mais tempo, além de questionarem a segurança das plataformas e a coleta de dados de menores. A Meta nega irregularidades e afirma que continua investindo em medidas de proteção para os usuários jovens.
Como parte do acordo, a Meta deverá implementar mudanças importantes para adolescentes. Entre as medidas previstas está um limite de duas horas diárias de uso do Facebook e do Instagram, além de restrições ao acesso durante a madrugada, entre meia-noite e 6h, sem autorização dos pais.
O pacote também prevê o reforço dos mecanismos de segurança e dos controles de idade, em meio à crescente preocupação das autoridades americanas com o tempo que crianças e adolescentes passam conectados às redes sociais.
Crise de saúde mental no centro do debate
O caso da Meta acontece em um momento de forte pressão sobre as grandes empresas de tecnologia. Estados, municípios, distritos escolares e famílias vêm movendo milhares de processos contra plataformas digitais, alegando que determinados recursos podem contribuir para problemas de saúde mental entre jovens, incluindo ansiedade e depressão.
Além da Meta, empresas responsáveis por plataformas como TikTok, YouTube e Snapchat também enfrentam processos relacionados às acusações de que seus sistemas foram desenvolvidos para aumentar o engajamento e prolongar o tempo de permanência de usuários jovens.
O acordo representa um dos maiores alertas já enviados à indústria de tecnologia: a disputa sobre a responsabilidade das redes sociais pelos impactos na vida de crianças e adolescentes está longe de terminar.
Para milhões de famílias, inclusive brasileiras que vivem nos Estados Unidos e têm filhos conectados diariamente ao Facebook, Instagram, TikTok e outras plataformas, o debate agora ultrapassa a tela do celular e chega definitivamente aos tribunais, às escolas e às casas.







