Panic buying provoca disputa por papel higiênico e álcool gel

Panic buying provoca disputa por papel higiênico e álcool gel

O termo “panic buying” – compras motivadas pelo pânico –, gera desconforto e gastos excessivos pelo temor do Covid-19. A corrida aos supermercados, esvaziando as prateleiras de produtos de limpeza, com o consumo excessivo de papel higiênico e álcool gel, é a grande preocupação do momento

Edição de março/2020 – p. 10

Panic buying provoca disputa por papel higiênico e álcool gel

O chamado “panic buying”, ou as compras motivadas pelo pânico, tomou conta das pessoas nos EUA – o mesmo ocorre em outros países –, e as prateleiras dos supermercados, no corredor onde ficam produtos de limpeza, incluindo papel higiênico e álcool gel, estão praticamente vazias. É um desabastecimento momentâneo diante do assombro de todos com as informações sobre a propagação do Covid-19, que traz insegurança e preocupação às famílias. E não há o consenso de que dividir o pão – ser solidário – é imprescindível em tais circunstâncias, nessa corrida desproporcional por produtos que podem compor um “bunker de sobrevivência”. O temor por possível isolamento desencadeia exageros na hora da compra emergencial.

Também estão sumindo das prateleiras comidas enlatadas e água sanitária, dando-nos a impressão de que estamos em um clima de guerra – quem é o inimigo? Evidente, o coronavírus. No estado de Nova York, por exemplo, até o encerramento desta edição, a rede de supermercados Costco estava desabastecida de álcool gel e papel higiênico, com filas imensas aguardando a sua vez de comprar. E para conter os excessos, a direção da empresa achou por bem limitar alguns produtos, possibilitando que todos – muita gente não conseguiu comprar –, pudessem ter acesso aos disputadíssimos produtos de higiene pessoal.

O mundo se tornou um solo contaminado, o temor se propagou com rapidez, mas é necessário esclarecer que, com os devidos cuidados, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS), é mais fácil conter o vírus. Os procedimentos de higienização – lavar as mãos com frequência, não colocar as mãos nos olhos ou na boca em locais públicos, evitando abraços, beijinhos no rosto e cumprimentos – diminuem os riscos. Manter uma distância maior da pessoa a quem vai cumprimentar, afasta o “fantasma do vírus” – evita futuros transtornos.

Segundo o alerta de especialistas em psicologia e neurociência, o pânico não começa de imediato quando se houve falar da pandemia do coronavírus, assunto que ocupa os noticiários e ganha às manchetes de jornais e demais polos de comunicação. As excessivas campanhas preventivas provocam certo medo, uma preocupação coletiva, estimulando a busca pela “salvação”. Evidente que o papel da imprensa é informar, alertar sobre o inimigo iminente, mas essa pirâmide gigantesca de dados alarmantes gera o estresse – isso é inevitável.

Estresse de coronavírus

O estresse, então, nos força a pensar no pior cenário possível. As pessoas tornam-se mais pessimistas e partem do pressuposto de que o pior deve acontecer. Imaginam de como seria se pegasse coronavírus, como seria se tivesse que autoisolar, como isso impactaria sua rotina de vida, e o que vai acontecer se houver um pânico geral e não tiver comida. O resultado é a corrida desenfreada aos supermercados, gerando o “panic buying”.

Steven Taylor, autor do livro “The Psychology of Pandemics” – A Psicologia de Pandemias –, lançado, inclusive, na China, relata em suas páginas que compras motivadas pelo pânico aconteceram em outras pandemias também, mas foram pouco documentadas.

O autor lembra a Gripe Espanhola, em 1918, quando as pessoas esvaziaram prateleiras de Vick Vaporub, famosa pomada criada para desobstruir as vias aéreas durante gripes e resfriados – muito utilizada por nossos avós. E o mesmo acontece nos dias de hoje, em 2020, com a corrida desesperada para adquirir de papel higiênico e álcool gel, entre outros produtos essenciais. “É muito importante que as pessoas tenham um comportamento responsável e pensem nas outras”, ressalta o escritor.

O papel higiênico, afirma Steven Taylor, “virou um símbolo de segurança, embora não vá impedir que as pessoas sejam infectadas pelo vírus. Mas quando as pessoas ficam sensíveis a infecções, aumenta a sensibilidade delas para o que é nojento. É um mecanismo para nos proteger de patógenos (bactérias)”.

A conexão imediatista entre as pessoas pelo mundo inteiro, a troca de informações pelas redes sociais, às vezes deturpada distante dos fatos reais, estimula a sensação de ameaça, gerando pânico e gastos desnecessários com a intenção de estocar em casa o máximo de alimentos e produtos de higienização. É preciso sim se cuidar, olhar pelos seus, mas evitar os exageros, sem lesar outras famílias, descartando a individualidade quando, neste momento, deve-se prevalecer o espírito de coletividade. Que todos façam suas compras necessárias, mas sem pânico ou a impulsividade do estresse.