Trump prometeu 1 milhão de deportações por ano, mas novo relatório revela números abaixo da meta

Trump prometeu 1 milhão de deportações por ano, mas novo relatório revela números abaixo da meta

FOTO: Divulgação Twitter/X.

A política de imigração do presidente Donald Trump está produzindo um aumento expressivo nas deportações dos Estados Unidos, mas ainda não alcançou as metas anunciadas pela Casa Branca. Um novo relatório divulgado pelo Migration Policy Institute (MPI) revela que aproximadamente 980 mil pessoas foram deportadas durante os primeiros 18 meses do segundo mandato do republicano.

Apesar do número elevado, o ritmo permanece distante da meta de 1 milhão de deportações por ano defendida pelo governo.


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O estudo, divulgado em 21 de outubro de 2026, também revela mudanças importantes no perfil dos imigrantes deportados, incluindo o crescimento das prisões realizadas dentro do território americano e a saída de pessoas que viviam nos Estados Unidos havia vários anos.

Governo deve fechar o ano com 660 mil deportações

Segundo o Migration Policy Institute, o governo Trump caminha para registrar aproximadamente 660 mil deportações no ano fiscal de 2026.

O resultado representa um aumento em comparação com o ritmo anualizado de 620 mil deportações registrado no primeiro ano do segundo mandato.

Também significa um crescimento de 26% em relação à média anual observada durante a administração do ex-presidente Joe Biden, entre 2021 e 2024.

Mesmo assim, o número permanece aproximadamente 34% abaixo da meta de 1 milhão de deportações anuais.

A diferença evidencia os desafios enfrentados pelo governo para transformar o aumento das operações de fiscalização em expulsões efetivas.

Recorde histórico continua distante

Embora o governo Trump tenha intensificado as operações de imigração, os números ainda não superam os maiores registros históricos dos Estados Unidos.

Em 2000, durante o governo do democrata Bill Clinton, o país registrou aproximadamente 1,86 milhão de deportações, considerando tanto remoções formais quanto retornos.

O total é quase três vezes superior ao ritmo anual estimado para 2026.

A comparação também exige atenção porque os dados históricos incluem diferentes modalidades de saída do território americano, e nem todas correspondem a deportações executadas após processos judiciais.

Prisões dentro dos Estados Unidos aumentaram

Uma das principais mudanças identificadas pelo relatório está no local onde os imigrantes são detidos.

Em 2025, aproximadamente 28% das deportações envolviam pessoas presas dentro dos Estados Unidos.

Em julho de 2026, essa participação havia aumentado para 39%.

O número mensal de deportações resultantes de prisões no interior do país também mais que dobrou.

Nos três primeiros meses do segundo mandato de Trump, a média era de aproximadamente 8 mil deportações mensais desse tipo.

Entre maio e julho de 2026, o número subiu para cerca de 19 mil por mês.

O crescimento reflete a expansão das operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) em comunidades americanas.

Maioria das deportações ainda envolve a fronteira

Apesar da maior presença de agentes federais nas cidades, a maioria das deportações continua relacionada a pessoas inicialmente interceptadas na fronteira.

Segundo o MPI, 69% das aproximadamente 980 mil deportações realizadas entre 20 de janeiro de 2025 e 31 de julho de 2026 envolveram imigrantes inicialmente detidos na região fronteiriça.

O dado mostra que as operações na fronteira ainda representam a maior parcela das ações de deportação.

A diferença também está relacionada aos procedimentos legais.

Pessoas detidas pouco depois de entrar irregularmente no país podem estar sujeitas a processos de remoção acelerados.

Já imigrantes que vivem nos Estados Unidos há mais tempo podem ter diferentes oportunidades de contestar sua deportação perante a Justiça.

Maioria dos deportados não tinha condenação criminal

O relatório também apresenta dados que contrastam com o discurso da administração Trump de priorizar imigrantes considerados criminosos perigosos.

Entre as 980 mil deportações analisadas, aproximadamente 190 mil envolviam pessoas com condenações criminais, o equivalente a 20% do total.

Entre os imigrantes que viviam nos Estados Unidos havia pelo menos dois anos, cerca de 71% dos deportados não possuíam condenação criminal.

Para aqueles com dez anos ou mais de residência, a proporção sem condenações era de 61%.

O levantamento também identificou que parte das condenações estava relacionada a infrações migratórias e de trânsito.

A ausência de condenação criminal não significa necessariamente que a pessoa estivesse em situação migratória regular, mas demonstra que grande parte das deportações não envolveu indivíduos condenados por crimes.

