Termina a Copa das frustrações e do mau exemplo de brasileiros

Termina a Copa das frustrações e do mau exemplo de brasileiros

Teve tudo para dar certo, mas a Seleção não brilhou, Neymar virou meme, e torcedores brasileiros foram criticados pelo mau comportamento e desrespeito. Resultado desfavorável para o Brasil que pleiteava o hexa, mas a França é bicampeã

Edição de julho/2018 – p. 05 e 06

Termina a Copa das frustrações e do mau exemplo de brasileiros

Acabou a Copa do Mundo. A França derrotou a Croácia por quatro a dois e sagrou-se bicampeã. E o que fica para os brasileiros – principalmente aqueles fanáticos por futebol – é uma sensação de frustração na eliminação da Seleção Brasileira da Copa na Rússia, nas oitavas de final, quando na vitória da Bélgica por dois a um, em Kazan. Foi um dia fatídico, e o Brasil se calou mais uma vez – ninguém esquece o pesadelo dos 7 a 1 da Alemanha – e 2018, de fato, não foi o ano do hexa como todos acreditavam, após a nobre vitória do time de Tite frente ao México. Foi um tiro de festim porque todos, indistintamente, experimentaram o amargor da derrota na partida seguinte, diante da Bélgica. E o craque camisa 10 – Neymar Jr. – não correspondeu, acabou literalmente caindo na “armadilha do meme”, e virou a piada do “cai-cai”, exagerando ao extremo ao ser empurrado e chutado pelos adversários.

E se no gramado a Seleção não proporcionou a alegria do Hexa, e não obteve posição melhor no ranking de disputas, nas arquibancadas houve outro dilema. Nas ruas da Rússia, principalmente em Moscou, o comportamento de alguns inoportunos torcedores brasileiros foi constrangedor. A empolgação regada à bebida e algazarra expôs ao mundo uma gente “sem escrúpulos”, como denominaram alguns veículos de comunicação no país de Vladimir Putin. E estar vestindo a camisa verde e amarela, era motivo de alerta para a polícia.

Inclusive, vídeos que circularam nas redes sociais geraram polêmica ao exibir imagens de um grupo de torcedores brasileiros induzindo uma jovem russa a falar palavras obscenas sem saber o real significado do que estava dizendo. E se para os brasileiros naquele infeliz momento era total diversão, para as autoridades e jornalistas russos, foi atitude abominável, “desrespeitosa”.

O vídeo chegou às mãos de uma das principais ativistas pelos direitos das mulheres na Rússia, a advogada Alyona Popova, que fez um abaixo-assinado para pressionar os órgãos equivalentes ao Ministério Público no Brasil a entrarem com uma denúncia contra os brasileiros envolvidos na “brincadeira” do vídeo por insulto contra a honra. Os torcedores foram tachados de machistas e receberam críticas em várias partes do mundo.

Em outro vídeo, a situação envolveu crianças russas. As imagens mostram um torcedor brasileiro ensinando crianças a dizerem palavras chulas. O clima festivo tornou-se motivos de insultos e de falta de bom senso por parte de alguns elementos da torcida do Brasil. Eles extrapolaram em suas ações, não mensurando as consequências de seus atos. A alegria é perfeitamente aceita, agora, baderneira compromete a reputação do nosso país. Infelizmente é necessário pontuar os erros, evitando que o caos se propague, e que o brasileiro fique com fama de arruaceiro na Europa.

Seleção não brilha e frustra

O Brasil tinha tudo para superar o poderio da Bélgica, mas surpreendentemente esmoreceu em campo. Longe de ser a equipe que demonstrou garra frente ao México – quem assistiu ao jogo sabe disso –, faltou planejamento tático diante dos belgas, como não houve liderança dentro e fora de campo. E não se trata de chorar pelo leite derramado, mas reconhecer que já não somos os melhores do mundo, como aconteceu no passado. E quem paga o pato, evidente, são os brasileiros, que acabam frustrados, diria, acabrunhados, diante de supostos ídolos que não brilharam, apagando a esperança pelo grito de gol, que ficou à mínguas.

O atacante Neymar ainda não amadureceu o suficiente, mostrando um total descontrole emocional em grande parte da competição. E para azedar a situação, o craque do Paris Saint-Germain caiu o tempo todo durante os jogos, com gestos desmedidos, tidos como “teatrais”, segundo a crítica esportiva da Europa. “As caras e bocas de Neymar se assemelham à trágica comédia shakespeariana. Um mau exemplo às crianças”, estampavam os jornais.

E não demorou muito para que Neymar protagonizasse uma série de vídeos engraçados, diria vexatórios, mostrados nas redes sociais, principalmente no eixo europeu, exibindo as caídas sequentes do atacante em campo, apelidado de “ca-cai”. O jogador virou meme em todo o mundo, recebendo o consolo da cantora Gretchen – “Liga, não, Neymar, isso passa!” –, conhecida como “a rainha dos memes no Brasil”.

Neymar perdeu a grande chance de se tornar o melhor jogador do mundo, ele que estava de olho no título de “Melhor jogador do Mundo”, láurea conquistada por Cristiano Ronaldo, Messi, Cacá e Ronaldo Fenômeno. A estratégia do atacante, no entanto, deu errada. E, maldosamente – isso é improvável, claro – há quem diga que a ida de Bruna Marquezine à Russia, em pleno período de jogos e de concentração da seleção Brasileira, tenha atrapalhado o rendimento de Neymar na Copa.

De qualquer forma, mediante a tantas evidências e opiniões controvérsias dos milhões de técnicos brasileiros, o fato é que o Brasil precisa de melhor preparo para a próxima Copa do Mundo em 2022, no Catar. Até lá, muita água vai rolar embaixo da ponte e temos de aceitar – nos contentar – com o título de bicampeã conquistado pela França, consolidando seu favoritismo no Mundial da Rússia.

E se há um consolo – se, assim, pode-se considerar – a Alemanha foi vergonhosamente eliminada na primeira fase do Mundial pela Seleção da Coreia do Sul, por dois a zero, caindo do pedestal. A campeã do mundo desembarcou em Moscou cheia de pompas e era tida como uma das seleções favoritas, o que não aconteceu. Voltou para casa de cabeça baixa, desacreditada.

E se para nós, brasileiros, a Copa do Mundo na Rússia foi uma sucessão de erros, frustrações e mau exemplo por parte de alguns torcedores, o que resta é nos redimirmos, aguardar por uma próxima vez. E, quem sabe, até lá tenhamos um Neymar amadurecido – menos arrogante –, e sem cair tanto em campo. Talvez o técnico Tite – se continuar à frente da seleção como garante a CBF – possa se desvencilhar dos protegidos, caso do Gabriel Jesus, que não rendeu o suficiente, não marcou gol e teve um desempenho apagado na equipe brasileira. Tudo pode acontecer. É aquela velha frase –consoladora na maioria das situações – de que o único jeito é acreditar, manter a esperança do que possa melhorar daqui pra frente. Tomara!