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Uma disputa interna entre o presidente Donald Trump e dois senadores de seu próprio partido colocou em risco a confirmação de Todd Blanche como procurador-geral dos Estados Unidos, escancarando uma crise dentro do Partido Republicano às vésperas de uma votação decisiva no Senado.
O que Trump ameaçou fazer
Neste sábado, Trump afirmou que, caso os senadores republicanos John Cornyn, do Texas, e Thom Tillis, da Carolina do Norte, não aprovem a indicação de Todd Blanche para o cargo de procurador-geral, ele manterá Blanche apenas como procurador-geral interino e voltará a pressionar pela criação do chamado Fundo Antiarmamentização, avaliado em cerca de $1,8 bilhão.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que os dois senadores estão descontentes por não terem recebido seu apoio político, já que Cornyn perdeu as prévias eleitorais do partido para o atual procurador-geral do Texas, Ken Paxton, também apoiado por Trump, enquanto Tillis optou por não disputar a reeleição.
O que é o Fundo Antiarmamentização
O fundo em disputa foi criado como parte de um acordo judicial firmado por Blanche para encerrar um processo movido por Trump contra a Receita Federal americana (IRS) e o Departamento do Tesouro. A proposta prevê o pagamento de indenizações a pessoas que, segundo Trump, foram perseguidas politicamente pelos governos dos ex-presidentes Barack Obama e Joe Biden, incluindo participantes do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. O mesmo acordo também garante a Trump e a membros de sua família imunidade em relação a auditorias fiscais.
Por que os dois senadores estão resistindo
Cornyn e Tillis, ambos membros do Comitê Judiciário do Senado, afirmam que só vão votar a favor de Blanche se o Departamento de Justiça confirmar por escrito que o fundo foi definitivamente cancelado. O Departamento de Justiça chegou a fornecer aos senadores um documento afirmando que a ordem de criação do fundo, assinada por Blanche em 18 de maio, estava revogada e sem qualquer efeito prático.
Os senadores também pedem esclarecimentos sobre a cláusula de imunidade fiscal concedida a Trump e sua família, já que Cornyn afirma que a imunidade poderia se estender a mais de 100 subsidiárias diferentes das organizações de Trump no futuro.
Um recuo que surpreendeu o próprio Senado
Na sexta-feira, Trump havia declarado publicamente que o fundo estava morto, o que levou o presidente do Comitê Judiciário do Senado, Chuck Grassley, a remarcar para terça-feira uma votação sobre a indicação de Blanche que havia sido adiada anteriormente na semana. Porém, no sábado, a nova ameaça de Trump voltou a colocar o fundo na mesa de negociações e lançou incerteza sobre a votação marcada.
Em resposta, Tillis publicou nas redes sociais que Trump deixou claro que pretende ressuscitar o fundo, seja criando outro mecanismo semelhante de forma inadequada, seja pressionando o Congresso a votar um projeto de lei que a maioria dos próprios senadores republicanos rejeitaria. Tillis classificou Blanche como um profissional qualificado para o cargo, mas afirmou que sua confirmação não deve avançar por causa dessa reviravolta.
O que vem a seguir
Blanche atua como procurador-geral interino desde abril, e sua confirmação definitiva depende do apoio de pelo menos um dos dois senadores insatisfeitos para que a indicação avance no Comitê Judiciário rumo a uma votação plenária no Senado. A votação do comitê está marcada para esta terça-feira, mas, segundo analistas, a confirmação pode não acontecer antes do recesso de verão do Senado, que deve se estender por cinco semanas, com o retorno dos parlamentares previsto apenas após o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos.








