As prisões e detenções ligadas à imigração nos Estados Unidos voltaram a disparar e alcançaram o maior patamar já registrado, segundo dados divulgados pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). O levantamento reacende o debate sobre os rumos da política migratória do país e levanta questionamentos sobre transparência no monitoramento das ações do ICE.
O tamanho do salto nas detenções
De acordo com os números mais recentes, a média diária de pessoas encaminhadas à detenção após serem presas pelo ICE ultrapassou 1.300 em junho, um crescimento de 32% em relação ao mês de abril. Trata-se do maior volume mensal já registrado desde o início da série histórica usada para comparação, que remonta a 2021.
Mesmo com esse avanço nas detenções, o ritmo das deportações permaneceu praticamente estável. Como resultado direto dessa diferença de velocidade entre prisões e remoções, o número total de pessoas mantidas em centros de detenção voltou a crescer nos últimos meses.
Quem está sendo detido
Um dos dados que mais chama atenção no levantamento é o perfil das pessoas presas. Segundo o DHS, 37% dos detidos em ações do ICE não possuíam nenhum antecedente criminal, um salto expressivo em comparação ao início de 2025, quando esse grupo representava uma fatia bem menor do total de pessoas em detenção.
Em nota oficial, o DHS afirmou que as operações continuam priorizando a prisão e a remoção de pessoas condenadas ou acusadas de crimes, reforçando que a maior parte das detenções ainda envolve indivíduos com algum histórico criminal.
O que dizem os especialistas
Analistas do Migration Policy Institute avaliam que, embora a estratégia de fiscalização tenha se tornado menos visível do que nos primeiros meses do atual governo, sem as grandes operações amplamente divulgadas na mídia, os resultados em termos de volume de detenções permanecem semelhantes.
Atraso nos dados gera preocupação
Os números só foram divulgados após três meses sem qualquer atualização das estatísticas oficiais do ICE, um hiato que, segundo especialistas ouvidos sobre o tema, dificultou o acompanhamento das ações do órgão e ampliou as críticas sobre a falta de transparência na divulgação de dados de imigração nos Estados Unidos.







