Adolescentes enfrentam crescente dificuldade para conseguir empregos de verão

Nova regra pode mudar permanência de estudantes internacionais nos EUA

Redução de vagas, desaceleração das contratações e aumento da concorrência tornam o mercado mais desafiador para jovens em busca do primeiro emprego

Conseguir um emprego de verão nos Estados Unidos tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil para adolescentes. A combinação entre a redução do número de vagas, a desaceleração das contratações e a concorrência com candidatos mais experientes tem frustrado milhares de jovens que buscam a primeira oportunidade no mercado de trabalho.

A estudante Jaelyn Chester, de 17 anos, moradora da Flórida, relata que já procurou emprego em diversos estabelecimentos, incluindo lojas e restaurantes, mas ainda não conseguiu uma vaga. Segundo ela, o principal obstáculo não é a falta de qualificação, mas a escassez de oportunidades para quem está iniciando a vida profissional.


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Dados citados por especialistas mostram que apenas cerca de um terço dos jovens entre 16 e 19 anos trabalhou durante o verão passado. O índice é significativamente inferior ao registrado no fim da década de 1970, quando aproximadamente 60% dos adolescentes ocupavam empregos sazonais. As perspectivas para 2026 também não são consideradas favoráveis.

De acordo com a economista Nicole Bachaud, da ZipRecruiter, as oportunidades para trabalhadores iniciantes vêm diminuindo, afetando especialmente adolescentes em busca do primeiro emprego. Muitos cargos de entrada foram eliminados ou passaram a ser disputados por profissionais com mais experiência.

Levantamento da empresa Challenger, Gray & Christmas aponta que as vagas de verão destinadas a adolescentes caíram 25% no último ano. Especialistas alertam que fatores como inflação, aumento dos custos operacionais e maior cautela das empresas na hora de contratar podem provocar uma nova redução nas oportunidades, tornando esta temporada uma das mais difíceis das últimas décadas para os jovens trabalhadores.

A situação também afeta jovens como Max Stephenson, de 19 anos, morador do Arkansas. Mesmo após se candidatar a dezenas de vagas, ele continua sem emprego. Para o estudante, a realidade atual é muito diferente dos conselhos tradicionais que sugeriam apenas entregar currículos pessoalmente e conversar com os gerentes.

Nas redes sociais, adolescentes compartilham experiências semelhantes. Em plataformas como TikTok e Reddit, muitos relatam dificuldades para obter respostas das empresas e reclamam de anúncios de emprego que não resultam em contratações efetivas.

Apesar do cenário desafiador, alguns jovens conseguem ingressar no mercado após meses de tentativas. É o caso de Demie Njea, de 16 anos, que conquistou uma vaga depois de enviar mais de 100 candidaturas ao longo de vários verões. Ainda assim, ela reconhece que as chances de sucesso estão menores para quem procura o primeiro emprego atualmente.

Especialistas recomendam que os adolescentes ampliem as áreas de busca, mantenham os currículos atualizados e utilizem plataformas digitais de recrutamento para aumentar as possibilidades de contratação. No entanto, o consenso é de que o mercado de trabalho de verão para jovens atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos.

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