Escola impõe regra polêmica: alunos vacinados contra Covid ficam em casa por 30 dias

Alunos vacinados contra Covid-19 devem ficar em casa, determina direção da “Centner Academy”

 

A decisão da direção da escola particular “Centner Academy”, de Miami, de manter afastado por 30 dias os alunos que se vacinaram contra a Covid-19, causou indignação de especialistas em saúde. Qualquer pessoa que receba uma vacina Covid “não é infecciosa”, contestou Mary Jo Trepka, epidemiologista de doenças infecciosas

 

Da Redação

A escola particular “Centner Academy”, de Miami – com alunos do pré-primário à oitava série –, após ter causado polêmica ao anunciar que professores e funcionários que optaram pela vacina contra o Covid-19 não poderiam interagir com os alunos e correriam o risco de perder o emprego, provoca mais confusão. Em comunicado expedido nesta segunda-feira, informou aos pais que teriam que manter seus filhos em casa por 30 dias se recebessem a vacinação – ou de preferência que esperem até o verão.

A notificação causou indignação de especialistas em saúde, mas a direção mantém-se irredutível; alega que 30 dias é o tempo para que um aluno vacinado não transmita nada para outras crianças, promovendo falsas alegações sobre os imunizantes.

Na Flórida, atesta do CDC, cerca de 12,7 milhões de pessoas elegíveis – 58,9% da população do estado –, estão totalmente vacinadas. Em Miami-Dade, cerca de 2.023.293 pessoas, ou 74,5% da população total do condado, estão totalmente vacinadas. Todos completaram a série de duas doses das vacinas Pfizer-BioNTech ou Moderna ou completaram a vacina de dose única da Johnson & Johnson, de acordo com o relatório do CDC.

Quando contatado por e-mail, na tarde de segunda-feira, David Centner, que fundou a escola “Centner Academy” com sua esposa, Leila Centner, em 2019, disse que eles instituíram a política “como uma medida de precaução prudente após muita deliberação cuidadosa”.

Ele alega que “vários pais” no Conselho Consultivo de Pais da escola, levantaram preocupações sobre como as crianças vacinadas poderiam impactar outros estudantes e outras pessoas. Disse que “a liderança da escola não acredita que alguém vacinado possa infectar outra pessoa com Covid”, mas acrescentou que “a escola não está opinando se uma pessoa vacinada pode impactar negativamente outras pessoas”.

Ele mencionou “relatos inconsistentes” e enfatizou que, “ até que haja estudos definitivos e cientificamente comprovados que refutem esses relatos, precisamos fazer o que é melhor para nossos alunos e funcionários”.

As declarações de David Centner, no entanto, indignou especialistas em saúde pública que lutam contra o coronavírus, que matou mais de 700.000 pessoas nos EUA. “É muito perigoso, eu acho, transmitir algo que não seja baseado em nenhum fato”, disse Mary Jo Trepka, epidemiologista de doenças infecciosas e professora da “Florida International University.”

Trepka disse que nenhuma das três vacinas contra a Covid autorizadas nos EUA contém qualquer vírus vivo e qualquer pessoa que receba uma vacina Covid “não é infecciosa”.

A “US Food and Drug Administration” revisou extensos dados de ensaios clínicos e descobriu que as três vacinas contra o coronavírus – fabricadas pela Moderna, Johnson & Johnson e Pfizer-BioNTech –  são seguras e altamente eficazes na proteção das pessoas contra o coronavírus mortal.

“É impossível para alguém que foi vacinado representar qualquer risco para outra pessoa”, disse Trepka, acrescentando que o período de 30 dias não se baseia em nada científico, contestando a decisão da “Centner Academy”.