Mais de 31 mil viajantes tiveram informações compartilhadas com autoridades imigratórias em ação ligada à política de deportações. Desde 2025, esses dados vêm sendo repassados
O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) prendeu mais de 800 pessoas em um ano com base em informações fornecidas pela Administração de Segurança no Transporte (TSA), segundo dados obtidos pela Reuters. Ao todo, mais de 31 mil passageiros tiveram seus dados repassados à agência imigratória.
Tradicionalmente voltada à prevenção de ameaças terroristas, a cooperação entre as duas agências ganhou novo foco durante o governo de Donald Trump, passando a priorizar a identificação de imigrantes para ações de deportação. A prática tem gerado temor entre viajantes, especialmente após o reforço da presença de agentes do ICE em aeroportos.
As informações são coletadas pelo programa Secure Flight, que cruza dados de passageiros — como nome e data de nascimento — com listas de vigilância do governo. Desde 2025, esses dados passaram a ser compartilhados regularmente com o ICE, inclusive antes dos voos, permitindo a verificação prévia de possíveis alvos.
Casos recentes evidenciam o impacto da medida. Uma imigrante mexicana foi detida na área de embarque em Oklahoma ao tentar retornar ao seu país. Já uma família irlandesa foi deportada após anos vivendo nos Estados Unidos, deixando dois filhos no país. Também houve a deportação de uma estudante hondurenha detida em Boston antes de um voo doméstico.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do governo Trump de mobilizar diferentes órgãos federais para ampliar deportações. Além da TSA, instituições como o Fisco (IRS), o Departamento de Educação e programas sociais também estariam compartilhando dados com o ICE.
A política enfrenta críticas. Um grupo de mais de 40 deputados democratas alertou que a presença de agentes migratórios em aeroportos pode aumentar a insegurança e o medo entre passageiros. Organizações civis também questionam na Justiça a legalidade do compartilhamento de dados pessoais para fins migratórios.








