Flórida é o quinto estado mais perigoso dos EUA para quem caminha pelas ruas

Flórida é o quinto estado mais perigoso dos EUA para quem caminha pelas ruas

Caminhar pelo sul da Flórida significa enfrentar vias largas, carros em alta velocidade, longas distâncias entre travessias seguras e calçadas que, em muitos casos, não acompanharam o crescimento das cidades. O novo relatório “Dangerous by Design 2026” (algo como “Perigoso por Design”), divulgado pela organização Smart Growth America, mostra o impacto desse modelo urbano: a região metropolitana de Miami, Fort Lauderdale e West Palm Beach aparece entre as 20 áreas mais perigosas dos Estados Unidos para pedestres.

Mais de mil mortes em cinco anos no sul da Flórida

Segundo o levantamento, foram 1.062 mortes de pedestres na região entre 2020 e 2024. Com esses números, a área de Miami, Fort Lauderdale e Palm Beach ficou em 17º lugar entre as 101 maiores regiões metropolitanas dos Estados Unidos no ranking de taxas de mortes de pedestres por 100 mil habitantes. Ao todo, nove das 27 regiões metropolitanas mais perigosas do país para quem caminha estão na Flórida, incluindo também Lakeland-Winter Haven, na 21ª posição, Orlando-Kissimmee-Sanford, na 25ª, e Cape Coral-Fort Myers, na 27ª colocação.

Desenho das ruas, não apenas comportamento individual

O estudo aponta que essas mortes não podem ser atribuídas apenas à distração ou à imprudência de motoristas e pedestres. Segundo os pesquisadores, ruas projetadas principalmente para manter os carros em movimento rápido deixam menos margem para erros humanos e tornam os atropelamentos mais graves, especialmente em locais com velocidades elevadas e pouca infraestrutura de proteção para quem caminha. De acordo com a organização, a maior concentração de regiões perigosas para pedestres está no sul dos Estados Unidos, em áreas que se desenvolveram principalmente após a popularização do automóvel particular.


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Flórida é o quinto estado mais perigoso do país

No recorte estadual, a Flórida aparece como o quinto lugar mais perigoso do país para pedestres, com 3.726 mortes registradas no mesmo período de cinco anos, entre 2020 e 2024. O número representa um aumento de 11% em comparação aos cinco anos anteriores. Em nível nacional, o cenário também preocupa: em 2024, ano mais recente com dados federais completos, 7.080 pessoas morreram atropeladas nos Estados Unidos, uma média de mais de 19 pessoas por dia e um salto de 72% em relação a 2009.

Orlando é destacada como exemplo de melhora

Apesar do panorama negativo no estado, a região de Orlando foi citada pela organização como um dos poucos exemplos de melhora real no país nos últimos anos. Segundo Beth Osborne, presidente da Smart Growth America, a cidade registrou uma das quedas mais expressivas de mortes de pedestres entre as regiões já avaliadas pelo relatório, depois de aparecer repetidamente no topo do ranking em edições anteriores. De acordo com a organização, o avanço se deve à liderança tanto política quanto técnica, com autoridades capazes de definir objetivos claros e executar mudanças concretas no desenho das vias.

Quem é mais afetado pelo problema

O levantamento também mostra que os riscos não são distribuídos de forma igual entre a população. Pessoas negras morrem atropeladas a uma taxa 1,7 vez maior que a média nacional, enquanto indígenas americanos e nativos do Alasca enfrentam um risco 3,7 vezes maior. Pessoas com 65 anos ou mais representam 23% de todas as mortes de pedestres, mesmo correspondendo a apenas 18% da população do país. Já a faixa etária mais afetada em termos de taxa de mortalidade é a de adultos entre 50 e 64 anos.

O que Miami-Dade está fazendo a respeito

O condado de Miami-Dade estabeleceu a meta de eliminar mortes e ferimentos graves no trânsito até 2040 e anunciou novos investimentos em iluminação, sinalização, calçadas e faixas de pedestres em pontos considerados críticos. O desafio, no entanto, vai além de intervenções pontuais: especialistas reforçam que mudanças duradouras exigem repensar ruas construídas ao longo de décadas com prioridade quase total para os automóveis, e não apenas reduções temporárias e isoladas nos números de mortes.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.



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