Pesquisa apresentada em conferência internacional mostra mudanças na estrutura cerebral e maior incidência de ansiedade e depressão entre os atletas aposentados
Um estudo apresentado durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC 2026), em Londres, revelou que ex-jogadores profissionais de futebol apresentam alterações estruturais no cérebro e índices mais elevados de ansiedade e depressão em comparação com a população em geral. Apesar dessas mudanças, os pesquisadores não encontraram evidências de declínio cognitivo entre os participantes.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Imperial College London, analisou 142 ex-jogadores profissionais britânicos, com idades entre 30 e 60 anos. Os resultados foram comparados aos de um grupo de controle formado por 56 pessoas da mesma faixa etária que nunca praticaram esportes de contato nem foram expostas a impactos repetitivos na cabeça.
Os exames de ressonância magnética identificaram redução do volume de massa cinzenta em regiões do cérebro relacionadas à memória e ao controle das emoções. No entanto, os testes que avaliaram memória, raciocínio e outras funções cognitivas apresentaram desempenho semelhante entre os ex-atletas e os integrantes do grupo de controle.
A saúde mental também chamou a atenção dos pesquisadores. Cerca de 42% dos ex-jogadores relataram sintomas compatíveis com ansiedade clínica, enquanto 31% apresentaram sinais de depressão. Os percentuais são significativamente superiores aos observados entre os participantes que nunca atuaram em esportes de contato.
Apesar das alterações encontradas, apenas 2% dos ex-jogadores apresentaram sinais de atrofia cerebral compatíveis com um processo neurodegenerativo em andamento. Os pesquisadores destacam que o estudo não estabelece uma relação direta entre a prática do futebol e doenças como Alzheimer ou encefalopatia traumática crônica (CTE).
Segundo a equipe responsável, a pesquisa representa a primeira etapa de um acompanhamento de longo prazo. Os participantes serão reavaliados periodicamente para verificar se impactos repetitivos, como cabeceios durante treinos e partidas, podem aumentar o risco de doenças neurológicas ao longo dos anos.
Os especialistas ressaltam que os resultados ainda são preliminares e reforçam a necessidade de novas pesquisas para orientar estratégias de prevenção, monitoramento e proteção da saúde cerebral de atletas profissionais e amadores.