Imigrantes com mais de dez anos nos EUA também são afetados

A análise identificou aproximadamente 390 mil deportações de pessoas que viviam nos Estados Unidos havia pelo menos dois anos, considerando o conjunto específico de deportações do ICE analisado pelo instituto.

Desse grupo, cerca de 90 mil estavam no país havia dez anos ou mais.

Entre os residentes de longa duração, aproximadamente 57 mil não tinham condenações criminais.

Os números revelam que a política de fiscalização não está concentrada apenas em recém-chegados.

Ela também alcança pessoas que estabeleceram vínculos familiares, profissionais e comunitários nos Estados Unidos ao longo de vários anos.

Saídas voluntárias chegam a 170 mil

Outro fenômeno identificado pelo estudo é o crescimento das chamadas saídas voluntárias.

Aproximadamente 170 mil imigrantes receberam autorização para deixar os Estados Unidos voluntariamente por meio de procedimentos administrados pelo ICE desde janeiro de 2025.

Essa modalidade pode permitir, dependendo das circunstâncias individuais, que a pessoa solicite uma futura entrada legal no país.

Entretanto, organizações de defesa dos imigrantes afirmam que algumas pessoas acabam desistindo de seus processos para deixar centros de detenção e evitar permanecer presas por períodos prolongados.

O relatório também ressalta que as saídas voluntárias formalmente registradas são diferentes das chamadas autodeportações, quando alguém deixa o país por iniciativa própria.

Casa Branca apresenta números maiores

O governo Trump contesta a interpretação de que sua política migratória esteja abaixo das expectativas.

A administração afirma ter realizado aproximadamente 1,2 milhão de deportações ou remoções durante o segundo mandato.

Também sustenta que mais de 3 milhões de imigrantes deixaram os Estados Unidos, somando deportações e saídas por iniciativa própria.

O Migration Policy Institute, entretanto, considera improvável que esse total de 3 milhões corresponda efetivamente a imigrantes sem autorização de residência que tenham deixado o país.

O instituto estima que entre 790 mil e 1,9 milhão de imigrantes com pelo menos um ano de residência nos Estados Unidos tenham saído do país, voluntariamente ou por deportação, até julho de 2026.

A ampla margem reflete as dificuldades para contabilizar pessoas que deixam o território americano sem registro oficial de saída.

Falta de transparência dificulta fiscalização dos números

Uma das principais críticas apresentadas pelo relatório está relacionada à divulgação das estatísticas oficiais.

Desde janeiro de 2025, o Department of Homeland Security (DHS) deixou de publicar regularmente relatórios detalhados que reuniam dados de prisões e deportações realizados por diferentes agências federais.

Com isso, pesquisadores passaram a depender de pedidos de acesso à informação, processos judiciais e divulgações pontuais do governo.

Essa limitação dificulta a comparação entre períodos e a verificação independente dos resultados anunciados pela Casa Branca.

O MPI utilizou dados obtidos por meio da Freedom of Information Act (FOIA), legislação americana que permite solicitar informações a órgãos públicos.

Governo defende resultados da política migratória

Em resposta às conclusões do relatório, a porta-voz da Casa Branca Lauren Bis afirmou que Trump conseguiu a maior redução da imigração irregular da história moderna dos Estados Unidos.

A administração considera o endurecimento da fiscalização e a redução das travessias irregulares na fronteira resultados importantes de sua estratégia.

Especialistas, por outro lado, destacam que a diminuição das entradas irregulares não significa necessariamente que o governo conseguirá aumentar as deportações na mesma proporção.

Entre os obstáculos estão o acúmulo de processos nos tribunais de imigração, dificuldades diplomáticas para repatriar cidadãos de determinados países e limitações operacionais.

O que os números significam para os imigrantes?

O relatório mostra que a fiscalização migratória continua se intensificando, mesmo sem alcançar a meta anual estabelecida pelo governo.

O crescimento das prisões dentro dos Estados Unidos indica maior exposição de imigrantes que já vivem no país, inclusive aqueles com muitos anos de residência.

Ao mesmo tempo, os dados mostram que a ausência de antecedentes criminais não impede necessariamente uma deportação quando existe fundamento legal para a remoção.

Para comunidades de imigrantes, incluindo brasileiros, o cenário reforça a importância de compreender a própria situação migratória e acompanhar eventuais processos administrativos ou judiciais.

A conclusão central do levantamento é que a administração Trump ampliou significativamente o ritmo das deportações, mas ainda enfrenta dificuldades para atingir suas metas mais ambiciosas, apesar dos recursos adicionais destinados à fiscalização.

Autor

  • Thiago Acquaviva

    Profissional com 15 anos de experiência em web design, design digital, gráfico, social media e marketing. Formado em Sistemas de Informação e pós graduado em Comunicação e Mídias Digitais.

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