
O número de imigrantes detidos pelo ICE nos Estados Unidos atingiu um recorde histórico: cerca de 59 000 pessoas estão atualmente sob custódia, ultrapassando a capacidade oficial de 41 500 vagas em mais de 40%. Esse é o maior número desde 2019, quando o total chegou a 55 000.
Os dados revelam que aproximadamente 47% dos detidos não possuem qualquer antecedente criminal, e menos de 30% foram condenados por crimes. A maioria das detenções ocorreu longe das fronteiras, em operações realizadas em cidades, tribunais e locais de trabalho — uma clara mudança de foco para o interior do país.
A média diária de prisões em junho ultrapassou 1 200 imigrantes, com alguns dias registrando mais de 2 000 detenções. O ritmo dobrou em comparação aos primeiros meses do segundo mandato de Donald Trump, como parte de uma nova ofensiva migratória que inclui a ampliação de centros de detenção e contratação de novos agentes.
Organizações de direitos civis e especialistas alertam que a superlotação das instalações traz riscos sérios, incluindo violações de direitos básicos, dificuldades no acesso à defesa legal e condições precárias de saúde. A discrepância entre o discurso oficial — de foco em criminosos — e a realidade dos números levanta questionamentos sobre os critérios adotados.
Enquanto o governo apresenta os dados como sinal de força, cresce a pressão por transparência, legalidade e respeito aos direitos humanos. O que era para ser uma política de segurança pode estar se transformando em um sistema de detenção em massa sem critério claro.








