Em ambos os casos, os agentes não usavam câmeras corporais
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) determinou a suspensão temporária da maior parte das abordagens a veículos durante operações de fiscalização migratória, segundo informações obtidas pela CBS News e confirmadas por múltiplas fontes. A decisão veio após dois homens morreram baleados por agentes do ICE em menos de seis dias, e em ambos os casos as vítimas não eram os alvos das operações. Em nenhum dos dois episódios os agentes envolvidos usavam câmeras corporais.
Caso 1: Lorenzo Salgado Araujo, 52 anos, Houston, Texas
Em 7 de julho, Lorenzo Salgado Araujo, mexicano de 52 anos e pai de três filhos, foi morto durante uma abordagem do ICE no East End de Houston. Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), os agentes faziam vigilância em um endereço ligado a outro suspeito quando pararam o veículo de Salgado. O DHS afirmou que ele tentou atropelar um agente com a van e que os disparos ocorreram em legítima defesa. Os três outros ocupantes da van contradisseram essa versão. Segundo os passageiros, os agentes se aproximaram pelo lado do passageiro com as armas já apontadas, sem se identificar e sem dar qualquer aviso. Eles afirmaram que nenhum agente estava à frente da van no momento dos disparos, e que Salgado estava com o cinto de segurança quando foi atingido. A representante federal Sylvia Garcia confirmou ter ouvido os dois passageiros que descreveram essa versão dos fatos. O promotor do Condado de Harris abriu uma investigação paralela, mas afirmou que ainda não conseguiu identificar os agentes do ICE envolvidos no incidente.
Caso 2: Joan Sebastian Guerrero, 26 anos, Biddeford, Maine
Seis dias depois, em 13 de julho, Joan Sebastian Guerrero, colombiano de 26 anos com autorização legal de trabalho nos Estados Unidos, foi morto baleado por um agente do ICE em Biddeford, no Maine. Segundo o DHS, a agência realizava vigilância em um endereço ligado a um imigrante com ordem final de deportação quando tentou parar o veículo de Guerrero. A agência afirmou que ele tentou fugir e que um agente atirou por temer pela segurança pública. O pai de Guerrero, Omar Duran, declarou à imprensa que o filho deixa para trás uma esposa e uma filha de 3 anos, e que havia emigrado para construir um futuro melhor para a família. A Embaixada da Colômbia nos Estados Unidos emitiu nota pedindo informações e esclarecimentos ao DHS e afirmou que acompanhará o caso de perto.
Agentes sem câmera corporal nos dois casos
A ausência de câmeras corporais nos dois episódios tornou-se o ponto central das críticas. O DHS atribuiu a falta do equipamento às paralisações do governo federal (shutdowns) sob governos democratas, afirmando que as câmeras já foram distribuídas para mais da metade dos escritórios de campo, com prazo de 60 dias para completar a distribuição. O senador republicano do Maine Angus King destacou que a falta de gravações dificulta a apuração dos fatos. Já a senadora republicana Susan Collins afirmou ter contatado pessoalmente o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, para pedir a suspensão das abordagens não urgentes a veículos.
Sete mortos desde o retorno de Trump
De acordo com os dados apresentados na matéria original, ao menos sete pessoas morreram durante operações de fiscalização migratória desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A política de suspensão das abordagens é considerada temporária e deve durar enquanto o ICE revisa seus protocolos de segurança e os agentes recebem treinamento adicional. A orientação não se aplica a casos que envolvam alvos com histórico criminal grave.
Protestos e exigência de câmeras
Na noite do dia 13, cerca de 300 pessoas foram às ruas de Biddeford em vigília e protesto, carregando cartazes com os dizeres “Justiça para Joan” e “Chega de violência do ICE”. Em Houston, manifestantes marcharam exigindo a divulgação de imagens de câmeras de segurança e das comunicações internas dos agentes envolvidos no caso de Salgado. O ICE anunciou que vai exigir que ao menos um integrante de cada equipe use câmera corporal durante as operações a partir de agora.







