Se você mora fora do Brasil, provavelmente já sabe que manter a documentação em dia é uma das tarefas que nunca saem da lista. E em 2026, o processo de emissão e renovação do passaporte brasileiro no exterior passou por mudanças importantes que valem a pena entender antes de precisar do documento com urgência.
A Portaria MRE nº 664/2026, publicada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em abril deste ano, trouxe duas novidades principais: a redução das taxas consulares e uma reestruturação completa no fluxo de entrega dos passaportes. Vamos explicar cada uma delas de forma clara.
A primeira boa notícia chegou em 1º de junho de 2026: as taxas cobradas em moeda estrangeira para a emissão de passaportes nas embaixadas e consulados brasileiros foram reduzidas pela metade, aproximando os valores dos praticados dentro do Brasil. O objetivo é facilitar a regularização documental das famílias que vivem no exterior, especialmente de crianças nascidas fora do país.
Já a segunda mudança, que entrou em vigor em 30 de julho de 2026, afeta diretamente a logística de quem vai ao consulado. A partir dessa data, os passaportes deixaram de ser impressos e entregues no próprio posto consular. Agora, toda a produção é feita diretamente pela Casa da Moeda do Brasil. Isso significa que, após o atendimento presencial e a coleta dos dados biométricos, o documento é fabricado no Brasil e enviado ao exterior. O prazo estimado é de cerca de 6 dias úteis após o processamento. A entrega pode ser feita pelos Correios ou por retirada posterior no próprio consulado, dependendo das opções disponíveis em cada posto.
Mas há um ponto de atenção importante. O Itamaraty registrou um crescimento expressivo na demanda por passaportes: só no primeiro semestre de 2026 foram emitidos quase 189 mil documentos no exterior, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em julho, o número de pedidos bateu recorde, com mais de 33 mil solicitações em um único mês. Esse volume superou a previsão orçamentária do ministério, que orientou embaixadas e consulados a reduzirem os agendamentos para casos não urgentes, preservando os estoques de cadernetas enquanto busca recursos adicionais.
Na prática, quem precisa renovar o passaporte por precaução, sem viagem marcada, pode encontrar menos vagas disponíveis e prazos mais longos. Já os casos de emergência — como viagens imediatas comprovadas ou situações humanitárias — continuam sendo atendidos com prioridade.
Se você está nessa situação, a recomendação é acompanhar os comunicados do consulado responsável pela sua região. Cada posto está gerenciando seu estoque de forma independente, e as regras podem variar. Não deixe para resolver isso na última hora: planeje com antecedência, especialmente se tiver filhos sem passaporte ou documentos próximos do vencimento.
O Itamaraty informou que está trabalhando para garantir recursos adicionais e normalizar o atendimento até o final do ano. Até lá, manter o passaporte em dia e ficar de olho nas atualizações do seu consulado é o melhor caminho para evitar dores de cabeça.







