Varejista norte-americana pediu desculpas e reconheceu que o produto, criticado por evocar imagens racistas históricas, “nunca deveria ter feito parte” de seu catálogo
A Target retirou de suas lojas e do comércio on-line uma fantasia infantil de Halloween que provocou forte reação nas redes sociais nos Estados Unidos. O produto, vendido pela marca própria Hyde and EEK! Boutique, foi criticado por consumidores que afirmaram que seu desenho remetia a representações racistas associadas ao blackface e aos antigos espetáculos de minstrel shows.
A fantasia, chamada “Kids’ Glows Under Blacklight Circus Clown Halloween Costume”, apresentava uma roupa de palhaço nas cores preta e laranja, com capuz, luvas escuras, uma máscara com um sorriso exagerado e um pequeno chapéu. A imagem utilizada na divulgação mostrava uma criança negra usando o traje, o que ampliou a repercussão e as críticas ao produto.
Target admite erro e pede desculpas. Diante da repercussão, a Target reconheceu publicamente o erro e retirou imediatamente a fantasia de circulação. A empresa afirmou que o produto era ofensivo e que jamais deveria ter integrado seu catálogo.
A companhia também destacou que entende o impacto especialmente entre seus clientes, funcionários e parceiros negros e informou que pretende analisar o processo interno que permitiu que a fantasia chegasse ao mercado.
A retirada do produto, no entanto, não encerrou a polêmica. Nas redes sociais, consumidores questionaram como uma fantasia com características consideradas tão sensíveis conseguiu passar pelos processos de criação, aprovação e comercialização da empresa.
O episódio ocorre em uma fase particularmente delicada para a Target, que vinha tentando recuperar a confiança dos consumidores depois de enfrentar outras controvérsias e boicotes nos últimos anos.
A empresa já havia sido alvo de críticas relacionadas à sua política de diversidade, equidade e inclusão (DEI), além de enfrentar forte reação em 2023 envolvendo produtos da coleção do Pride Month. A atual controvérsia reacende o debate sobre a maneira como a companhia lida com questões de representação e diversidade.
O impacto também chegou ao mercado financeiro. As ações da Target registraram queda após a repercussão da fantasia, aumentando a preocupação sobre os efeitos que novos episódios de desgaste de imagem podem provocar justamente quando a companhia busca consolidar sua recuperação.
Halloween sob maior vigilância
A polêmica também chama atenção para o cuidado cada vez maior exigido das grandes redes de varejo na escolha de produtos para o Halloween. Fantasias e acessórios podem envolver referências culturais, históricas e religiosas sensíveis, transformando rapidamente um lançamento comercial em uma crise de reputação.
No caso da Target, a empresa agora terá de responder não apenas à retirada do produto, mas principalmente à pergunta que ganhou força entre os consumidores: como uma fantasia considerada ofensiva conseguiu chegar às prateleiras de uma das maiores redes varejistas dos Estados Unidos?
A resposta deverá estar no processo interno de revisão anunciado pela própria companhia. Para a Target, mais do que retirar uma fantasia das lojas, o desafio será demonstrar que o episódio servirá de alerta para evitar que uma situação semelhante volte a acontecer.







