O Departamento de Estado dos Estados Unidos autorizou a venda ao Brasil de novos equipamentos militares avaliados em até US$ 1,28 bilhão no total. As operações envolvem armas para reforçar a defesa contra ameaças aéreas e helicópteros destinados ao transporte de tropas, vigilância de fronteiras, resgates e resposta a desastres naturais.
Mísseis Stinger substituem sistema russo
A autorização mais recente, anunciada em 11 de junho, permite ao Brasil negociar a compra de 100 mísseis antiaéreos portáteis do tipo FIM-92K Stinger Block I, além de lançadores (gripstocks), treinamento, assistência técnica e apoio logístico. O pacote é estimado em até US$ 330 milhões e tem como principais fornecedores as empresas RTX Corporation, da Virgínia, e Lockheed Martin, de Nova York.
Segundo o Departamento de Estado, a venda vai ampliar a capacidade brasileira de monitorar e proteger o espaço aéreo nacional, além de apoiar operações de combate ao narcotráfico e a grupos armados transnacionais dentro do território e da região. Os novos mísseis devem substituir o sistema russo Igla-S, usado pelo Exército brasileiro desde 2014, cuja reposição de peças e munição ficou mais difícil após o início da guerra na Ucrânia. Segundo fontes ouvidas pela publicação especializada Janes, o novo sistema deve equipar tanto o Exército quanto a Força Aérea Brasileira.
Como funciona o sistema Stinger
O equipamento, disparado a partir do ombro por um único soldado, pode atingir aviões, helicópteros, mísseis de cruzeiro e determinados tipos de aeronaves não tripuladas a distâncias de até 8 quilômetros (5 milhas). Na prática, o sistema funciona como uma camada extra de proteção para tropas, instalações estratégicas e áreas de fronteira, complementando outro sistema de defesa antiaérea de curto alcance já usado pelo Brasil, de origem sueca.
Pacote de helicópteros Black Hawk
A outra operação envolve a venda de 12 helicópteros Black Hawk e equipamentos de apoio, em um pacote estimado em até US$ 950 milhões. As aeronaves podem ser usadas no transporte de tropas e cargas, evacuação médica, operações de busca e salvamento, missões de paz e atendimento a regiões atingidas por enchentes, incêndios florestais e outros desastres naturais. O primeiro helicóptero da nova leva já foi recebido pelo Exército brasileiro em dezembro de 2025.
Como funciona o processo de venda de armas dos EUA
As vendas fazem parte do programa Foreign Military Sales (FMS), mecanismo usado pelo governo americano em negociações diretas de equipamentos de defesa entre países. Os valores divulgados representam o teto máximo aprovado pelos Estados Unidos para a transação e ainda podem ser ajustados durante as negociações finais entre os governos e os fabricantes. Após a aprovação do Departamento de Estado, o Congresso americano tem um prazo, geralmente de 15 a 30 dias dependendo do país, para eventualmente bloquear a venda, embora isso seja raro de acontecer na prática.







