Como transformar o fracasso nos negócios em pontos fortes

Como transformar o fracasso nos negócios em pontos fortes

Todo desafio existe por alguma razão, seja de ordem pessoal ou profissional. Embora cada desafio seja tratado e compreendido de forma diferente por cada um de nós, seu objetivo principal é fundamentalmente o mesmo: Nos ensinar algo. Por mais difícil que seja, precisamos aprender com ele e tirar lições e aprendizados de forma a transformá-lo em força, para que possamos minimizar novos erros e, conquistar o sucesso

Edição de fevereiro/2020 – p. 20

Como transformar o fracasso nos negócios em pontos fortes

Quem tem veia empreendedora sabe que é necessário persistência para chegar longe. O que não vale é persistir no errado. Sempre que um negócio fracassa é necessário enxergar com mais atenção para encontrar o que não deu certo: Gestão? Serviço oferecido? Atendimento? Público? Engajamento?

Fechar o primeiro negócio ainda é tabu para muitas pessoas. Se você já passou por isso ou está planejando encerrar as atividades, mais cedo ou mais tarde irá se perguntar se está fazendo a coisa certa. Mas e agora, como lidar com o fracasso?

Em meus quase 20 anos de experiência como empreendedor serial onde passei por vários fracassos, todos os meus desafios acabaram por me levar a novos conhecimentos e experiências, que ajudaram a me transformar em um profissional mais capacitado para enfrentar as diferentes situações e também em um empreendedor melhor.

Há uma citação transmitida com frequência atribuída a Jack Welch: “A capacidade de uma organização (ou pessoa) de aprender com os erros e traduzir rapidamente esse aprendizado em ação, é a vantagem competitiva máxima”.

Esta não é apenas uma lição de negócios. É uma lição pessoal que devemos absorver e aprender. À medida que expandimos nossos negócios e crescemos como seres humanos, temos que progredir e considerar nossas falhas passadas (momentos em que “escorregamos”), para não as repetir no futuro. Apesar de ser uma afirmação óbvia, quantos de nós não cometemos um mesmo erro mais de uma vez?

Alguns chamam de responsabilidade, mas estes são os maiores momentos de um desafio: reconhecer os próprios erros. Não apenas mostrando humildade em reconhecer que errou, mas acreditando nisto como um instrumento de aperfeiçoamento. Todo erro que você cometer irá moldar uma nova visão e irá levá-lo a uma direção diferente, onde a possibilidade de repetir o mesmo erro será cada vez menor.

No entanto, embora a reflexão seja uma das ferramentas mais úteis que um empreendedor possa ter, o arrependimento torna-se presente e é um desperdício absoluto de tempo e energia. Apesar de todo sofrimento, tensão, angústia e até medo que o fracasso nos negócios possa causar, quando você parar para pensar friamente e mais calmo em uma situação como esta, irá perceber que você aprendeu lições muito importantes e que nenhuma escola irá te ensinar.

Mas, como o fracasso pode se tornar uma lição de negócios?

1) “Se você tiver que errar, erre rápido, entenda o porquê do erro e tente novos caminhos rapidamente”. Muitos empreendedores perdem muito tempo lamentando os erros e consequentes fracassos, sem entender os porquês dos mesmos. Lamentar não irá trazer o negócio de volta, nem recuperar o tempo e dinheiro perdidos.

Tentar buscar casos de sucesso de negócios similares ao seu, podem ajudar a identificar (ou dar pistas) sobre quais decisões levaram aos erros que ocasionaram o fracasso. Entender muito bem o que aconteceu e porque aconteceu, dará o conhecimento necessário para formular estratégias e caminhos mais assertivos que ajudarão certamente a minimizar erros e potencializar os acertos.

2) “Não temer o fracasso”. Ver o fracasso como um beco sem saída é um dos erros mais significativo que alguém pode cometer como empresário, ou mesmo com a própria vida. Não há problema algum em abandonar uma ideia que não está funcionando, desde que você aprenda e integre todo o conhecimento gerado no processo, ao seu próximo negócio. (Sim, próximo negócio… Não desista nunca!), e depois de um tempo, quando você cometer erros suficientes, você irá parar de cometê-los com a mesma frequência. Você começará a prever e antecipar as próprias falhas, corrigindo os caminhos rapidamente.

Veja o fracasso como um GPS. Através dele você conseguirá saber a melhor rota a seguir sabendo “antecipadamente” dos obstáculos a frente. No final, o fracasso vai acabar te ajudando a chegar ao sucesso de forma mais rápida, sólida e segura.

3) “Reconhecer o valor do fracasso”. Fazer uma reflexão rápida do que deu certo e principalmente do que deu errado, levará você a ser capaz de reconhecer o valor real do fracasso e não sentir a necessidade de repetir os erros do passado. Aprender as lições do que deu errado, ajudará, e muito, a entender os caminhos do futuro.

4) “Aceitar o fracasso como fator motivador e não o contrário”. Você já escutou aquela música que fala “reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”? Pois bem, este trecho pode resumir a trajetória de muitos empreendedores mundo afora. Após chegarem ao fracasso, eles não desistiram e deram a volta por cima com muita persistência e coragem.

Uma das histórias mais famosas no mundo dos negócios, aconteceu com Walt Disney. Antes de criar o mundo maravilhoso de fantasia e entretenimento do Mickey Mouse, Walt Disney vivia uma realidade completamente oposta. Sem muito apoio do pai, que não aceitava o seu “lado artístico”, Walt Disney se arriscou em agências de publicidade, jornal e em companhias cinematográficas.

No entanto, segundo alguns, por “sonhar” demais e ser muito exigente e detalhista, atrasava os trabalhos e não durava muito tempo no trabalho.

Foi quando, aos 20 anos, fundou a própria companhia cinematográfica, a Laugh-O-grams e criou o primeiro grande personagem de sucesso – o coelho Oswald, que foi “roubado” pelo produtor e distribuidor de filmes na época – Wrinklers.

Voltando de Nova York, já sabendo que não teria mais os direitos do seu primeiro personagem, Walt Disney enviou então um telegrama ao irmão Roy dizendo que “tudo estava certo” e para não se preocupar, pois ele já tinha em mente um outro personagem espetacular, que segundo alguns, foi inspirado nos ratos que visitavam o escritório as vezes: Mickey Mouse.

Para superar a fase difícil e contornar os prejuízos, Ub Iwerks criou então para Walt Disney o Mickey Mouse em 1928, para competir com o sucesso do Gato Félix. O camundongo, desenhado a partir de uma série de círculos, provou ser ideal e muito carismático para o desenho animado e se tornaria o personagem de maior sucesso dos estúdios Disney. Nessa época, a produtora passou a ser mais bem organizada como negócio, tendo o irmão Roy como responsável pela parte financeira, Walt Disney como estrategista, produtor e diretor, e Iwerks desenhava.

Em 1927, já se havia inventado o filme sonoro. Poucos anos depois, inventou-se o filme colorido. Disney e seus assistentes utilizaram as novas técnicas com muita imaginação para dar vida ao ratinho. Deu certo!

O resto da história vocês já sabem. Da falência, Walt Disney se reergueu e criou um império e chegou a acumular uma fortuna de 1,1 bilhão de dólares.

Construir uma história de sucesso não é nada fácil. Precisa de muita persistência e noção de onde se quer chegar. Na maior parte das vezes, ele só dá as caras depois de muito esforço e muitas tentativas fracassadas. A regra é bem ilustrada por uma frase de Wiston Churchill: “O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo”.