Pela primeira vez, maioria dos detidos pelo ICE não tem antecedentes criminais

Pela primeira vez, maioria dos detidos pelo ICE não tem antecedentes criminais

A fiscalização migratória nos Estados Unidos atingiu um novo patamar em julho. Pela primeira vez durante o atual governo, pessoas detidas apenas por infrações civis de imigração, sem qualquer condenação criminal ou acusação pendente, passaram a representar mais da metade de todos os detidos no mês, segundo dados obtidos pelo Deportation Data Project, iniciativa ligada às universidades da Califórnia em Berkeley e de Los Angeles.

Os números do recorde

Em julho, mais de 800 pessoas sem antecedentes criminais foram presas, em média, todos os dias por autoridades de imigração, o maior volume já registrado durante a atual administração. No total, a média diária de prisões, somando todos os perfis de detidos, ultrapassou 1.580 por dia, também um recorde no período. O total de prisões no mês chegou a 49.571, alta de 15% em relação a junho e um salto de 70% se comparado a fevereiro, quando o ritmo havia diminuído após dois episódios fatais envolvendo tiros em Minnesota que geraram protestos.

O avanço das operações dentro das comunidades

Os dados mostram que o reforço da fiscalização tem levado as operações cada vez mais para dentro das comunidades, e não apenas para dentro de prisões e cadeias. Em junho e julho, pelo menos 45.300 pessoas foram presas diretamente em ruas, bairros e outros espaços públicos, quase metade do total de detenções registradas no período. Segundo reportagens do período, essa mudança de estratégia tem se apoiado em abordagens menos visíveis do que grandes operações amplamente divulgadas, recorrendo com mais frequência a blitze de trânsito, prisões em aeroportos e ações ligadas a tribunais de imigração.


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Por que a Flórida se destacou

Na Flórida, onde a legislação estadual obriga as forças policiais locais a colaborar com o ICE, o avanço foi ainda mais expressivo. As detenções realizadas em comunidades durante junho e julho foram quase quatro vezes superiores à média registrada nos seis meses anteriores. Em Miami, a média mensal de prisões em comunidades saltou de 115 para 715. Em Jacksonville, o salto percentual foi ainda maior, passando de cerca de 15 para 165 prisões mensais, mudança associada em parte à lei estadual que obriga os departamentos de polícia locais a cooperar com a agência federal. Segundo reportagem local, somente na Flórida do Sul o ICE teria registrado quase 6 mil novos agendamentos de detenção em julho, com aproximadamente 4.300 pessoas ainda sob custódia até o dia 26 daquele mês.

O que diz o governo

O governo americano afirma que a prioridade segue sendo retirar das ruas pessoas consideradas ameaças à segurança pública. Ainda assim, segundo os próprios dados analisados, condenados por crimes violentos representaram apenas cerca de 4% dos detidos em julho. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, e o chamado “czar da fronteira” da Casa Branca, Tom Homan, já defenderam publicamente que políticas de cidades-santuário, que limitam a cooperação de autoridades locais com o ICE, forçariam a agência a intensificar sua presença nessas regiões para localizar os alvos desejados, o que na prática também amplia o contato com outras pessoas em situação irregular encontradas pelo caminho.

Uma ressalva importante sobre os dados

O Departamento de Segurança Interna reforça que a classificação de “não criminoso” se refere apenas à ausência de antecedentes criminais dentro dos Estados Unidos. Isso não significa, necessariamente, que a pessoa não tenha cometido crimes em outros países, informação que não consta nos dados analisados pelo Deportation Data Project.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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