O poder da Musicoterapia na cura de doenças graves

O poder da Musicoterapia na cura de doenças graves

O baterista Rennan Azevedo fala da importância da Musicoterapia para reduzir dores crônicas em pacientes com câncer; ajudar na recuperação de pessoas depressivas, entre outros benefícios. Um poderoso antídoto de ritmo, melodia e harmonia

Edição de julho/2019 – p. 36

O poder da Musicoterapia na cura de doenças graves

Em tempos de mídias sociais, resoluções rápidas e atropelos nos acontecimentos que impulsionam o mundo, nos tornamos reféns do imediatismo. O “daqui a pouco” é a mola motriz que nos compromete diante de situações ágeis, desencadeando problemas emocionais como a ansiedade. Mas nem tudo está perdido, a Musicoterapia – terapia alternativa que consiste na utilização da música e dos elementos (ritmo, melodia, harmonia e som) para estimular a comunicação –, é a válvula de espace. Um processo que tem beneficiado pessoas, em várias partes do mundo, e o musicoterapeuta, Rennan Azevedo, vem desenvolvendo métodos importantes na área, aperfeiçoando os canais de comunicação, proporcionando alegria e bem-estar. “Encontrei na música um meio terapêutico para o tratamento da depressão”, relata o músico.

E segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Musicoterapia estimula a fala, aumenta a criatividade, movimenta o corpo, exercita a memória, reduz sintomas de depressão e age na prevenção de doenças associadas ao aumento de idade e início de doenças crônicas. “Todas as idades, gêneros e culturas podem se beneficiar com o processo. Não lidamos com egos ou fazemos acepção de pessoas. Indistintamente, todos são bem-vindos e têm tratamento de igualdade”, destaca Azevedo.

O baterista brasileiro que se destacou em programas da Globo no Brasil –finalista do “Super Star” integrando a Banda Outro Eu –, lembra da recuperação de sua mãe, pianista, através da música, após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral). “Eu tinha dezoito anos na época e lembro que a minha mãe, depois do AVC, voltou a tocar piano com muito mais empenho e firmeza. Foi à música que a curou. Fiquei impressionado com a sua recuperação, o que me chamou a atenção. O médico que cuidou de minha mãe me disse que a música trabalha o cérebro de maneira global. A música é o elemento-chave para a recuperação de doenças”, conta.

“Foi à música que me tirou da depressão quando perdi o meu irmão – assassinado em 2014 durante um assalto. Perdi as esperanças e me fechei, abandonando os meus projetos. Eu trabalhava com a música à noite, então parei com tudo. Estava introspectivo e achava que nada mais valeria a pena. Eu me calei, permaneci em silêncio, pois tinha com medo, mas a música foi um elemento forte, essencial para que eu resgatasse os meus valores de vida. Deus falou fortemente comigo, disse para eu me levantar e continuar”, fala com emoção.

O poder da Musicoterapia na cura de doenças graves

Rennan tinha se formado em Farmácia, no Rio de Janeiro, e estava cursando Medicina quando decidiu trancar a matrícula e se dedicar à música integralmente. “Eu ganhava dinheiro com a música. Tinha projetos importantes em andamento então resolvi que era o momento de optar pela música”, lembra.

Foi quando aconteceu o sucesso da “Banda Outro Eu”, em 2016, galgando passos importantes na esfera musical, conquistando a terceira colocação na grande final do “Programa Super Stars”, da Globo. O desempenho dos músicos e a beleza da interpretação chamou a atenção da cantora Daniela Mercury, que fazia parte do júri. “Nós cantamos no programa uma música nossa, ‘Coisa de Casa’, e a Daniela se apaixonou pelo trabalho e disse que iria gravar, mas isso não aconteceu. Depois gravamos um CD com a participação da cantora Sandy, que cantou com a banda a música ‘Ai de Mim’, que foi tema da novela ‘O Outro Lado do Paraíso’. Estávamos indo muito bem até que o inesperado aconteceu”, enfatiza Rennan com pequena pausa.

Traição dos companheiros da banda

Segundo o baterista, inexplicavelmente foi comunicado por uma advogada de que passaria a ser um contratado da banda – abrindo mão dos direitos cabíveis como um dos líderes. Uma imposição do guitarrista e do vocalista, lembrando que o músico era um dos pilares para que o sucesso do grupo acontecesse. “Não aceitei a imposição dos meus colegas. Discordei do contrato que queriam que eu assinasse e resolvi deixar a banda. Era a melhor alternativa naquele momento de traição depois de tudo o que trabalhamos e passamos juntos”, declara o baterista.

Foi quando decidiu vir para os EUA onde realiza trabalho voluntário com a Musicoterapia, cujo propósito é levar os benefícios da música para as outras pessoas. “É preciso acender as chamas da esperança, resgatar valores e mostrar, através da música, como é importante a vida. A Musicoterapia proporciona a integração social. Nesse projeto as pessoas podem tocar instrumentos, ouvir música e contar as suas histórias”, acrescenta o músico.

O trabalho voluntário de Musicoterapia, desenvolvido junto a “Igreja Nova Vida”, em Orlando, tem, inclusive, ajudado pessoas com necessidades especiais. “É um espaço aberto, gratuito, onde as pessoas mostram o seu talento musical. Tem bate-papo e descontração. Os instrumentos disponíveis para os interessados são: bateria, violão e instrumentos de percussão”, comenta Rennan.

O baterista também realiza trabalho voluntário na “Journey Church”, no Winter Park, preparando cantores e músicos para o Louvor da igreja. “É um trabalho feito com músicos americanos, e com pessoas que participam do louvor do culto. A aceitação do meu trabalho voluntário tem sido de extrema importância na igreja”, comemora. “Também trabalhei com crianças em uma creche no Brasil, em Nova Iguaçu (RJ) – de 2012 a 2014”, acrescenta.

O poder da Musicoterapia na cura de doenças graves

Talento promissor

A paixão pela música, quando consultado, começou muito cedo na trajetória de Rennan Azevedo, aos dois anos de idade – isso mesmo – quando ganhou uma bateria do avô. Foram os primeiros passos da carreira promissora. “Meu tio era baterista e a minha mãe me levou para uma escola de música onde aprendi a tocar bateria”, fala com carinho o musicoterapeuta.

“A música, hoje, é peça central de diversos tipos de tratamento para estimular o desenvolvimento infantil durante gestações; para reduzir dores crônicas em pacientes com câncer; ajudar na recuperação de pessoas que sofreram acidente vascular cerebral, elevar a autoestima e incentivar a socialização de idosos, por exemplo. A Musicoterapia é um instrumento fundamental para a humanidade”, finaliza o baterista.